A Bossa Negra

Elza Soares

1960

Capa de A Bossa Negra
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1960, A Bossa Negra é o segundo álbum de estúdio de Elza Soares e representa um marco fundamental em sua discografia, consolidando a artista como uma voz singular no cenário musical brasileiro. O disco é a expressão de uma fusão inovadora entre o samba e o jazz, um estilo que a Folha de S.Paulo retrospectivamente classificaria como "um dos instantes de invenção de samba-jazz e derivados". Neste trabalho, Elza Soares demonstrou a plenitude de sua capacidade vocal, combinando nuances "sensuais, delicadas e roucas" com um "canto furioso e rosnado digno de Louis Armstrong", sempre amparado pelo vigor dos metais de uma big band. A Bossa Negra não é apenas um álbum, mas um atestado da resiliência e da alma vibrante de Elza, que com sua interpretação carregada de emoção e técnica, injetou uma nova energia no que viria a ser conhecido como a "bossa negra", uma abordagem mais visceral e autêntica, vinda das favelas, em contraponto à bossa nova mais elitizada da época.

Contexto

Em 1960, Elza Soares já vinha de um crescente reconhecimento nacional. Tendo sido contratada pela gravadora Odeon, seu álbum anterior, "Se Acaso Você Chegasse", impulsionado pelo sucesso da faixa-título lançada como single no ano anterior, já a havia projetado ao estrelato. Nesse período efervescente da música brasileira, com a bossa nova em plena ascensão, Elza Soares emergiu como uma figura distinta. Nascida e criada na pobreza de uma favela carioca, sua trajetória de vida era marcada por adversidades, mas sua voz se tornou um símbolo de força e superação. A gravação de A Bossa Negra se deu em um contexto em que Elza trazia para a cena musical uma perspectiva autêntica e um "balanço" próprio, desafiando as convenções e adicionando uma camada de intensidade e vivência ao gênero, diferentemente dos contornos sociológicos homogêneos atribuídos aos bossanovistas da Zona Sul.

Gravação

O álbum A Bossa Negra foi produzido por Ismael Corrêa, profissional que já havia colaborado com Elza Soares em seu disco antecessor. A gravação ocorreu entre os dias 4 e 7 de outubro de 1960, refletindo um período de intensa produção para a cantora na gravadora Odeon. Os arranjos do disco foram assinados por Astor Silva, que contribuiu para a sonoridade característica de big band que acompanha os vocais de Elza, empregando o suporte de metais para criar um ambiente sonoro robusto e dinâmico.

Músicas

A seleção de faixas em A Bossa Negra apresenta uma rica tapeçaria sonora que mistura samba com elementos de jazz, evidenciando a versatilidade de Elza Soares. Entre as canções, destacam-se "Perdão" e "Beija-Me", que foram pontuadas pelo jornal The Guardian em seu obituário de 2022, como exemplares da combinação de vocais sensuais e roucos da cantora com o apoio orquestral de metais. Outras faixas como "Boato" e "Fala Baixinho" também se tornaram bem-sucedidas, ao lado de "Tenha Pena de Mim", "Marambaia" e "O Samba Está Com Tudo". A interpretação de Elza, com sua "voz rouca, hábil para transitar pelo jazz, pelo samba e, se quisesse, pelo blues", era um diferencial, marcada pela forma peculiar de articular sílabas e escolher as dinâmicas e entonações, criando um estilo inconfundível.

Legado

Lançado originalmente em 1960 pela Odeon em formato vinil, A Bossa Negra foi reeditado em 2003 pelo selo Dubas, marcando sua primeira aparição em CD com áudio remasterizado a partir das fitas originais. Esta edição de 2003 inclusive apresentou uma nova fotografia de capa, após Elza Soares ter vetado a imagem original. O relançamento foi recebido com aclamação crítica, com a Folha de S.Paulo o classificando como "um dos instantes de invenção de samba-jazz e derivados". O reconhecimento da importância do álbum transcendeu fronteiras, sendo notado internacionalmente. Em seu obituário em 2022, o jornal britânico The Guardian destacou o álbum, em particular as canções "Perdão" e "Beija-Me", elogiando a forma como Elza Soares "combinou vocais sensuais, delicados e roucos com o apoio de metais de big band". O álbum não só solidificou a carreira de Elza Soares, mas também a levou a representar o Brasil na Copa do Mundo de 1962 no Chile, onde teve a oportunidade de conhecer pessoalmente Louis Armstrong.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Astor Silva

Produção

Ismael Corrêa

Layout

Cesar G. Villela

Fotografia

Francisco Pereira

Referências

Livros