Expresso 2222

Gilberto Gil

1972

Capa de Expresso 2222
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Porque Merece Estar na Lista

Expresso 2222 é um marco fundamental na discografia de Gilberto Gil e na música brasileira, representando um retorno triunfal do artista ao Brasil após seu exílio em Londres. Lançado em julho de 1972, o álbum sintetiza de forma magistral as influências que Gil absorveu na Europa, como o rock inglês, o jazz e a psicodelia, com as ricas tradições musicais nordestinas, como o baião e o forró, além do samba. O trabalho se destaca por seu hibridismo musical, que alia nostalgia ao futuro, e tradição à modernidade, tudo permeado pelo canto alegre e espontâneo de Gil. A sonoridade do disco é orgânica, impulsionada por um violão rítmico e sincopado, linhas de baixo pulsantes e um piano marcante, criando uma tapeçaria sonora que soou universal ao mesmo tempo em que rodeava o quintal do artista com uma visão moderna.

#26

A usina sonora moderna do artista funde elementos de brasilidade, do popular e arcaico à modernidade.

Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil

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Contexto

O álbum Expresso 2222 emerge de um período de grande significado na vida de Gilberto Gil: seu retorno ao Brasil em janeiro de 1972, após um exílio forçado de três anos em Londres. Em dezembro de 1968, Gil e Caetano Veloso, líderes do movimento tropicalista, foram presos pela ditadura militar brasileira sob acusações de subversão. Em meados de 1969, ambos partiram para o exílio, onde Gil teve contato com a efervescente cena musical britânica, explorando o rock, o jazz e a vanguarda musical da época. O nome do álbum é uma homenagem a um trem que Gil pegava para ir de sua cidade natal a Salvador. Os dois primeiros versos da faixa-título foram inclusive escritos em Londres, encapsulando o sentimento de viagem, liberdade e transformação que marcou esse período e seu retorno à pátria. Este contexto de exílio e reencontro com o Brasil confere ao álbum uma camada profunda de ressonância pessoal e política.

Gravação

Expresso 2222 foi gravado em abril de 1972 no estúdio Eldorado, em São Paulo, utilizando uma mesa de 16 canais, que era uma tecnologia moderníssima e uma novidade em gravação fonográfica no Brasil na época. A produção executiva ficou a cargo de Roberto Menescal, então diretor artístico da Philips, creditado como coordenador de produção, com Guilherme Araújo na direção de produção e o próprio Gilberto Gil na direção musical. A banda de apoio, embora descrita como "econômica" ou "básica", contou com músicos essenciais: Gilberto Gil (violão, guitarra, voz e percussão), Lanny Gordin (guitarra, com destaque para o baixo em "O Canto da Ema" e "Chiclete com Banana", por sugestão dos produtores que buscavam sua intimidade com ritmos brasileiros), Bruce Henry (baixo), Tuti Moreno (bateria e percussão), e Antônio Perna (piano e celesta). Os técnicos de áudio foram Christopher Barton e Marcus Vinicius (Vinicão).

Músicas

O álbum Expresso 2222 é composto por nove faixas, que refletem a confluência de influências absorvidas por Gilberto Gil em seu período de exílio e seu reencontro com as raízes brasileiras. A faixa-título, "Expresso 2222", é um dos hinos mais significativos do artista, transmitindo uma mensagem de esperança e crença no futuro, sendo uma canção sem idade. Outras canções de destaque incluem "Back in Bahia", uma composição de Gil que reflete o sentimento de retorno, e as releituras de clássicos como "O Canto da Ema" (de João do Vale, Aires Viana e Alventino Cavalcanti) e "Chiclete com Banana" (de Almira Castilho e Gordurinha), onde Gil demonstra sua habilidade em redesenhar o samba e o forró com o uso da guitarra e seu violão rítmico. A participação de Gal Costa na vibrante "Sai do Sereno" (de Onildo Almeida) adiciona outra camada de riqueza sonora, enquanto a canção "Ele e Eu" (escrita em Londres) traça comparações introspectivas entre Gil e Caetano Veloso, abordando suas personalidades contrastantes.

A banda de Pífanos Zabumba de Caruaru (PE), da família Biano, abre o cortejo em dois minutos instrumentais de sua Pipoca moderna (que seria letrada por Caetano Veloso). É a locomotiva do Expresso 2222 (de bela capa-objeto de Edinízio Ribeiro), “que parte direto/ (...) pra depois do ano 2000”.

Tárik de Souza · 300 Discos Importantes

Legado

Expresso 2222 solidificou-se como um dos álbuns mais cultuados da discografia de Gilberto Gil e um clássico da MPB. Em outubro de 2007, a revista Rolling Stone Brasil reconheceu sua importância, listando-o na 26ª posição entre os 100 maiores discos da música brasileira. A faixa-título, "Expresso 2222", transcendeu o álbum, tornando-se uma das canções mais populares e duradouras de Gil. Sua repercussão foi tamanha que inspirou o nome do famoso trio elétrico coordenado por Gilberto Gil no Carnaval da Bahia desde 1998, que anualmente reúne arte, cultura e celebração. O álbum, que festejou o retorno de Gil do exílio, continua a ser uma fonte de combustível musical, alcançando novas gerações e afirmando a capacidade do artista de convergir tradições e influências modernas em um trabalho atemporal.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Diretor Musical

Gilberto Gil

Produção

Guilherme Araujo

Participação

Gal Costa

Baixo

Bruce Henry

Bateria

Tutty Moreno

Guitarra

Lanny Gordin

Piano

Antonio Perna

Gerente de Produção

Roberto Menescal

Técnico

Christopher Barton, Marcus Vinicius

Capa

Edinizio Ribeiro

Artes Gráficas

Aldo Luiz

Fotografia

Edson Dos Santos, Eduardo Clark, Silvia Tinoco

Podcasts

Referências

Livros