Ave Noturna

Fagner

1975

Capa de Ave Noturna
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1975, Ave Noturna é o segundo álbum de estúdio do cantor, compositor e instrumentista cearense Raimundo Fagner, e representa um marco fundamental em sua discografia e na própria MPB. Com uma atmosfera densa e melancólica, o disco cimentou a identidade artística de Fagner, mesclando raízes nordestinas profundas com uma sonoridade contemporânea, que se tornaria sua assinatura. O álbum não apenas consolidou a presença de Fagner no cenário musical brasileiro, mas também apontou para a estética que seria burilada em seus trabalhos posteriores, especialmente nos anos 1970. Caracterizado por arranjos opulentos e uma poesia interiorizada, Ave Noturna demonstrou a capacidade do artista de transitar entre canções românticas e temas regionais com igual maestria, afirmando sua versatilidade e a profundidade de sua expressão.

Contexto

Antes de Ave Noturna, Fagner já havia se destacado no cenário musical brasileiro. Nascido em Fortaleza, o artista migrara para o Rio de Janeiro em 1971, onde sua canção "Mucuripe", coescrita com Belchior, ganhou projeção nacional na voz de Elis Regina em 1972, e também em sua própria gravação no "Disco de Bolso" do jornal O Pasquim. Essa visibilidade resultou em seu primeiro LP, Manera Fru Fru, Manera, lançado em 1973. Junto a outros nomes como Belchior, Ednardo e Fausto Nilo, Fagner integrava o "Pessoal do Ceará", um grupo de jovens artistas que emergiu no início dos anos 70, trazendo uma nova e importante vertente para a música popular brasileira. Ave Noturna chega como a continuação desse processo de afirmação e exploração artística.

Gravação

Ave Noturna foi gravado em novembro de 1974 e lançado em julho de 1975 pela gravadora Continental. A produção musical ficou a cargo de Carlos Alberto Sion. O álbum contou com arranjos de notáveis talentos como Chiquinho de Moraes, Paulo Moura, Paulo Machado, além do próprio Fagner e do Grupo Vimana. Músicos como Chico Batera na percussão e Neco (Daudeth Azevedo) no violão também participaram das gravações, contribuindo para a sonoridade rica e orquestral que marca o disco.

Músicas

O repertório de Ave Noturna é composto por dez faixas que refletem a diversidade e a profundidade lírica de Fagner. Entre as canções, destacam-se composições próprias e parcerias, como a faixa-título "Ave Noturna", uma colaboração com Cacá Diegues, que constrói uma atmosfera de solidão profunda ao usar imagens do sertão nordestino para expressar isolamento e resiliência. Outras canções notáveis incluem "Fracassos", uma balada melancólica do próprio Fagner, e "A Palo Seco", uma regravação da obra de Belchior de 1973, que se encaixou perfeitamente no tom árido e interiorizado do álbum. O disco também apresenta a faixa "Riacho do Navio", uma canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, que reforça a conexão de Fagner com a música regional nordestina. "Beco dos Baleiros", de Petrúcio Maia e Brandão, ganhou popularidade ao ser tema da novela "Ovelha Negra" (1975). Já "Fracassos" foi posteriormente revisitada como tema da novela "Amor de Mãe" (2019).

Legado

Embora tenha sido lançado em um período de grande efervescência na MPB, Ave Noturna conquistou seu espaço e recebeu ótimas críticas na época de seu lançamento. O álbum solidificou a posição de Fagner no cenário musical e delineou a estética que ele seguiria em trabalhos futuros, sendo considerado por muitos uma peça fundamental para compreender a sonoridade do artista nos anos 70. A repercussão das faixas na televisão, como "Beco dos Baleiros" sendo tema da novela "Ovelha Negra" (1975) e "Fracassos" na novela "Amor de Mãe" (2019), garantiu uma maior projeção e perpetuação de sua música. A relevância de Ave Noturna é tamanha que, anos mais tarde, em 1980, a gravadora Continental lançou a compilação *Juntos - Fagner e Belchior*, que incluía faixas deste que foi o único disco de Fagner lançado por esse selo.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística [Coordenação Geral]

Ramalho Neto

Diretor Musical [Direção Musical]

Carlos Alberto Sion, Raimundo Fagner

Produção [Produzido Por]

Carlos Alberto Sion

Participação Especial

Aizik Geller, Aloisio Milanez, Amelinha, Chico Batera, Chiquinho Do Acordeon, Chiquinho de Moraes, Copinha, Erasto Vasconcelos, Luiz Alves, Luiz Simas, Lulu Santos, Neco, Paulo Machado, Paulo Moura, Quarto Crescente, Robertinho Silva, Sebastião Neto, Sérgio Carvalho, Toninho Horta, Vimana, Wagner Tiso

Clarinete

Pedro Silveira Neto

Flauta

Celso Woltzenlogel, Jorge Ferreira Da Silva

Trompa

Antonio Cândido, Luiz Candido Da Costa

Oboé

Braz Limonge Filho

Saxofone

Jaime De Oliveira

Cordas

Adolpho Pissarenko, Bedrich Preuss, Eduardo, Enger, Gersi, Lidia, Marcello Pompeu Filho, Misenseon, Nathercia Teixeira, Octávio Miranda Ilha, Paschoal Perrota, Pinchas, Quarteto Do Peter, Qubala, Ricardo Wagner, Salvador, Santino Parpinelli, Vitorino, Wilson Teodoro

Trombone

Lamartine

Trompete

Darcy Da Cruz, Maurílio Santos

Engenheiro de Som, Mixagem [Técnicos, Mixagem]

Célio Martins, Luiz Paulo, Orlando Costa

Engenheiro de Som, Gravação [Técnicos, Gravação]

Norival Reis, Orlando Costa

Técnico [Assistente De Estúdio]

Ian Guest

Capa [Capa]

Bina Fonyat, Carlos Vergara

Referências

Livros