Grupo D'Alma

Grupo D'Alma

1981

Capa de Grupo D'Alma
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1981, o álbum Grupo D'Alma, do trio de violonistas homônimo, representa um marco fundamental na música instrumental brasileira, consolidando uma proposta estética que o distingue no cenário da época. Este trabalho é aprofundadamente centrado no diálogo virtuoso entre os violões, explorando sonoridades que mesclam a sofisticação do jazz, a riqueza da música erudita e a vitalidade dos ritmos brasileiros, tudo isso com uma acessibilidade quase pop que cativou um público amplo e diversificado. O disco se destaca pela originalidade de suas composições e arranjos, que demonstram uma complexidade subjacente a uma aparente simplicidade, característica que se tornou a assinatura do Grupo D'Alma. Ele transcende rótulos, atraindo ouvintes de variados gêneros, desde apreciadores de jazz tradicional e formações eruditas até fãs de rock e de ritmos africanos, passando pela música popular e regional. A inovação estética presente neste álbum o posiciona como uma obra de influência geracional na música brasileira. O álbum não apenas solidificou a reputação do Grupo D'Alma como um dos principais expoentes da música instrumental brasileira, mas também ofereceu um novo paradigma de performance e composição para o violão, evidenciando o potencial do instrumento em um formato de trio coeso e expressivo.

Contexto

O Grupo D'Alma foi formado no final da década de 1970, com André Geraissati, Rui Saleme e Cândido Penteado se conhecendo na prestigiada escola do Zimbo Trio, o CLAM. O álbum de 1981, intitulado D'Alma, é o segundo trabalho do grupo, sucedendo "A Quem Interessar Possa", lançado em 1979. Na virada da década de 1970 para a de 1980, a música instrumental brasileira vivia um período de efervescência e consolidação, especialmente nas fusões com o jazz. Havia uma oferta vasta e diversificada de produções instrumentais que dialogavam com diversos gêneros e culturas musicais. Nesse cenário, o Grupo D'Alma emergiu com sua proposta de trio de violões, mesclando influências do clássico e do jazz, e contribuindo para essa rica tapeçaria musical.

Gravação

O álbum Grupo D'Alma, lançado em 1981, foi gravado no Nosso Estúdio e produzido pelo próprio trio. Ele foi lançado pelo selo Som da Gente. Para este trabalho, a formação do trio contava com André Geraissati, Rui Saleme e Ulisses Rocha, que substituiu Cândido Penteado. A escolha instrumental foi rigorosa: os músicos optaram por utilizar exclusivamente violões na execução de todas as faixas, concentrando a sonoridade e o virtuosismo no potencial do instrumento. A produção técnica do álbum contou com Marcus Vinicius e Wilson Gonçalves como técnicos, e Nelson Proença como assistente técnico. O disco original de vinil incluía um encarte com notações musicais.

Músicas

As faixas do álbum Grupo D'Alma são caracterizadas por suas melodias curtas e arranjos complexos, embora com uma abordagem acessível, quase pop. A estrutura das canções frequentemente segue a tradição da música instrumental e do jazz, com a apresentação de um tema, seguido por solos ou improvisos de cada violonista, e o retorno ao tema principal. O repertório autoral do disco destaca a contribuição individual de cada membro. Canções como "Beije-me, Garota", "Surpresa" e "Super Relax" foram compostas por Rui Saleme; "Maria Thereza", "Um Dia de Chuva" e "Tudo Certo" por Ulisses Rocha; e "Prá Juca", "Lagoa Silenciosa", "Céu Aberto" e "Boa Noite" por André Geraissati. Uma notável exceção é a faixa "Karate", que foi composta e arranjada por Egberto Gismonti, evidenciando o prestígio e a rede de colaborações do grupo.

Legado

O álbum Grupo D'Alma (1981) é amplamente reconhecido como um dos 100 melhores discos da música brasileira, um testemunho de sua qualidade e impacto duradouro. A recepção crítica da época admirava o apuro técnico e interpretativo do trio, que se destacava pela inovação e pela capacidade de criar uma sonoridade única utilizando apenas violões. Sua importância é ressaltada por projetos culturais como o "Álbum" do Sesc Belenzinho, que convida músicos a reinterpretar discos marcantes, considerados clássicos por suas inovações estéticas e influência em gerações futuras. O Grupo D'Alma foi convidado a apresentar seus três primeiros álbuns na íntegra nesse projeto. O álbum continua a ser valorizado por colecionadores e entusiastas, com sua listagem em catálogos como o Discogs, onde registra uma alta avaliação média e inclusão em listas como "1001 Discos da Música Brasileira", solidificando seu lugar na memória afetiva e crítica da MPB instrumental.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

D'Alma

Produção

D'Alma

Violão

André Geraissati, Rui Saleme, Ulisses Rocha

Edição

José Luis de Carvalho

Técnico

Marcus Vinicius, Wilson Gonçalves

Técnico [Assistant]

Nelson F. Proença

Capa

Odir Grecco

Livros