Missa breve

Edu Lobo

1973

Capa de Missa breve
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1973, o álbum Missa breve, oficialmente intitulado Edu Lobo, representa um marco fundamental na carreira de Edu Lobo e na música brasileira, consolidando sua busca incessante pela harmonia perfeita. É uma obra que se destaca por sua sonoridade singular, que transcende a bossa nova, adentrando um universo pós-bossa com influências regionais do Nordeste brasileiro e arranjos de impressionante complexidade. O disco é uma declaração de livre-arbítrio e um testamento do talento de Edu Lobo como arranjador e compositor. Sua abordagem experimental, porém acessível, refinada e esteticamente brilhante, faz com que seja considerado um dos trabalhos mais expressivos do artista. A proeminência do violão clássico, com passagens modais e tempos em arabescos desafiadores, é uma característica central que define o estilo inovador do álbum. Missa breve é frequentemente apontado como um dos mais importantes álbuns brasileiros, elogiado por sua capacidade de ser experimental sem ser inacessível, e culto sem ser condescendente. Sua intrincada tapeçaria sonora, que mescla raízes folclóricas e regionais com uma sofisticação melódica e harmônica, o coloca em uma posição de destaque na discografia nacional e internacional.

Contexto

O álbum Edu Lobo, popularmente conhecido como Missa breve, marca o retorno de Edu Lobo ao Brasil em 1973, após um período de quatro anos nos Estados Unidos, para onde havia partido em 1969. Durante sua estadia no exterior, Lobo buscou aprofundar-se em seus estudos musicais, transformando-se também em arranjador e orquestrador. Essa fase anterior incluiu uma tentativa de inserção no mercado anglófono com o álbum "Sergio Mendes Presents Edu Lobo", que, contudo, não obteve o sucesso esperado. Esse revés impulsionou o artista a regressar ao Brasil com uma visão renovada, determinado a concentrar-se em sua identidade musical única, já despontando como um expoente da MPB que emergiu na era dos festivais da segunda metade dos anos 1960.

Gravação

A produção do álbum Missa breve ficou a cargo de Milton Miranda e Dori Caymmi, com a direção musical do maestro Lindolfo Gaya. Os arranjos elaborados, que conferem ao disco sua complexidade e riqueza sonora, foram criados pelo próprio Edu Lobo. As gravações contaram com a participação de um elenco notável de músicos, incluindo Danilo Caymmi (flauta, coro e percussão), Tenório Júnior (piano e piano elétrico), Novelli (contrabaixo), Nelson Angelo (violão de 12 cordas e guitarra), Rubinho Moreira (bateria e tumbadora) e Fernando Leporace (vocal e baixo elétrico). Contribuições adicionais vieram de Paulo Moura (saxofone alto), Edmundo Maciel (trombone), Maurício (trompete), Aurino Ferreira de Oliveira (saxofone barítono) e Dom Salvador (órgão). O coro em várias faixas foi enriquecido pelas vozes do Quarteto em Cy, com Cynara, Cyva e Dorinha Tapajós, além de Sônia Burnier e Ruy Faria. A equipe técnica de gravação incluiu Nivaldo, Toninho e Zilmar Araújo, que contribuíram para a sonoridade distintiva do álbum.

Músicas

O álbum se divide em duas partes distintas e complementares. O lado A apresenta cinco canções mais acessíveis, muitas delas inéditas à época, que funcionam como uma evolução natural do cancioneiro de Lobo dos anos 1960. Destaques incluem "Vento Bravo" (parceria com Paulo César Pinheiro), com seu ritmo marcante, e "Viola Fora de Moda" (com Capinan), que exibe passagens de violão acústico intensas, estabelecendo Edu Lobo como um herdeiro musical de Heitor Villa-Lobos. "Zanga, Zangada" (com Ronaldo Bastos) é notável por sua inegável sofisticação. O lado B, que deu nome popular ao disco, é inteiramente dedicado à suíte litúrgica Missa breve, composta por Edu Lobo. As cinco faixas dessa suíte – "Kyrie", "Gloria", "Incelensa" (com Ruy Guerra), "Oremus" e "Libera-nos" – reinterpretam temas religiosos com a liberdade autoral de um compositor popular. A faixa "Oremus" conta com a participação vocal de Milton Nascimento, enquanto "Kyrie" e "Gloria" são enriquecidas pelos vocais do Quarteto em Cy.

Legado

Missa breve é amplamente considerado um dos álbuns mais relevantes e procurados na discografia de Edu Lobo, solidificando sua posição como uma figura central na evolução da MPB pós-bossa nova. O disco é elogiado por sua complexidade e sofisticação composicional, reiterando a maestria do artista na busca por uma harmonia perfeita e originalidade. Ao longo dos anos, o álbum manteve sua relevância e tem sido objeto de diversos relançamentos. Teve edições remasterizadas em CD em 1994, 1995 e 1996, e mais recentemente, uma reedição oficial em vinil em março de 2026. A duradoura demanda pelo disco no mercado de colecionadores é evidenciada pelos altos valores de revenda de suas cópias em vinil.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Regência

Mario Tavares

Direção [Musical Director]

Lindolfo Gaya

Orquestração

Edu Lobo

Produção

Milton Miranda

Produção [Assistant]

Dori Caymmi

Engenheiro de Som [Diretor Tecnica]

Z. J. Merky

Engenheiro de Som [Tecnico De Laboratorio]

Willy Paiva Moreira

Mixagem [Tecnico De Remixagem]

Jorge Teixeira

Gravação [Técnico de Gravação]

Nivaldo Duarte, Toninho, Zilmar De Araujo

Layout

Cafi

Referências