O Papa É Pop

Engenheiros Do Hawaii

1990

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Por Que Esse Disco é Importante

Lançado em setembro de 1990, O Papa É Pop representa um marco fundamental na carreira dos Engenheiros do Hawaii e na história do rock brasileiro da década. Este álbum não apenas consolidou a banda como uma das maiores de seu tempo, mas também sinalizou uma audaciosa guinada estética e sonora. Marcando o primeiro trabalho autoproduzido do grupo, o disco abraçou de forma inédita e radical a sonoridade eletrônica, incorporando sintetizadores, sequenciadores, drum machines e pedaleiras MIDI, desafiando a percepção da linha tênue entre arte e entretenimento no cenário musical da época.

Contexto

O lançamento de O Papa É Pop ocorreu em um período de intensa turbulência no Brasil, marcado pela forte crise econômica decorrente do confisco de valores do Plano Collor. Além disso, o cenário musical presenciava a emergência da nova música sertaneja, que rapidamente ganhava espaço e disputava a preferência da juventude e, consequentemente, as paradas de rádio. Nesse ambiente desafiador, o movimento de rock nacional dos anos 80 começava a mostrar sinais de esgotamento e declínio nas vendagens. Internamente, a banda já vinha experimentando timbres eletrônicos em faixas de seu álbum anterior, Alívio Imediato, impulsionada pelas reflexões de Humberto Gessinger sobre a oposição entre arte e entretenimento, buscando na sonoridade pop e seus instrumentos uma forma de questionar as fronteiras estabelecidas.

Gravação

As sessões de gravação de O Papa É Pop ocorreram em julho e agosto de 1990, nos estúdios da BMG no Rio de Janeiro, marcando o primeiro registro da banda na cidade onde seus membros residiam desde 1988. Este álbum foi pioneiro na trajetória dos Engenheiros do Hawaii por ser o primeiro de uma sequência de três discos autoproduzidos, conferindo à banda um controle criativo sem precedentes. Motivados pela busca por novos timbres, os músicos investiram significativamente em equipamentos: a banda adquiriu uma drum machine Dynacord, e Augusto Licks viajou a Nova York para adquirir uma nova guitarra Steinberger, uma drum machine Alesis HR-16, um pedal de chorus Dimension-C e uma pedaleira MIDI da Elka. O processo de gravação era meticuloso e fragmentado em três turnos, com Carlos Maltz gravando as baterias pela manhã, Augusto Licks as guitarras e teclados à noite, e Humberto Gessinger dedicando as tardes ao baixo e teclados, permitindo encontros para discussões e refinamentos. Esta abordagem também implicou na separação da gravação de baixo e bateria, já que esta última era predominantemente programada na drum machine.

Músicas

O álbum se destaca por uma riqueza de arranjos e composições, mesclando a pegada rock com inovações eletrônicas e referências culturais. A abertura com "O Exército de um Homem Só I", seguida por sua segunda parte, revela a profundidade lírica inspirada na obra de Moacyr Scliar e dedicada a Mathias Rust, com uma instrumentação elaborada que inclui citações à "Canção do Expedicionário". O grande sucesso comercial "Era um Garoto que como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones" é uma releitura marcante, onde Augusto Licks cria um solo inovador, uma colagem melódica de hinos nacionais e jingles, gravada com a técnica de dois canais para simular um duelo de guitarras. Faixas como "Nunca mais Poder" exploram temas filosóficos inspirados em Carlos Drummond de Andrade, com arranjos que piscam para o rock progressivo.

Legado

O Papa É Pop tornou-se o álbum de maior sucesso comercial dos Engenheiros do Hawaii, vendendo mais de 350 mil cópias no ano de seu lançamento e conquistando a certificação de platina. Tal feito foi notável, considerando o cenário de crise econômica e a ascensão da música sertaneja que dominava as paradas da época, bem como o declínio geral do rock nacional dos anos 80. O impacto do álbum elevou a banda de uma das maiores do rock nacional para a maior em seu ano de lançamento, resultando em diversos prêmios e um aumento significativo do interesse da mídia. A forte divulgação contou com quatro singles de sucesso, incluindo "O Exército de um Homem Só I", "O Papa É Pop", "Era um Garoto que como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones" e "Pra Ser Sincero", além de videoclipes que tiveram alta rotação na recém-criada MTV Brasil.

Faixas

Créditos

Produção

Engenheiros Do Hawaii

Composição

Augusto Licks, Humberto Gessinger

Gravação

Cezar Delano, Cássio Araújo, Dalton Rieffel, Flavio Senna, Franklin Garrido, Mário Jorge, Ricardo Essucy, Ronaldo Lima

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