Cantar
Gal Costa
1974

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Lançado em 1974, Cantar é o quinto álbum solo de Gal Costa e representa um ponto de inflexão notável em sua discografia. Distanciando-se da efervescência tropicalista e dos trabalhos mais experimentais e "explosivos" que a haviam consagrado nos anos anteriores, como Fa-Tal - Gal a Todo Vapor e Índia, este disco marcou um retorno da cantora a uma sonoridade mais intimista, suave e joão-gilbertiana. A obra se destaca por sua elegância e refinamento, apresentando arranjos delicados e sofisticados que sublinham a maestria vocal de Gal. É um trabalho que prioriza a "música que para a atitude", reafirmando a vertente bossa-novista de Gal Costa, apresentada ao público em seu álbum de estreia com Caetano Veloso, Domingo. Cantar é hoje considerado um dos trabalhos mais intrincados e elaborados de sua carreira, mesclando elementos de MPB, tropicalismo e folk psicodélico de uma maneira singular.
Canção que Morre no Ar" é a única com acompanhamento orquestral e é onde a voz de Gal brilha.
Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil
Contexto
Antes de Cantar, Gal Costa havia se estabelecido como uma das vozes mais vanguardistas e provocadoras da Música Popular Brasileira. Desde sua participação no Tropicalismo, ela vinha de uma série de discos e shows de grande impacto, que a consolidaram como um ícone para o público jovem e moderno, ávido por atitude e experimentação. Trabalhos como Fa-Tal - Gal a Todo Vapor (1971) e Índia (1973) eram conhecidos por sua energia crua e ousadia artística. Cantar surge, portanto, como uma surpresa para muitos de seus fãs, indicando uma transição da fase mais radical para uma sonoridade mais introspectiva e melodicamente rica. Este álbum refletiu uma busca por novos caminhos expressivos, priorizando a delicadeza e a profundidade musical em detrimento da explosão performática.
Gravação
O álbum Cantar foi produzido por Caetano Veloso, uma parceria que já havia rendido frutos notáveis na carreira de Gal, e por Perinho Albuquerque. A produção do disco foi descrita como "imaculada e cristalina", demonstrando um cuidado meticuloso com a sonoridade e os arranjos. Na equipe técnica, João Moreira e Paulinho Chocolate atuaram como engenheiros de som, com Joaquim Figueira responsável pela mixagem. A fotografia da capa ficou a cargo de Tereza Eugênia e o design, assinado por Rogério Duarte, completava a estética visual do projeto. O álbum contou com participações especiais de músicos renomados, como Gilberto Gil, que tocou guitarra na faixa de abertura "Barato Total", e João Donato, que contribuiu com o piano em "A Rã" e "Chululu".
Músicas
Cantar apresenta um repertório que, apesar da nova direção sonora, ainda trazia canções de compositores associados à fase anterior de Gal, como Jorge Mautner e Péricles Cavalcanti. A lista de faixas revela uma constelação de talentos da MPB, incluindo composições de Gilberto Gil ("Barato Total"), Caetano Veloso ("Lua, Lua, Lua, Lua", "Flor do Cerrado", "Joia"), e João Donato ("A Rã", "Flor de Maracujá", "Até Quem Sabe"). Algumas faixas se destacam pela sua particularidade, como a experimental "Lua, Lua, Lua, Lua" e a "raga" "Joia", ambas de Caetano Veloso, que trazem letras curtas e remetem ao disco-manifesto tropicalista Panis et Circensis. "Canção Que Morre no Ar", de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, exibe um arranjo orquestral, enquanto "Até Quem Sabe", de João Donato e Lysias Ênio, é apresentada em um arranjo íntimo para piano solo e voz, com um desfecho de um minuto considerado um dos momentos mais belos e assombrosos de Gal. "Lágrimas Negras", de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, mergulha em um jazz de guitarra "lunático". "Flor do Cerrado" é descrita como um breve tratado sobre a vida, a morte e a beleza que pode existir por trás delas.
Legado
Na época de seu lançamento em 1974, Cantar não obteve o sucesso comercial esperado, e o público da cantora, acostumado com sua faceta mais transgressora, não o "emplacou", assim como o show que o acompanhava. Contrariando a recepção inicial do público, o álbum foi amplamente aclamado pela crítica especializada, que soube reconhecer a mudança de direção artística de Gal. Com o passar do tempo, Cantar consolidou seu status de obra importante, sendo eleito pela edição brasileira da revista Rolling Stone como o 91º melhor disco brasileiro de todos os tempos. Atualmente, é visto como um trabalho que define a diversidade da carreira de Gal Costa, um dos mais refinados e intrincados de sua trajetória.
Faixas
Créditos
Caetano Veloso, Perinho Albuquerque
Gal Costa
João Moreira, Paulinho Chocolate
Joaquim Figueira
Rogério Duarte
Thereza Eugenia
Podcasts
PodCália · Gigola
Nesse segundo episódio especial, Daniel e Gigola conversam sobre o 5° álbum de Gal Costa, “Cantar”, de 1974.
Brazuca Sounds on Patreon · Leandro Vignoli
In this episode, we celebrate the 50-year release of "Cantar" by Gal Costa. Unlike her two previous works, the live album Fa-Tal, and the masterpiece album "India", this is a more soft, calm, kind of reaffirmation of Gal Costa's and her early bossa nova style - before Tropicalia sex-symbol. Produced by Caetano Veloso and several tracks arranged by João Donato, it was a massive commercial failure i
Filmes

Gal - do Tropicalismo aos Dias de Hoje
2006

Gal Costa: Programa Ensaio
2005
Neste DVD, gravado em 1994, a cantora baiana, diva da MPB, concede uma longa entrevista, onde fala sobre sua carreira, sobre o movimento do tropicalismo, seus parceiros e compositores musicais durante mais de 35 anos de estrada. Gal interpreta grandes sucessos, acompanhada por Luiz Brazil (violão), Jacques Morelenbaum (cello) e Marçal (percussão).
Livros
Análises
Cantar – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Cantar – Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira
Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil
Canção que Morre no Ar" é a única com acompanhamento orquestral e é onde a voz de Gal brilha.
Gal Costa - Cantar (1974) - PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS
pequenosclassicosperdidos.com.br
Para que este risco tomasse fôlego e para que a retomada das propostas veiculadas pelo Tropicalismo se concretizassem em um projeto musical, Caetano Veloso decidiu dirigir o show e o disco que Gal Costa lançaria no ano de 1974.
MUSICA&SOM: Gal Costa - "Cantar" (1974)
tabernanovostempos.blogspot.com
Como todo grande disco, "Cantar" larga com uma de encher os olhos. O que virá a seguir superará ou se equiparará? Pois o lirismo da cantora estava realmente germinado.
Gal Costa - Cantar (1974)
brunofernandes2397.wixsite.com
Em 1974, Gal Costa ainda não havia sequer completado uma década de carreira, entretanto, é impressionante analisar a quantidade significativa de hits que havia acumulado e o impacto cultural que a mesma já havia gerado.
