Capim do Vale

Elba Ramalho

1980

Capa de Capim do Vale
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1980, Capim do Vale é o segundo álbum de estúdio da aclamada cantora e compositora paraibana Elba Ramalho, consolidando a imagem artística que ela vinha construindo desde sua estreia com Ave de Prata no ano anterior. Este trabalho é uma celebração vibrante da música nordestina, mergulhando profundamente em gêneros como baião, xote, forró e MPB com raízes regionais, e reafirmando a voz singular de Elba no cenário musical brasileiro. O disco é notável por sua energia poderosa e a autenticidade de sua interpretação, que se tornariam marcas registradas da artista. O álbum não apenas pavimentou o caminho para a carreira de sucesso de Elba Ramalho, mas também apresentou o Nordeste como uma fonte inesgotável de inspiração musical. Com canções que variam entre o áspero, o lírico e o malicioso, Capim do Vale é um testemunho da riqueza cultural e da força criativa da região, absorvendo e transformando influências com uma inventividade contínua. É um disco que se destaca pela maneira como Elba traduz essa paisagem sonora para o público, com uma proposta artística clara e forte.

Contexto

Elba Ramalho, nascida em Conceição, Paraíba, cresceu imersa nos ritmos pulsantes do Nordeste, como baião, maracatu, xote, frevo e forró, influenciada por seu pai músico. Sua trajetória artística começou cedo, incluindo a experiência como baterista no grupo feminino "As Brasas", antes de se dedicar integralmente à carreira musical. Em 1979, ela fez sua estreia fonográfica com o álbum Ave de Prata, que obteve uma vendagem surpreendente para um trabalho de principiante. Capim do Vale surge no ano seguinte, em um período de efervescência da cena pop do *sertão* nordestino, com Elba despontando como uma das principais vozes na revitalização do forró e da música regional.

Gravação

Capim do Vale foi lançado pela gravadora CBS/Epic em 1980. O álbum contou com uma gama diversificada de talentos na instrumentação e arranjos, que contribuíram para a sonoridade rica e autêntica do disco. Entre os músicos participantes, destacam-se a Banda Rojão nos arranjos de algumas faixas, e nomes como Alexandre Gnatalli responsável por arranjos de cordas. A gravação reuniu importantes figuras da música brasileira: Dino no violão de 7 cordas e arranjo de base, Miguel Cidras nos arranjos e regência, e Vital Farias que também assinou arranjos e regência de base, além de tocar violão. Instrumentistas como Joca (guitarra, viola de 12 cordas), Paulo Rafael (guitarra), Robertinho de Recife (sitar, guitarra portuguesa), Geraldo Azevedo (violão) e o primo Zé Ramalho (viola) enriqueceram as texturas sonoras. A base rítmica foi assegurada por Guil Guimarães (baixo), Elber Bedaque (bateria, timbales) e Picolé (bateria), enquanto Manassés e Canhoto contribuíram com o cavaquinho. A presença de Sivuca no acordeom e colher, e Zé Américo Bastos também no acordeom, sublinhou a forte identidade nordestina do trabalho.

Músicas

O repertório de Capim do Vale é composto por doze faixas que formam um panorama da música nordestina contemporânea, incluindo composições de autores de Paraíba, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte. O álbum apresenta joias como "Caldeirão dos Mitos" de Bráulio Tavares, "Nó Cego" de Pedro Osmar, e a regravação de "Légua Tirana" de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e "Imbalança" também de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. A canção-título, "Capim do Vale", composta por Sivuca e Paulinho Tapajós, é um dos pontos altos do disco, transmitindo uma mensagem de acolhimento, descanso e pertencimento às raízes nordestinas. Sua letra evoca imagens do cotidiano rural, como "cheiro de erva, pimenta e capim do vale", e aborda temas de justiça e liberdade, como o incentivo a "largar o patrão na picada e deixar o dinheiro mal pago". A interpretação de Elba Ramalho, com sua característica energia e o uso de instrumentos tradicionais, amplifica o sentimento de autenticidade e regionalismo da faixa.

Legado

Capim do Vale teve um desempenho comercial sólido, vendendo 80.000 cópias, um feito respeitável para o início da carreira da artista. Embora a avaliação da crítica da época, como a do Clique Music que atribuiu 2 de 5 estrelas, possa parecer modesta, o álbum é retrospectivamente reconhecido por sua importância na consolidação da identidade musical de Elba Ramalho. Em análises posteriores, o álbum é elogiado por seu tom "áspero e esfarrapado" característico do forró e por apresentar uma Elba "revivalista do *sertão*", com uma sonoridade musicalmente "bastante sólida", embora alguns apontem para o prenúncio de um som mais "crossover" que viria a dominar sua obra posterior. Elba Ramalho demonstrou, à época do lançamento, um interesse maior na continuidade e na compreensão de sua proposta artística do que em um "estouro" imediato, buscando a longevidade e a relevância de seu trabalho a longo prazo, o que Capim do Vale ajudou a solidificar, garantindo sua posição como uma das principais cantoras brasileiras.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística [Direção Artística]

Adalberto Ribeiro, Mauro Motta

Produção

Mauro Motta

7-string Acoustic Guitar

Dino 7 Cordas

Acordeão

Sivuca

Acordeão, Piano

Zé Américo

Violão

Geraldo Azevedo, Meira, Vital Farias, Zé Menezes, Zé Ramalho

Cavaquinho

Canhoto, Manasses

Bateria

Elber Bedaque

Baixo Elétrico

Guil Guimarães, Zé Américo

Flauta

Franklin da Flauta, Zé Da Flauta

Guitarra

João Alves da Costa, Paulo Rafael, Robertinho De Recife

Pandeiro

Jackson Do Pandeiro

Percussão

Marcos Amma

Sitar

Robertinho De Recife

Viola Caipira

Pedro Osmar, Zé Menezes

Mixagem

Deraldo

Gravação

Anibal Felix, Waldir Lombardo Pinheiro

Arte

Carlos Enrique M. de Lacerda

Fotografia

Cafi

Referências

Livros