Elis

Elis Regina

1977

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Por Que Esse Disco é Importante

Lançado em 1977, Elis é o décimo quinto álbum de estúdio da icônica Elis Regina, marcando um ponto de virada significativo em sua carreira, com uma abordagem mais sofisticada da bossa nova e arranjos vocais maduros que realçam sua profundidade interpretativa. A obra funde a Música Popular Brasileira (MPB) com influências de pop experimental e rock progressivo, criando uma sonoridade inovadora que sublinha a voz versátil e emotiva da cantora, considerada uma das maiores do Brasil. Sob a direção musical de César Camargo Mariano, seu então marido e renomado pianista de jazz, o álbum incorpora sensibilidades da fusion, mesclando a intimidade acústica com arranjos audaciosos e exploratórios. A produção inspirou-se na experimentação de estúdio comum em Los Angeles na época, resultando em um trabalho que se destaca por sua riqueza textural e pela capacidade de Elis de elevar cada composição a um novo patamar artístico, consolidando seu papel central na MPB dos anos 70.

Contexto

O lançamento de Elis em 1977 ocorreu em um período de grande efervescência, mas também de turbulência política no Brasil, sob o regime da ditadura militar. Elis Regina, uma figura de voz poderosa e temperamento vibrante, já havia consolidado sua carreira na década de 1970, mas também enfrentava a repressão por suas críticas ao governo. Este álbum representou uma busca deliberada da artista por evolução sonora, refletindo um momento de crescimento pessoal e amadurecimento artístico. À época da gravação, Elis estava grávida de sua filha Maria Rita, o que trouxe uma qualidade íntima e reflexiva ao projeto. Após o sucesso comercial de seu álbum Falso Brilhante, de 1976, e aclamadas colaborações como Elis & Tom em 1974, a cantora buscava integrar novas vozes da MPB, com o objetivo de harmonizar elementos musicais tradicionais brasileiros com toques sutis de jazz, transmitindo resiliência emocional e nuances sociais.

Gravação

O álbum Elis foi gravado em meados de 1977 nos Estúdios Reunidos, em São Paulo, sob a batuta de César Camargo Mariano, que assumiu os papéis de produtor, arranjador e diretor musical. Mariano, conhecido por sua habilidade no piano jazz e por uma lendária mão esquerda, priorizou capturar uma sensação de banda ao vivo, com o mínimo de overdubs, para realçar os elementos acústicos e a expressividade vocal de Elis Regina. A produção se concentrou em instrumentação sutil, com piano, guitarra e percussão leve, para criar uma sonoridade íntima e orgânica, livre de efeitos eletrônicos pesados. A equipe de engenharia, liderada por Roberto Marques e assistida por Reinaldo Cesar de Souza, garantiu mixagens limpas que destacaram a dinâmica natural das performances. O time de músicos incluiu talentos como Wilson Gomes no baixo Rickenbacker e Dudu Portes na bateria e percussão, que contribuíram para a base rítmica e a elegância discreta do álbum.

Músicas

Elis é uma tapeçaria musical enriquecida por composições de grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento e Ivan Lins. "Caxangá", de Milton Nascimento e Fernando Brant, abre o disco com uma energia vibrante e toques folk extraídos das tradições brasileiras, contando com a participação de Milton Nascimento na guitarra acústica, viola caipira de 12 cordas e vocais. Outra canção marcante de Nascimento, "Morro Velho", é apresentada como uma balada acústica, na qual ele também contribui com violão Ovation. Ivan Lins brilha em "Qualquer dia" e "Cartomante", participando com piano acústico e vocais. "Cartomante", em particular, é uma faixa com infusão de jazz sobre cartomancia, onde a fraseado sutil de Elis se sobrepõe a harmonias sofisticadas, com a participação adicional de Lucinha Lins, Thomas Roth e Zé Luiz nos vocais. A seleção do repertório foi cuidadosamente pensada para dar destaque a compositores promissores, incluindo também "Romaria" de Renato Teixeira, que se tornou uma das interpretações mais emblemáticas de Elis, e a introspectiva "Transversal do Tempo", de João Bosco e Aldir Blanc, que encerra o álbum com uma reflexão sobre a passagem do tempo.

Legado

Desde seu lançamento em 1977, o álbum Elis tem recebido aclamação da crítica brasileira, com avaliações retrospectivas sempre muito favoráveis. É amplamente considerado um dos pontos altos da discografia de Elis Regina, um reflexo vibrante da efervescente cena musical brasileira do final da década de 1970. Sua duradoura relevância é evidenciada pelas diversas reedições: inicialmente como LP entre 1977 e 1982, e posteriormente em formato CD em 1998, com novas versões em 2012 e 2014. A abordagem interpretativa de Elis Regina neste álbum, caracterizada pela intensidade emocional e virtuosismo técnico, influenciou gerações de vocalistas no Brasil e além, um legado reconhecido, inclusive, por sua filha Maria Rita.

Faixas

Créditos

Acoustic Guitar [Violão], Vocais

Renato Teixeira

Baixo [Rickenbacker]

Wilson Gomes

Bateria, Percussão

Dudu Portes

Flauta

Marcio Werneck Muniz

Flauta, Vocais

Sergio Mineiro

Guitar [Fender], Acoustic Guitar [Violão], Viola Caipira [Viola 12], Teclados

Crispin Del Cistia

Guitar [Gibson Les Paul], Acoustic Guitar [Violão], 12-String Acoustic Guitar, Vocais

Natan Marques

Piano, Electric Piano [Fender], Organ [Hammond], Synthesizer [RMI], Synthesizer [Syntorchestra], Arranjo, Produção, Supervisão de Gravação

César Camargo Mariano

Viola Caipira [Viola], Vocais

Carlão De Souza

Engenheiro de Som

Roberto Marques

Corte

Luigi Hoffer

Mixagem

César Camargo Mariano, Roberto Marques

Técnico [Assistente De Estúdio]

Reinaldo Cesar de Souza

Fotografia

Penna Prearo

Filmes

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Por Toda Minha Vida: Elis Regina

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2006

O especial contou a vida de Elis Regina Carvalho Costa, desde que ela era uma pequena gaúcha que adorava ouvir e cantar junto com o rádio até o fim de sua vida.

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Elis Regina: Falso Brilhante

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2007

Elis era completa, tinha os atributos que diferenciam os simples artistas das estrelas, categoria a qual pertencia. Ela conseguia encantar as pessoas nos discos, nos shows e no vídeo.

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Elis Regina - Doce de Pimenta

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2007

Ela confundia a todos. A primeira impressão logo se desvanecia e quem se aproximava se surpreendia. Não se sabe se o fazia por 'boniteza ou por precisão', como dizia Guimarães Rosa. Mas a verdade é que os estereótipos desmoronavam quando ela acolhia os seus eleitos. E as revelações se sucediam. Atrás daquela voz suavemente aguda e afinada se escondiam tons graves que poucos conseguiam atingir. Atrás da origem humilde, uma sensibilidade e uma inteligência incomuns. A técnica irrepreensível era outro disfarce: Elis era pura emoção. E cantar não era o objetivo final, ela queria mesmo era fazer as pessoas felizes. Mas foi Rita Lee quem desmoralizou o clichê recorrente, a Pimentinha era na verdade uma doce figura.

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Elis Regina: Na Batucada da Vida

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2007

Nesta Biografia, testemunharemos o difícil começo de carreira, em Porto Alegre que não foi diferente das histórias dos demais membros dessa confraria a qual Elis pertencia: a das pessoas determinadas a vencer. Ela tinha talento, sabia do seu valor e só precisava enfrentar o mundo com coragem e determinação. Foi o que fez. O resultado, todos já conhecem. Dentre as interpretações memoráveis de Elis, destaque para a canção de Ary Barroso que ela aprendeu com Tom Jobim e que dá nome ao Filme.

TMDB
Elis Regina: MPB Especial

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1973

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