Corações Futuristas
Egberto Gismonti e Academia de Danças
1976

Porque Merece Estar na Lista
Corações Futuristas representa um marco na vasta e inventiva obra de Egberto Gismonti, um dos mais singulares e inovadores músicos brasileiros. Lançado em 1976, o álbum é uma profunda exploração da fusão sonora, onde elementos da música brasileira, jazz, música clássica contemporânea e influências indígenas se entrelaçam de forma orgânica e surpreendente. O trabalho é notável pela maneira como Gismonti expande sua paleta instrumental e composicional, utilizando uma orquestração rica e arranjos complexos que desafiam categorizações fáceis. A "Academia de Danças" não é uma banda convencional, mas um conceito orquestral que Gismonti reuniu para dar vida a suas visões ambiciosas, resultando em uma tapeçaria sonora exuberante e profundamente emocional. O álbum se destaca pela sua audácia estética e pela contínua busca de Gismonti por novas linguagens musicais.
Contexto
Na metade dos anos 1970, o Brasil vivia sob o regime da ditadura militar, um período de grande efervescência cultural, mas também de repressão política. Muitos artistas buscavam novas formas de expressão e resistência através da arte. Egberto Gismonti, já consolidado como um músico de vanguarda e um virtuoso instrumentista, vinha de uma série de trabalhos que demonstravam sua crescente maturidade e sua inclinação para a experimentação, como o aclamado Dança das Cabeças. Este período foi caracterizado por uma intensa troca cultural e pela abertura para diversas influências globais, que Gismonti soube absorver e reinterpretar com maestria. Seu percurso até Corações Futuristas foi marcado por uma incessante pesquisa sobre as raízes da música brasileira, em especial a indígena, e a integração dessas descobertas com elementos do jazz e da música erudita contemporânea.
Gravação
A gravação de Corações Futuristas foi um processo complexo, refletindo a ambição de Gismonti de criar uma obra de grande escala sonora. O álbum foi gravado no estúdio Somil, no Rio de Janeiro, com a produção do próprio Gismonti. A orquestração exigiu uma cuidadosa arrumação dos instrumentos e músicos para capturar a riqueza de texturas e timbres que ele imaginava. Gismonti utilizou uma vasta gama de instrumentos, desde seu violão de dez cordas, piano e flautas, até percussão variada e instrumentos de cordas e sopros que compunham a "Academia de Danças". A engenharia de som foi crucial para equilibrar os diferentes elementos, desde os momentos mais introspectivos e delicados até as passagens de maior intensidade e volume orquestral, criando uma sonoridade envolvente e detalhada.
Músicas
As canções de Corações Futuristas são verdadeiras composições que se desdobram em narrativas instrumentais, onde a melodia, a harmonia e o ritmo interagem de maneira sofisticada. Faixas como "Maneiras de Ser", "Memória e Fado" e a própria faixa-título "Corações Futuristas" exemplificam a maestria de Gismonti em construir climas e evocar emoções sem a necessidade de palavras. Gismonti explora ritmos brasileiros complexos, harmonias abertas e contrapontos intrincados, muitas vezes combinando a delicadeza de seu violão com a potência da orquestra. As composições revelam uma profunda compreensão da estrutura musical, mas sempre com um forte apelo à intuição e à espontaneidade, características marcantes de sua identidade artística.
Legado
Corações Futuristas foi recebido com entusiasmo pela crítica especializada, que reconheceu a ousadia e a originalidade da proposta de Egberto Gismonti. O álbum solidificou sua reputação como um dos mais inovadores compositores e arranjadores brasileiros, e sua influência se estendeu a diversas gerações de músicos que buscaram expandir as fronteiras da MPB e da música instrumental. Embora Gismonti seja conhecido por não ser um artista de grandes vendagens no sentido comercial, Corações Futuristas é considerado um álbum essencial em sua discografia e um clássico da música instrumental brasileira. Ele continua a ser estudado e apreciado por sua riqueza musical, complexidade estrutural e pela visão futurista que seu título sugere e que sua sonoridade concretiza, permanecendo relevante por sua audácia estética e intemporalidade.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Egberto Gismonti
Mario Tavares
Dulce Nunes
Mariozinho Rocha
Milton Miranda
Egberto Gismonti, Geraldo E. Carneiro, Novelli
Egberto Gismonti, Joyce, Lizzie Bravo, Mauricio Maestro, Novelli
Aninha, Marya
Dulce Nunes
Alceu De Almeida Reis, Marcio Mallard, Peter Dauelsberg, Watson Clis
Dulce Bressane
Luiz Alves, Renato Sbragia
Robertinho Silva
Academia De Danças
Danilo Caymmi, Mauro Senise, Paulo Guimarães
Nivaldo Ornelas
Egberto Gismonti
Edmundo Maciel
Darcy Da Cruz, Marcio Montarroyos
Arlindo Penteado, Frederick Stephany, Géza Kiszely, Nelson Macedo
Adolfo Chimanovitch, Alfredo Vidal, Frantisek Bartik, Gentil Dias, GianCarlo Pareschi, Jorge Faini, José Alves Da Silva, José Dias De Lana, Marcello Pompeu Filho, Ricardo Wagner, Robert Arnaud, Salvador Piersanti, Virgilio Arraes F., Walter Hack, Wilson Teodoro
Jorge Teixeira, Nivaldo Duarte
Dacy Rodrigues, Toninho
Bita Carneiro
