Refazenda

Gilberto Gil

1975

Capa de Refazenda
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Refazenda, álbum de 1975 de Gilberto Gil, marcou um momento de notável guinada artística em sua carreira, surpreendendo público e crítica com uma sonoridade deliberadamente mais simples. Inspirado no baião e nos ritmos nordestinos, o trabalho revisitou a tradição musical brasileira de uma forma inovadora, mas de uma profundidade sutil, que a crítica Ana Maria Bahiana descreveu como uma "falsa simplicidade". O álbum é um mergulho em um "despojamento voluntário", transformando elementos clássicos com uma visão contemporânea. O disco é concebido em torno do neologismo do título, que evoca um convite à reflexão sobre o meio ambiente e a defesa de uma conexão mais profunda com a natureza, em sintonia com o movimento hippie. José Miguel Wisnik, por sua vez, destacou um "jogo sutil de imprevistos" presente nos arranjos, revelando a complexidade por trás da aparente leveza musical e temática.

#43

Em Refazenda, vemos nascer esse novo Gil: eloqüência, lirismo, um violão preciso e uma voz impressionante.

Alexandre Matias · Rolling Stone Brasil

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Contexto

O lançamento de Refazenda se deu após um período de intenso experimentalismo na trajetória de Gilberto Gil, que havia marcado a época do Tropicalismo e se estendido pela primeira metade da década de 1970. Neste contexto, o álbum representou um novo caminho, afastando-se das sonoridades mais complexas e abraçando uma abordagem mais direta e orgânica.

Gravação

O álbum Refazenda foi produzido pela Warner Music, com direção de produção a cargo de Mazzola. A coordenação musical e os arranjos de orquestra foram desenvolvidos por Perinho Albuquerque, enquanto os arranjos de base contaram com a assinatura do próprio Gilberto Gil. A equipe técnica de gravação incluiu Luigi, João Moreira e Luiz Cláudio, assistidos por Paulo Sérgio e José Guilherme. A mixagem foi responsabilidade de Mazola. A identidade visual do álbum foi cuidadosamente elaborada, com fotos de João Castrioto, capa de Aldo Luiz e a marca Refazenda criada por Rogério Duarte.

Músicas

Refazenda, a canção-título, explora o neologismo para abordar temas relacionados ao meio ambiente e a uma aproximação com a natureza, sob a influência do movimento hippie. Antônio Risério interpreta o abacateiro, com o qual o autor dialoga na letra, como uma representação da Árvore da Vida. Outro destaque é "Pai e Mãe", a única composição no estilo chorinho do álbum. Esta faixa exemplifica o contraste entre uma forma musical tradicional, com acompanhamento de um regional, e uma letra que desafia valores conservadores, onde o autor fala abertamente sobre "beijar outros homens".

Legado

O êxito de Refazenda foi tão significativo que impulsionou o compositor a expandir seu conceito na chamada "Trilogia Re". Esta sequência foi completada pelos álbuns Refavela, lançado em 1977, e Realce, de 1979, intercalados pelo disco ao vivo Refestança, de 1977, gravado em parceria com Rita Lee. Além do sucesso comercial, o álbum recebeu notável reconhecimento da crítica especializada, sendo apontado por Ana Maria Bahiana como um trabalho de "falsa simplicidade" e por José Miguel Wisnik como um tecido de "jogo sutil de imprevistos". A repercussão do álbum também se manifestou em gravações posteriores, como a de "Meditação" por Zizi Possi em seu álbum Valsa Brasileira, de 1993.

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