Cartão Postal

Evinha

1971

Capa de Cartão Postal
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Cartão Postal, lançado por Evinha em 1971, é um álbum que se destaca como uma verdadeira joia da MPB, celebrada por sua fusão inovadora de brasilidade com elementos de funk e soul. A voz doce e de afinação impecável da cantora, aliada a arranjos sofisticados e sedutores, entrega uma sonoridade impecável e irresistível que transita com naturalidade entre ritmos como boogie, bossa nova e samba. Este trabalho, o terceiro disco solo de Evinha, é considerado uma obra-prima por colecionadores e críticos, notável por sua pluralidade e identidade musical. Ele convida o ouvinte a mergulhar no cenário musical e cultural de transição entre os anos 60 e 70 no Brasil, refletindo influências da psicodelia, soul music e pop barroco que marcam a estética sonora e os arranjos do disco. O álbum não só consolida a versatilidade e o talento de Evinha como intérprete, mas também se mantém relevante por sua produção cuidadosa e a qualidade atemporal de suas canções, que continuam a encantar tanto o público quanto a crítica.

Contexto

Evinha, cujo nome de batismo é Eva Correia José Maria, iniciou sua trajetória musical ainda criança nos anos 60, como integrante do Trio Esperança, ao lado de seus irmãos Regina e Mário. O grupo ganhou notoriedade com a projeção no programa de televisão da Jovem Guarda, apresentado por Roberto Carlos. A família Correia é, inclusive, uma fonte de talentos musicais, de onde também surgiram os Golden Boys. Em 1968, Evinha deixou o Trio Esperança para seguir carreira solo. Em 1969, ela já era amplamente conhecida e conquistou o primeiro lugar nas etapas nacional e internacional do Festival Internacional da Canção com a música "Cantiga de Luciana", solidificando sua posição no cenário musical antes do lançamento de Cartão Postal em 1971, aos 20 anos.

Gravação

A produção de Cartão Postal foi cuidadosamente elaborada pela Odeon, com Milton Miranda creditado como produtor. Os arranjos e a regência ficaram a cargo de Geraldo Vespar (em faixas como "Que Bandeira" e "Esperar Pra Ver") e Orlando Silveira (nas demais faixas), com Lindolfo Gaya atuando como diretor musical. Z. J. Merky foi o engenheiro técnico, e Jorge G. e Nivaldo foram os técnicos de gravação. O álbum foi gravado em um período de intensa efervescência musical no Brasil, onde a MPB se consolidava como uma linguagem moderna. A textura do disco incorpora um espírito inovador na produção das faixas, com toques sofisticados que remetem a grandes obras de compositores italianos como Ennio Morricone, criando uma atmosfera "easy listening" agraciada pela voz de Evinha.

Músicas

O repertório de Cartão Postal é composto por canções de músicos renomados, como os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, e Guarabyra, entre outros compositores brasileiros de alto escalão. A variedade de compositores contribuiu para a diversidade de gêneros musicais presentes no álbum. Faixas como "Que Bandeira", "Feira Moderna" e "Esperar Pra Ver" exemplificam a fusão de ritmos como boogie, soul, bossa nova e samba, entregando identidade e pluralidade. A interpretação de Evinha em "Feira Moderna", por exemplo, apresenta um arranjo tão distinto da versão original de Beto Guedes que a transforma em uma nova canção, com um naipe de cordas e instrumentos de sopro que conduzem um andamento mais leve. A canção "Cartão Postal" é descrita como uma peça de rara beleza, de entonação triste e reflexiva. "Esperar Pra Ver" é um número funk-soul de ritmo médio com arranjos impressionantes e uma linha de baixo marcante, enquanto "Só Quero" exala sons de samba-soul. Mesmo abordando temas românticos, o disco também carrega ideais políticos em suas letras, refletindo a transição da década de 60 para a de 70.

Legado

Cartão Postal é um LP altamente cobiçado por colecionadores de MPB em todo o mundo, com exemplares que podem atingir valores significativos. O álbum tem sido reconhecido como um dos melhores e mais procurados álbuns de funk-soul brasileiro do início dos anos 70. Sua qualidade e singularidade foram reiteradas por reedições, incluindo versões remasterizadas a partir das fitas originais e prensadas em vinil de 180g. Mais recentemente, o álbum ganhou nova visibilidade e reconhecimento quando o rapper BK' utilizou samples de duas de suas músicas em seu trabalho, o que gerou colaborações e entrevistas conjuntas, reavivando a obra de Evinha para novas gerações. A faixa "Esperar pra Ver" foi inclusive mencionada por Questlove em uma live-stream, destacando a atemporalidade e a influência duradoura do álbum no cenário musical global.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Coprodução [Assistant]

Renato Corrêa

Regência, Orquestração

Geraldo Vespar, Orlando Silveira

Direção [Musical Director]

Lindolfo Gaya

Produção

Milton Miranda

Engenheiro de Som [Technical Director]

Z. J. Merky

Gravação

Jorge Teixeira, Nivaldo Duarte

Técnico

Reny R. Lippi

Layout

Joselito

Referências