Mina D'água do Meu Canto

Gal Costa

1995

Capa de Mina D'água do Meu Canto
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em abril de 1995, Mina D'água do Meu Canto é o vigésimo quinto álbum de Gal Costa e se destaca como um marco em sua discografia pela exclusividade de seu repertório. Todas as dezessete faixas que compõem a obra são assinadas por dois dos maiores poetas e compositores da música brasileira: Caetano Veloso e Chico Buarque. Essa curadoria apurada confere ao disco uma unidade lírica e melódica ímpar, elevando-o a uma celebração da arte desses mestres através da voz inconfundível de Gal. O álbum representa um momento de busca por um "frescor do canto", onde Gal Costa revisitou clássicos e explorou a pureza de sua interpretação, buscando a essência da "Maria da Graça" dos seus primeiros anos, admiradora confessa de João Gilberto. Longe das experimentações de trabalhos anteriores, como "O Sorriso do Gato de Alice" (1993), Gal optou por um mergulho em canções consagradas, reafirmando seu status como uma das maiores intérpretes da Música Popular Brasileira e consolidando sua posição como uma "diva da MPB" com a "segurança das grandes vozes".

Contexto

O lançamento de Mina D'água do Meu Canto em 1995 ocorre em um período de transição na carreira de Gal Costa. Após a ousadia e a recepção mista de seu álbum anterior, "O Sorriso do Gato de Alice", que se caracterizou por uma abordagem mais vanguardista e experimental, Gal direcionou este novo trabalho para um repertório de maior apelo popular e reconhecimento. Embora a década de 1990 tenha apresentado desafios no mercado fonográfico para alguns artistas consagrados, Gal Costa utilizou este álbum para revisitar e reinterpretar o universo musical de Caetano Veloso e Chico Buarque, o que se mostrou um movimento estratégico. O show homônimo ao disco, que estreou simultaneamente ao CD, também funcionou como uma homenagem indireta ao recém-falecido Tom Jobim, inserindo o projeto em um contexto de reverência aos grandes nomes da MPB.

Gravação

O processo de gravação de Mina D'água do Meu Canto ocorreu entre dezembro de 1994 e fevereiro de 1995, com algumas fontes indicando o início em novembro de 1994 e término em janeiro de 1995. A produção do álbum ficou a cargo do renomado violoncelista e maestro Jaques Morelenbaum, que também foi responsável pelos arranjos musicais. Os arranjos de Morelenbaum são descritos como camerísticos, com uma tendência orquestral, contribuindo significativamente para a sonoridade elegante e refinada do álbum. As sessões de gravação foram realizadas em diversos estúdios, incluindo Cia. Dos Técnicos Studios, Estúdios Da Som Livre e Estúdio Discover. Um detalhe curioso e notável do álbum é a participação do dramaturgo Gerald Thomas na faixa "Língua". Sua contribuição consiste em um discurso filosófico em alemão, que foi gravado via satélite diretamente de Nova York, adicionando um elemento experimental e cosmopolita à canção.

Músicas

O álbum Mina D'água do Meu Canto apresenta dezessete canções, totalizando uma duração de cerca de 65 minutos, todas compostas por Caetano Veloso e Chico Buarque. O repertório é um mergulho profundo na obra desses dois gigantes da MPB, com Gal Costa imprimindo sua interpretação particular em cada melodia e letra. Entre as faixas mais conhecidas, destacam-se clássicos como "Odara", "Atrás da Porta" (parceria de Chico Buarque com Francis Hime), "Cajuína", "O Ciúme", "A Rita", "Quem Te Viu, Quem Te Vê" e "Língua", todas de Caetano ou Chico. A canção "Futuros Amantes", composta por Chico Buarque, ganhou grande visibilidade ao ser incluída na trilha sonora da popular novela "História de Amor" da Rede Globo. Outra faixa emblemática é "Como um Samba de Adeus", uma parceria de Caetano Veloso na melodia e Chico Buarque na letra, que funciona como uma homenagem a Tom Jobim. Gal Costa demonstra sua versatilidade ao revisitar obras como "Atrás da Porta", que já havia recebido interpretações icônicas de outras grandes cantoras, buscando oferecer sua própria leitura para a canção. A faixa "Língua", de Caetano Veloso, representou um "desafio inusitado" para Gal devido à sua estrutura menos melódica e mais falada, especialmente com a participação de Gerald Thomas.

Legado

Mina D'água do Meu Canto alcançou um sucesso comercial expressivo, vendendo mais de 150 mil cópias no Brasil. Além do desempenho de vendas, o álbum teve um papel crucial em solidificar a imagem de Gal Costa como uma diva atemporal da Música Popular Brasileira, celebrada por sua segurança vocal e sua capacidade interpretativa. O sucesso do álbum se estendeu para os palcos, com a turnê homônima obtendo grande êxito. O espetáculo "Mina D'água do Meu Canto" chegou a Nova York, onde os ingressos para a apresentação no Carnegie Hall esgotaram-se com uma semana de antecedência, evidenciando o prestígio internacional de Gal Costa e da música brasileira. Embora algumas análises da época tenham apontado para uma certa "acomodação" criativa em comparação com fases mais experimentais de sua carreira, o álbum foi amplamente elogiado por sua beleza e correção musical, consolidando Gal como uma intérprete de voz serena e poderosa.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção, Diretor Musical, Arranjo, Regência, Mixagem

Jaques Morelenbaum

Vocais de Apoio

Luiz Brasil, Ronaldo Barcellos, Ronaldo Correa, Zepa

7-string Acoustic Guitar

Raphael Rabello

Violão

Luiz Brasil

Afoxé

Sidinho Moreira

Agogô

Armando Marçal, Sidinho Moreira

Saxofone Alto

Eduardo Morelenbaum

Atabal

Armando Marçal

Bandolin

Luiz Brasil

Berimbau, Caxixi, Agogô, Shekere

Luiz Brasil

Bongôs

Sidinho Moreira

Violoncelo

Alceu De Almeida Reis, Iura Ranevsky, Jaques Morelenbaum, Marcio Mallard

Choir

Antonio De Bonis, Gal Costa, Paula Morelenbaum

Clarinete

Eduardo Morelenbaum, Lúcia Morelenbaum, Paulo Sérgio Santos

Clarion

Eduardo Morelenbaum

Congas

Armando Marçal, Sidinho Moreira

Contrabaixo

Denner Campolina, Pedro Ivo, Zeca Assumpção

Cuíca

Armando Marçal

Djembe

Sidinho Moreira

Drum

Sidinho Moreira

Bateria

Jurim Moreira

Baixo Elétrico

Pedro Ivo

English Horn

Luis Carlos Justi

Flauta

Andréa Ernest Dias, David Ganc, Marcelo Martins

Fretless Bass

Pedro Ivo

Ganzá

Sidinho Moreira

Ganzá, Claves

Armando Marçal

Guiro

Sidinho Moreira

Guitarra

Luiz Brasil

Trompa

Phillip Doyle

Teclados

Paulo Calasans

Pandeiro

Sidinho Moreira

Percussion [Barriga D'água, Carrilhão], Bells

Sidinho Moreira

Percussão [Ábaco]

Armando Marçal

Piano

Paulo Calasans

Rattle

Armando Marçal

Repinique

Armando Marçal

Shekere

Armando Marçal, Sidinho Moreira

Surdo

Armando Marçal, Marcelo Costa, Sidinho Moreira

Tamborim

Sidinho Moreira

Tamborim, Pandeiro

Armando Marçal

Tan-Tan

Armando Marçal

Saxofone Tenor

Marcelo Martins

Triângulo, Caxixi, Cymbal

Marcelo Costa

Trombone

Paulo Williams

Trompete

Bidinho, Marcio Montarroyos

Viola

Eduardo Pereira, Jesuina Passaroto, Marie-Christine Springuel

Violino

Alfredo Vidal, Carlos Eduardo Hack, José Alves, Paschoal Perrota, Ricardo Amado, Walter Hack

Violino [Spalla]

GianCarlo Pareschi, Michel Bessler

Edição

João Damaceno

Mixagem

Luis Paulo Serafim

Gravação

Edu De Oliveira, Fábio Henriques, Guilherme Reis, Luiz Rodrigues, Marcio Gama, Ronaldo Lima

Direção de Arte

Sérgio De Carvalho

Design Gráfico

Marcos Martins

Fotografia, Design Gráfico

Ana Lontra Jobim

Referências