A Mulher do Fim do Mundo
Elza Soares
2015
Porque Merece Estar na Lista
A Mulher do Fim do Mundo representa um ponto de virada notável na discografia de Elza Soares, aclamado por críticos como um verdadeiro "renascimento" na carreira da já lendária cantora. Lançado em 2015, este trigésimo segundo álbum de estúdio consolidou uma nova fase para Elza, demonstrando uma vitalidade e ousadia artísticas sem precedentes. Sua recepção crítica, tanto nacional quanto internacional, o consolidou como um dos grandes álbuns do ano e da década, com publicações renomadas celebrando sua originalidade e a performance visceral da artista. O projeto se destaca por sua audaciosa fusão de gêneros, transitando entre o samba, o rock, o rap e a eletrônica, criando uma sonoridade que Celso Sim, um dos compositores, alcunhou de "punk-samba". As onze canções abordam temáticas contundentes e atuais, como violência doméstica, sofrimento urbano, transexualidade e negritude, revelando a crueza e a força que permeiam a vida e a obra de Elza Soares. É um trabalho que não apenas celebra a capacidade de superação da artista, mas também a posiciona como uma voz incisiva e relevante para os desafios contemporâneos.
Contexto
O álbum A Mulher do Fim do Mundo surgiu de uma mudança significativa de rumo em relação à ideia inicial. O produtor Guilherme Kastrup planejava um projeto de releitura de sambas clássicos interpretados por Elza Soares, com arranjos de um grupo de músicos mais ligados ao rock e influenciados por diversos gêneros urbanos como punk e reggae. No entanto, a visão evoluiu para um álbum de canções completamente inéditas, dedicadas à voz e à história de vida de Elza. O título homônimo, composto por Rômulo Fróes e Alice Coutinho, reflete essa conexão profunda com a trajetória da cantora, transformando o projeto em um espelho das experiências e da resiliência de Elza Soares, que se autodefiniu como uma fênix, sempre renascendo.
Gravação
A gestação de A Mulher do Fim do Mundo começou a ser notada publicamente em dezembro de 2014, quando o crítico Mauro Ferreira divulgou que Elza Soares planejava dois álbuns para o ano seguinte, um deles sob a batuta de Guilherme Kastrup. Kastrup reuniu uma notável constelação de artistas da "cena paulistana contemporânea", incluindo Cacá Machado, Celso Sim, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos e Romulo Fróes, para colaborar nas composições e arranjos inéditos. Com o patrocínio do Natura Musical, os ensaios para o álbum tiveram início na terceira semana de abril de 2015 no estúdio Toca, em São Paulo. As gravações principais foram realizadas entre abril e maio do mesmo ano no Red Bull Studios, na capital paulista, com Rodrigo "Funai" Costa e Marcelo Guerreiro na engenharia. Gravações adicionais ocorreram nos estúdios Toca do Tatu, em São Paulo, e Estúdio Ciatec, no Rio de Janeiro. A fase final de mixagem e masterização foi dividida entre Victor Rice, no Estúdio Copam em São Paulo, e Felipe Tichauer, no Red Traxx Mastering em Miami, Flórida, garantindo uma produção de alcance internacional.
Músicas
As onze faixas de A Mulher do Fim do Mundo são um mosaico temático e sonoro, abordando com franqueza temas complexos como sexo, morte, negritude e a dura realidade da violência doméstica. Compostas por um coletivo de novos artistas paulistas, as letras e melodias mergulham em uma estética que Celso Sim descreveu como "punk-samba", pela sua fusão instigante de samba com rock, rap e eletrônica. Entre as canções de destaque, "Maria da Vila Matilde", lançada como primeiro single, é um samba de breque com arranjos distorcidos que satiriza a violência contra a mulher no Brasil. "Luz Vermelha" oferece uma visão do "apocalipse recortado em cenas de periferia, tiroteiro, ruas esvaziadas", enquanto o poema "Coração do Mar", de Oswald de Andrade musicado por José Miguel Wisnik, é descrito como "um parto em cada sílaba". A faixa "Pra Fuder" foi elogiada por mostrar Elza cantando sobre seus próprios desejos, rompendo com convenções e apresentando um Brasil além do cartão-postal.
Legado
A Mulher do Fim do Mundo foi recebido com aclamação unânime pela crítica, tanto nacional quanto internacional, sendo celebrado como um marco na carreira de Elza Soares e na música brasileira contemporânea. Publicações de renome como O Globo, Folha de S. Paulo, The Guardian, Pitchfork, NPR e The New York Times teceram elogios efusivos ao trabalho, destacando sua originalidade, coragem e a performance visceral da artista. O álbum conquistou o Grammy Latino de 2016 na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, consolidando seu reconhecimento global. A revista Pitchfork, por exemplo, o elegeu "melhor novo álbum" e um dos melhores de 2016, afirmando que "Elza Soares fez o álbum de sua vida". O The New York Times o incluiu entre os dez melhores do ano, ao lado de nomes como Beyoncé e David Bowie, e o jornal britânico The Guardian o coroou como "álbum brasileiro do ano". Sua influência e impacto foram reafirmados em 2022, quando foi eleito um dos melhores discos da música brasileira dos últimos 40 anos em uma enquete do jornal O Globo com 25 especialistas. A repercussão comercial também foi expressiva, com mais de nove milhões de execuções no Spotify, e o álbum ainda levou Elza Soares a se apresentar pela primeira vez no prestigiado festival Rock in Rio.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Guilherme Kastrup
Ernst von Bonninghausen
Elaine Ramos
Alexandre Eça
