Elis, Como & Porque
Elis Regina
1969

Porque Merece Estar na Lista
Elis é o décimo primeiro álbum de estúdio da cantora brasileira Elis Regina, lançado em 1973. Representa um ponto significativo em sua discografia, sendo o segundo disco a contar com os arranjos e a direção musical de César Camargo Mariano, consolidando uma parceria artística notável. Musicalmente, o álbum explora um caráter "fusion", com arranjos e execuções que transitam com dinamismo entre as influências do samba, bossa nova e tango. O repertório é enriquecido por composições de grandes nomes da música brasileira, como Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, que se destacam em suas interpretações. Apesar de ser um trabalho representativo, Elis inicialmente gerou discussões na época de seu lançamento, com a cantora recebendo críticas por um percebido "excesso de técnica" e "falta de emoção" em suas interpretações, um debate que, segundo relatos, acompanharia a artista em alguns momentos até seu álbum Falso Brilhante, em 1976.
Contexto
O lançamento de Elis, em 1973, ocorreu em um período no qual a cantora estava sob o escrutínio de críticas que questionavam a emoção em suas performances, apesar de sua inegável capacidade técnica. Esse contexto de avaliação crítica moldou parte da percepção inicial sobre o trabalho da artista. No cenário da época, o álbum também se insere em um momento de tensões políticas, e o repertório inclui críticas sutis ao regime militar brasileiro, perceptíveis em faixas como "Agnus Sei" (uma corruptela de Agnus Dei) e "Comadre". O disco ainda foi palco de uma notória controvérsia com a cantora Beth Carvalho, envolvendo a gravação da canção "Folhas Secas" de Nelson Cavaquinho, evidenciando as dinâmicas e disputas do mercado fonográfico daquele tempo.
Gravação
As gravações originais de Elis, realizadas em sistema analógico nos anos 1970, enfrentaram limitações técnicas inerentes à época. O álbum foi registrado em apenas oito canais, o que resultava em desafios como vazamentos e ruídos entre os instrumentos. Essas condições técnicas causavam, por exemplo, distorções no contrabaixo de Luizão e na própria voz de Elis Regina, aspectos que viriam a ser considerados nas tentativas de atualização sonora do álbum décadas mais tarde.
Músicas
O álbum conta com dez faixas, apresentando um notável equilíbrio entre compositores influentes. Quatro canções são assinadas por Gilberto Gil e outras quatro pela consagrada dupla João Bosco e Aldir Blanc, cujas obras ganham vida através da voz de Elis. "Ladeira da Preguiça" e "Meio de Campo" são exemplos de músicas do álbum que se tornaram sucessos na voz da cantora. O disco também se destaca por incluir críticas sutis ao regime militar brasileiro em suas letras, notavelmente nas faixas "Agnus Sei" e "Comadre". A interpretação de "É Com Esse Que Eu Vou", que originalmente era um samba-enredo de carnaval, é outro ponto de destaque no repertório do álbum. A faixa "Folhas Secas" possui uma história particular, tendo sido gravada por Elis após ela se encantar pela canção na voz de Beth Carvalho, gerando uma disputa entre as gravadoras e um episódio marcante na carreira de ambas as artistas.
Legado
A recepção crítica inicial de Elis foi complexa, marcada por discussões sobre a "técnica em excesso" da cantora em detrimento da emoção, uma pauta que permeou sua carreira por alguns anos após o lançamento. Contudo, críticos como Alvaro Neder, do AllMusic, posteriormente reconheceram e elogiaram o álbum, destacando a qualidade das composições de João Bosco, Aldir Blanc e Gilberto Gil, e a inovação dos arranjos "fusion" de César Camargo Mariano. Décadas após seu lançamento, o álbum demonstrou sua relevância contínua com o relançamento em versões remixada e remasterizada em 2026. Este projeto gerou um debate público significativo, com o pianista e arranjador original, César Camargo Mariano, expressando críticas sobre a nova mixagem. Entretanto, herdeiros de Elis Regina, como João Marcello Bôscoli e Pedro Mariano, defenderam a iniciativa, afirmando que o objetivo foi atualizar tecnicamente as gravações analógicas e que o processo ocorreu com respeito e consenso familiar.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Roberto Menescal
Erlon Chaves
Armando Pittigliani
Paulo Garcez
Lincoln
Elis Regina