Elis
Elis Regina
1974
Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Lançado em 1974, Elis é o décimo terceiro álbum de estúdio da icônica cantora Elis Regina, marcando um ponto alto em sua discografia e na Música Popular Brasileira. Este trabalho revela uma Elis no auge de sua maturidade artística, com sua voz poderosa e interpretações dramáticas que se tornaram sua marca registrada. O álbum se destaca por apresentar um repertório sofisticado, que transita entre o lirismo da bossa nova e a complexidade rítmica e melódica do MPB contemporâneo, sempre com uma roupagem moderna e influências jazzísticas. A "Pimentinha" demonstra aqui sua notável versatilidade, transitando por canções de grandes nomes já estabelecidos e introduzindo ao público novos talentos da composição brasileira. A colaboração com César Camargo Mariano na direção musical e nos arranjos é um dos pilares deste disco, impulsionando a sonoridade para frente e consolidando uma das parcerias mais frutíferas da música brasileira. É um álbum essencial para entender a evolução da MPB na década de 70 e o papel central de Elis Regina como uma das maiores intérpretes do país.
Contexto
O ano de 1974 encontrava o Brasil sob o regime da ditadura militar, um período de grande repressão e censura que, paradoxalmente, estimulou a criatividade e a resistência cultural. Elis Regina, já uma estrela consolidada e conhecida por sua personalidade forte e posicionamentos políticos, navegava por esse cenário complexo, utilizando sua arte como forma de expressão e, por vezes, de protesto. Sua trajetória, apelidada de "Pimentinha" devido ao temperamento explosivo e à paixão no palco, já a havia estabelecido como uma das figuras mais influentes da música nacional. Nessa fase, Elis já havia consolidado sua reputação de grande intérprete e inovadora. A parceria com César Camargo Mariano, que se tornaria seu marido, estava se aprofundando, resultando em uma fusão artística que moldaria a sonoridade de muitos de seus trabalhos subsequentes e influenciaria significativamente a MPB.
Gravação
As sessões de gravação de Elis (1974) ocorreram no Estúdio Sonima, em São Paulo, um dos centros de produção musical da época, com a mixagem final realizada no Estúdio Phonogram, no Rio de Janeiro. A coordenação do projeto ficou a cargo de Roberto de Oliveira, enquanto a direção de produção foi assinada por Marco Mazzola. Um dos pontos altos da produção foi a direção musical e os arranjos elaborados por César Camargo Mariano. Mariano não apenas orquestrou as faixas, mas também demonstrou sua maestria instrumental ao tocar piano, piano elétrico, cravo, clavinete, órgão e phaser no álbum, enriquecendo enormemente a tapeçaria sonora. A ficha técnica ainda destaca Zorro como técnico de gravação, Mazzola como técnico de mixagem e Joaquim Figueira responsável pelo corte da matriz, evidenciando o cuidado técnico e artístico empregado na criação do disco.
Músicas
O repertório do álbum Elis (1974) é um panorama da efervescência criativa da MPB daquele período, com Elis Regina interpretando magistralmente canções de alguns dos mais importantes compositores. O disco apresenta joias como "Travessia" e "Ponta de Areia", ambas de Milton Nascimento e Fernando Brant, que ressaltam a capacidade de Elis de mergulhar em narrativas poéticas com intensa emoção. Outras faixas notáveis incluem "O Mestre-Sala Dos Mares", "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá" e "Caça à Raposa", frutos da aclamada parceria entre Aldir Blanc e João Bosco, que introduziram uma sonoridade mais engajada e crítica. O álbum também conta com composições de Gilberto Gil, como "Amor Até o Fim" e "O Compositor Me Disse", e a clássica "Na Batucada da Vida", de Ary Barroso e Luiz Peixoto, demonstrando a amplitude estilística da cantora. Em "Dois pra Lá, Dois pra Cá", a gravação contou com a participação de Paulinho Braga no bongô, Hélio Delmiro na guitarra e o coro Classic VIII, adicionando camadas especiais à instrumentação. A performance vocal de Elis em cada uma dessas canções é um testemunho de seu virtuosismo, sua entrega e sua incomparável capacidade de dar nova vida a cada letra e melodia.
Legado
Apesar de ter sido lançado no mesmo ano de Elis & Tom, que frequentemente recebe maior destaque em retrospectivas internacionais, o álbum Elis (1974) possui um legado sólido e é valorizado por sua contribuição à música brasileira. Em uma enquete realizada pelo podcast Discoteca Básica com 162 especialistas musicais, o álbum foi classificado na 237ª posição entre os melhores discos brasileiros de todos os tempos, sendo um dos sete trabalhos da cantora a figurar na lista. Este álbum é visto como um marco na carreira de Elis, consolidando a modernidade de sua sonoridade ao lado de César Camargo Mariano. Ele serviu para reafirmar a relevância de Elis Regina no cenário da MPB, mostrando sua habilidade de se reinventar e de ser a voz de uma nova geração de compositores, garantindo que sua discografia de 1974 tivesse dois álbuns de importância duradoura.
Faixas
Créditos
Mazzola
Luizão Maia
Paulinho Braga
Classic VIII
Antônio "Toninho" Pinheiro
Hélio Delmiro
Natan Marques
Chico Batera
Christiano Mascaro
César Camargo Mariano
Joaquim Figueira
César Camargo Mariano
Lobianco
Vídeos
"Elis & Tom - 1974" Leitura obrigatória - UFRGS 2018
Me Passa
3000 Best Albums [2503] Elis Regina & Antonio Carlos Jobim - Elis & Tom (1974) Mini Album Review
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Elis Regina & Tom Jobim - "Aguas de Março" (Waters of March) - 1974, A Layman's Reaction FIRST TIME
A Layman's Reaction
Filmes
Furacão Elis
Furacão Elis
1985
Documentário sobre Elis Regina, apresentado por Marília Gabriela.
Elis & Eu
Elis & Eu
Baseado no livro “Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe”, escrito por João Marcello Bôscoli, o filme busca desconstruir o mito e revelar a Elis mulher, mãe e profissional.

Elis
2016
Cantora desde a infância, Elis Regina entra na vida adulta deixando o Rio Grande do Sul para espalhar seu talento pelo Brasil, a partir do Rio de Janeiro. Em rápida ascensão, ela logo conquista uma legião de fãs, como o famoso compositor e produtor Ronaldo Bôscoli, com quem acaba se casando. Estrela de TV, polêmica, intensa e briguenta, a Pimentinha não tarda a ser reconhecida como a maior voz do Brasil, em carreira marcada por altos e baixos.

Elis Regina - Doce de Pimenta
2007
Ela confundia a todos. A primeira impressão logo se desvanecia e quem se aproximava se surpreendia. Não se sabe se o fazia por 'boniteza ou por precisão', como dizia Guimarães Rosa. Mas a verdade é que os estereótipos desmoronavam quando ela acolhia os seus eleitos. E as revelações se sucediam. Atrás daquela voz suavemente aguda e afinada se escondiam tons graves que poucos conseguiam atingir. Atrás da origem humilde, uma sensibilidade e uma inteligência incomuns. A técnica irrepreensível era outro disfarce: Elis era pura emoção. E cantar não era o objetivo final, ela queria mesmo era fazer as pessoas felizes. Mas foi Rita Lee quem desmoralizou o clichê recorrente, a Pimentinha era na verdade uma doce figura.

Elis Regina: Falso Brilhante
2007
Elis era completa, tinha os atributos que diferenciam os simples artistas das estrelas, categoria a qual pertencia. Ela conseguia encantar as pessoas nos discos, nos shows e no vídeo.
Livros

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
Ricardo Alexandre · 2022
A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.

Elis Regina: Nada Será Como Antes
Julio Maria · 2015
Esta é uma das biografias mais completas e aclamadas de Elis Regina, escrita por Julio Maria. A obra detalha a vida, a carreira e o impacto da artista na música brasileira, baseada em extensa pesquisa e entrevistas. Por ser uma biografia abrangente e definitiva, ela oferece contexto essencial e informações detalhadas sobre os principais trabalhos de Elis, incluindo o álbum de 1974, "Elis (1974)".
Análises
Elis – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Grandes Discos Brasileiros | 'Elis & Tom' - Elis Regina e Tom Jobim (1974)
colunablah.blogspot.com
Elis & Tom foi um sucesso de vendas e atendeu a todas as expectativas de Elis, Jobim e da gravadora. Segundo a Billboard, tornou-se um dos álbuns brasileiros mais vendidos de todos os tempos. Mesmo décadas depois do seu lançamento, as vendas continuaram a acontecer.
Elis Regina, que hoje faria 81 anos, tem remixado o álbum de 1973 ... - G1
g1.globo.com
O fato é que, mesmo sem ter repertório tão avassalador quanto o "Elis" de 1972 e o "Elis" de 1974, o "Elis" de 1973 é álbum com o alto padrão de qualidade vocal de Elis Regina.
"Elis & Tom" (Philips, 1974), Elis Regina e Tom Jobim - Blogger
discosessenciais.blogspot.com
Apesar das mais diversas regravações, a versão de "Águas de Março" presente no álbum Elis & Tom ainda é imbatível. Tudo funciona muito bem nela, desde a agradabilíssima base instrumental ao dueto magistral de Elis e Tom, em que Elis canta de forma descontraída na reta final da música.
Elis Regina e Tom Jobim: os bastidores tensos da gravação da maior obra ...
pensarcontemporaneo.com
Os bastidores de uma das maiores joias da MPB, o álbum "Elis & Tom", de Elis Regina e Tom Jobim, gravado em 1974, finalmente vêm à tona.