Realce

Gilberto Gil

1979

Capa de Realce
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Realce, lançado em 1979, emerge como um trabalho seminal na discografia de Gilberto Gil, marcando um período de significativa experimentação musical e temática. O álbum abraça influências da disco music, conferindo-lhe uma sonoridade vibrante e contemporânea que dialogava com o cenário musical internacional da época. A faixa-título, por exemplo, é uma possível ode à beleza e à efervescência urbana, com Gil explorando a ideia do "salário mínimo da cintilância" dos anônimos nas grandes cidades. Essa perspectiva revela uma profundidade na aparente superficialidade da vida cotidiana, abordando a "macdonaldização" com uma visão crítica, mas também reconhecendo sua intrínseca essência. Musicalmente, o disco se destaca também pela fusão inventiva de ritmos, como na canção "Sarará miolo", que entrelaça o reggae com elementos do baião.

Contexto

Em um período em que os estúdios brasileiros ainda apresentavam limitações técnicas em comparação com os estrangeiros, Gilberto Gil recebeu um convite crucial do produtor Marco Mazzola. Aproveitando uma turnê que o cantor faria pelos Estados Unidos, a oportunidade de gravar em Los Angeles surgiu como uma solução para alcançar uma produção de alta qualidade. Mazzola, um produtor visionário, já buscava aprimoramento técnico na cidade estadunidense, o que facilitou a iniciativa. Para a gravação, a banda de Gil foi enriquecida pela colaboração de músicos locais de renome, que emprestaram seu talento e experiência ao projeto. Dentre eles, destacam-se Steve Lukather na guitarra, Rick Schlosser na bateria, Michael Boddicker nos teclados e Jerry Hey nos arranjos de metais, nomes associados a artistas de projeção internacional, como Toto, Van Morrison, Bee Gees e Michael Jackson.

Gravação

A gravação de Realce ocorreu em Los Angeles, uma escolha estratégica impulsionada pelo produtor Marco Mazzola, que buscava elevar a qualidade técnica da produção brasileira. O álbum foi registrado no renomado estúdio Westlake Audio, sob a engenharia de gravação de Humberto Gatica, com o auxílio de Eric. Humberto Gatica também esteve à frente da engenharia de mixagem, realizada no Sunset Sound Studio, com a assistência de Rafaello Mazza. O corte final ficou a cargo de Jo Hansch na Kendun Records. A visão de Mazzola de conferir ao álbum uma "pegada mais internacional" refletiu-se na colaboração de músicos estrangeiros em diversas faixas. Na canção-título "Realce", por exemplo, participaram apenas instrumentistas internacionais, incluindo a guitarra de Steve Lukather e os teclados de Jerry Hey. Essa decisão consciente visava garantir uma sonoridade globalizada para o disco.

Músicas

As canções de Realce revelam a versatilidade e a profundidade poética de Gilberto Gil. A faixa-título, "Realce", é um exemplo marcante, com sua inspiração na disco music e uma letra que o próprio Gil descreveu como uma reflexão sobre o "salário mínimo da cintilância a que têm direito todos os anônimos", explorando a coexistência da superficialidade e da profundidade na vida urbana contemporânea. A canção contou com a contribuição da guitarra de Steve Lukather e dos teclados de Jerry Hey, e Gil a interpretou futuramente ao lado do percussionista Ralph Johnson, do Earth, Wind and Fire. Outros destaques incluem "Superhomem - a canção", composta por Gil após o relato de Caetano Veloso sobre o filme de 1978, e a adaptação do clássico do reggae "No Woman, No Cry" de Vincent Ford, transformada em "Não chore mais". Gil optou pela tradução livre por não compreender plenamente o sentido do refrão original, demonstrando sua liberdade criativa. O álbum também inova na faixa "Sarará miolo", onde Gil promove uma rica fusão do reggae com o baião, evidenciando sua busca por novas sonoridades e diálogos rítmicos.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção, Palmas

Mazzola

Letra [Version in Portuguese]

Gilberto Gil

Composição

Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Vincent Ford

Violão, Classical Guitar, Palmas

Gilberto Gil

Baixo

Bob Glaub, Rubão Sabino

Baixo, Percussão

Liminha

Bateria

Luiz Carlos Batera, Rick Shlosser

Guitarra

Perinho Santana, Steve Lukather

Piano Elétrico [Fender Rhodes]

Mark Jordan, Tuca Camargo

Electric Piano [Fender Rhodes], Piano

Lincoln Olivetti

Palmas

Bill Champlin

Guitarra Solo

Sergio Dias, Steve Lukather

Pandeiro

Gilberto Gil

Percussão

Ariovaldo Contesini, Djalma Correa

Saxofone

John D'Andrea

Saxofone, Flauta

Kim Hutchcroft, Larry Williams

Synth [Bass]

Michael Boddicker

Synth, Synth [Moog]

Michael Boddicker

Trombone

Bill Reichenbach, Charlie Coper

Trompete

Gary Grant, Jerry Hey, Larry Hall

Corte [Corte]

Jo Hansch

Gravação, Mixagem

Humberto Gatica

Capa, Coordenação [Coordenação De Capa]

Claudio Carvalho

Capa, Design [Design Capa]

Noguchi

Texto do Encarte

Gilberto Gil

Fotografia [Fotos Estúdio]

Daniela Rodrigues

Fotografia [Fotos Gil]

Norman Seeff

Referências

Livros