Carlos, Erasmo

Erasmo Carlos

1971

Capa de Carlos, Erasmo
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Carlos, Erasmo, o sétimo álbum de estúdio de Erasmo Carlos, lançado em 1971, representa um ponto de virada crucial na trajetória do "Tremendão" e é amplamente reconhecido como um clássico incontornável do rock brasileiro. Este trabalho marcou a transição do artista para a gravadora Philips (hoje Universal Music), sinalizando uma busca por novos caminhos artísticos e uma evolução de sua persona musical para além da Jovem Guarda. O álbum se destaca por sua sonoridade rica e eclética, que amalgama elementos de rock, soul, funk, psicodelia e samba rock, criando uma tapeçaria musical inovadora para a época. Nele, Erasmo Carlos, um eterno estudante do rock'n'roll, influenciado por ícones como Elvis Presley e Little Richard, indulgiu seus instintos mais primais, resultando em um LP "suficientemente psicodélico e difuso". Esta obra é considerada um pilar dentro da cena do rock brasileiro e uma notável, embora tardia, entrada na tradição tropicalista.

#31

Compôs um disco inacreditavelmente sofisticado, profundo, moderno até para os padrões de hoje.

Marcus Preto · Rolling Stone Brasil

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Contexto

O álbum Carlos, Erasmo simbolizou uma significativa mudança na carreira de Erasmo Carlos, vindo logo após o auge de seu sucesso com a Jovem Guarda. Após deixar sua gravadora anterior, a RGE, o artista buscou na Philips novos horizontes para sua expressão musical, em um período de efervescência cultural no Brasil. Nos anos 70, Erasmo Carlos assinou com a Polydor, e seus shows se distanciaram do movimento Jovem Guarda. Influenciado pela contracultura hippie e pela soul music, ele lançou este disco. Esta fase marcou sua evolução de um ídolo adolescente para um sofisticado cantor e compositor dos anos setenta, abraçando a liberdade artística da contracultura global do final dos anos sessenta e início dos setenta.

Gravação

A gravação de Carlos, Erasmo contou com uma verdadeira "seleção de estrelas" do cenário musical brasileiro da época, muitos deles associados ao movimento Tropicália. O álbum foi coproduzido por Manoel Barenbein, conhecido produtor tropicalista, e incluiu arranjos de Rogério Duprat, figura emblemática da Tropicália. Erasmo Carlos também é creditado como coprodutor do álbum, ao lado de Nelson Motta em algumas faixas. Para as sessões de gravação, Erasmo foi acompanhado por talentos de peso, como Sergio Dias (guitarra), Dinho Leme (bateria) e Liminha (baixo), todos membros de Os Mutantes. Além deles, Alexander Gordin, o "Lanny", reconhecido mestre da guitarra psicodélica brasileira, também participou. Os registros foram feitos em estúdios como o CBD, Estúdios Prova e Estúdios RCA em São Paulo. A obra inclui, inclusive, uma nova composição de Caetano Veloso, "De Noite na Cama", que abre o disco e foi descrita como uma ode controversa à maconha, refletindo o espírito da época.

Músicas

As canções de Carlos, Erasmo revelam um Erasmo Carlos em plena experimentação e amadurecimento, abordando temas de comportamento e liberdade. Embora a maioria das faixas seja composta em parceria com Roberto Carlos, o álbum também apresenta colaborações significativas com outros grandes nomes da música brasileira. "De Noite na Cama", de Caetano Veloso, abre o disco com uma atmosfera introspectiva e poética. "É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo", uma parceria com Roberto Carlos, é outro destaque que, com sua letra e melodia marcantes, capta a essência da resistência daquele período. A faixa "Gente Aberta" também se sobressai, com sua mensagem de inclusão e celebração da diversidade. O álbum também explora canções com uma mistura de rock, soul, funk e pop, e até uma "ode à maconha" impulsionada por marimba.

Legado

Carlos, Erasmo solidificou seu lugar na história da música brasileira, sendo consistentemente reconhecido em importantes rankings. A revista Rolling Stone Brasil o classificou na 31ª posição em sua lista dos 100 maiores discos da música brasileira, sendo o único álbum de Erasmo Carlos a figurar nela. Em uma votação conduzida pelo podcast Discoteca Básica, com a participação de mais de 160 especialistas em música, o álbum alcançou a 19ª posição na lista dos 500 maiores discos da música brasileira, a melhor colocação para um trabalho de Erasmo na pesquisa. O impacto duradouro do álbum foi evidenciado recentemente quando a canção "É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo" foi incluída na trilha sonora do filme "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, em 2024. Sua inclusão no longa, o primeiro filme brasileiro a vencer um Oscar, impulsionou a popularidade da canção, levando-a às paradas de streaming no Brasil e demonstrando a relevância contínua da obra de Erasmo Carlos na cultura brasileira.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo, Regência

Arthur Verocai, Chiquinho de Moraes, Rogério Duprat

Coprodução

Erasmo Carlos, Manoel Barenbein, Nelson Motta

Produção

Lanny Gordin, Rogério Duprat

Supervisão de Gravação

Paulo De Tarso

Violão

Sergio Fayne

Agogô

Antonio Pecci Filho

Baixo

Antônio Guize, Sergio Sznelwar

Berimbau

Dirceu Medeiros

Cuíca

Oswaldo Barro

Bateria

Flávio De Barros, Ronaldo P. Leme

Guitarra

Alexander Gordin, Aristeu, Sergio Dias

Guitarra, Baixo

Arnolpho Lima Filho

Piano

Regis Moreira

Engenheiro de Som [Recording]

Ary Carvalhaes, João Kibelkstis, Marcus Vinicius, Mazzola

Corte [Runout etching JF]

Joaquim Figueira

Corte [Runout etching five point star ⛧]

Ivan Lisnik

Capa

Aldo Luiz

Fotografia [Back Cover]

Temudo

Fotografia [Cover]

João Castrioto

Podcasts

Referências

Livros