Egberto Gismonti

Egberto Gismonti

1973

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Por Que Esse Disco é Importante

O álbum Egberto Gismonti, lançado em 1973, representa um marco fundamental na discografia inicial do multi-instrumentista, consolidando uma proposta musical que se tornaria sua assinatura. Neste trabalho, a refinada formação erudita de Gismonti encontra uma integração clara e expressiva com a rica linguagem popular brasileira e a experimentação instrumental, resultando em uma sonoridade única e multifacetada. Distanciando-se de classificações simplistas, o disco navega entre elementos de música de câmara, jazz e a canção instrumental, tudo permeado por uma escrita harmônica já profundamente pessoal. Ele se destaca como um álbum de transição, plenamente autoral, que antecipa a ousadia e a radicalidade que Egberto Gismonti desenvolveria em fases posteriores de sua carreira, mas que já revela a genialidade de um artista rompendo com estruturas convencionais em busca de uma criação instrumental mais complexa e inovadora.

Contexto

Egberto Gismonti, nascido em 1947 em uma família musical no interior do Rio de Janeiro, iniciou seus estudos de piano aos cinco anos, abrangendo flauta, clarinete e violão no Conservatório Brasileiro de Música. Sua formação foi aprofundada em Paris, onde estudou música dodecafônica com Jean Barraqué e análise musical com a lendária Nadia Boulanger, que o encorajou a enraizar sua expressão na riqueza cultural brasileira. Após lançar seu primeiro LP homônimo em 1969 e outros trabalhos que flertavam com a bossa nova, os anos 1970 marcam um período de intensa pesquisa e experimentação para Gismonti, com um crescente foco na música instrumental. Em 1973, o artista faria a transição para o violão de oito cordas, buscando expandir as possibilidades sonoras do instrumento através de novas afinações e timbres.

Gravação

O álbum Egberto Gismonti foi lançado pela gravadora Odeon em 1973, com a produção de Milton Miranda e a assistência de Geraldo Carneiro. A direção musical ficou a cargo do renomado Maestro Gaya, com regência de Mario Tavares e engenharia de som de Z.J. Merky. Apesar da presença de outros talentosos instrumentistas, a ficha técnica original do LP é notável por não creditar individualmente os músicos participantes, mencionando apenas um agradecimento geral, o que, de certa forma, ressalta o caráter central da visão de Gismonti na obra. Sabe-se que Egberto Gismonti tocou piano, violão, voz, percussão e flautas de madeira, com contribuições de nomes como Ion Muniz na flauta, Tenório Júnior no piano elétrico, Paulo Moura no saxofone, e Novelli e Edson Lobo no contrabaixo.

Músicas

A essência musical do álbum evoca uma sensação de assombração e mensagens nostálgicas, elementos que se tornariam recorrentes na obra de Gismonti. Faixas como a de abertura, 'Luzes da Ribalta', e a emocionante 'Memória e Fado', ambas com letras de Geraldo Carneiro, apresentam estruturas conhecidas, mas com um tratamento harmônico singular e deslocado. O trabalho instrumental ganha destaque em peças como o bloco 'Academia de Dança', que agrupa pequenas composições como 'Dança dos Homens' e 'Dança das Sombras' em uma sequência quase suíte. O lado mais virtuoso e 'transcendental' do pianista emerge em 'Tango'. Já em 'Encontro no Bar', outra parceria com Geraldo Carneiro, o álbum retoma seu 'quê de assombração'. O disco aprofunda-se em sua formação erudita com 'Adagio', uma peça sentimental com orquestração envolvente e melodia que remete a um concerto para piano. 'Variações Sobre um Tema de Léo Brouwer' demonstra uma construção grandiosa, inclusive com uma bela citação de 'Cravo e Canela', do Clube da Esquina. O álbum é arrematado por 'Salvador', uma síntese intrigante entre a pulsação brasileira e uma complexa arquitetura harmônica, descrita como uma peça 'badeniana, quente e brasileira'.

Legado

Desde seu lançamento, Egberto Gismonti foi reconhecido com o prêmio Golden Record no Brasil, um testemunho de seu impacto imediato. Curiosamente, a gravadora EMI/Odeon inicialmente expressou hesitação, chegando a considerar o álbum um trabalho 'fora de qualquer categoria', com uma produção experimental e cara para a época. Contudo, o tempo o consagraria como uma das obras mais importantes do artista. Este trabalho é frequentemente citado como um dos melhores álbuns de Gismonti e uma porta de entrada essencial para compreender sua produção nos anos 70. Sua fusão pioneira de elementos clássicos, populares e experimentais estabeleceu as bases para a evolução estilística do músico, que, apesar de transicional, é vista como plenamente autoral e precursora da fase mais radical de sua carreira. O álbum continua sendo objeto de estudo e homenagem, como evidenciado pelo tributo 'Heart of Brazil', do multi-instrumentista Eddie Daniels, que celebra canções dos clássicos álbuns de Gismonti da Odeon/EMI do início dos anos 70.

Faixas

Créditos

Arranjo

Egberto Gismonti

Regência

Mario Tavares

Regência [Choir]

Egberto Gismonti

Direção

Lindolfo Gaya

Orquestração

Egberto Gismonti

Produção

Milton Miranda

Produção [Ass.]

Geraldo E. Carneiro

Composição

Egberto Gismonti, Geraldo E. Carneiro

Engenheiro de Som [Direção Técnica]

Z. J. Merky

Remix

Jorge Teixeira

Arte [Cover]

Cafi, Ronaldo Bastos

Fotografia

Cafi

Análises

MUSICA&SOM: Egberto Gismonti - Arvore (1973)

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Vamos com Egberto Gismonti, compositor, multi-instrumentista e um dos compositores mais renomados, figura que proporciona mais apresentações. Temos esse álbum raro gravado em 1973, já relançado em CD, mas sempre difícil de encontrar.

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Vamos com o Egberto Gismonti, compositor, multi instrumentista e arranjador dos mais renomados, figura que dispensa maiores apresentações. Temos dele este raro álbum gravado em 1973, já relançado em cd, mas sempre difícil de encontrar.

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No CD, o disco ganhou o título de ÁRVORE e uma ficha técnica com créditos aos músicos, embora eles não estejam especificados por faixa e tenham sido identificados pela autora desta Discografia.

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Egberto Gismonti é o cara mais competente, criativo, versátil e musical da música brasileira. É talvez o único humano que consegue ter uma expressão transcendental ao piano e ao violão. Além disso, é espetacular como compositor, arranjador e cantor.

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Egberto Gismonti – Discogs

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