Despertar
Guilherme Arantes
1985

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1985, Despertar é o oitavo álbum de estúdio do aclamado cantor e compositor paulista Guilherme Arantes e representa um momento crucial em sua discografia. O disco solidificou a maestria de Arantes em transitar entre a MPB sofisticada e o pop mais acessível, características que o tornaram um dos grandes hitmakers do Brasil. Sua capacidade de criar melodias cativantes e arranjos elaborados, aliada a letras que exploram temas universais como o amor e a vida cotidiana, faz de Despertar uma obra que continua a ressoar com o público. Este álbum é notável por seu frescor e pela forma como incorpora elementos do pop e synth-pop da década de 1980, sem perder a identidade autoral que já era sua marca registrada. Com canções que se tornaram clássicos instantâneos, Despertar é um testemunho do talento de Guilherme Arantes como pianista e compositor, um artista que Ed Motta, inclusive, chegou a comparar a Chopin da música contemporânea brasileira. O álbum é um convite a mergulhar em um universo musical rico, que equilibra a sensibilidade lírica com a energia contagiante do pop da época.
Contexto
Em 1985, Guilherme Arantes já possuía uma carreira consolidada e um histórico de sucessos notável no cenário musical brasileiro. Após iniciar sua trajetória na banda de rock progressivo Moto Perpétuo nos anos 70, ele lançou sua carreira solo em 1976, emplacando hits como "Meu Mundo e Nada Mais", frequentemente incluídos em trilhas sonoras de telenovelas, o que o tornou um nome familiar em todo o país. Canções como "Planeta Água" e "Deixa Chover", de 1981, já haviam demonstrado sua versatilidade e a profundidade de suas composições. A década de 1980 viu Arantes se afirmar como um dos grandes nomes do pop e da MPB, com forte influência no surgimento do New Wave no Brasil. No período que antecedeu Despertar, ele já competia nas paradas com outros artistas proeminentes da cena pop brasileira que emergia, consolidando-se como uma figura central e inovadora em um mercado em efervescência.
Gravação
O processo de gravação de Despertar ocorreu entre fevereiro e abril de 1985, tendo como principal local o Multi Studios, situado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Uma peculiaridade da produção foi a gravação das cordas, que foram realizadas no Estúdio Quattro Uno, em Roma, adicionando uma dimensão internacional ao som do álbum. A produção do disco ficou a cargo de Lauro Salazar, que trabalhou para a Chocante Produções. A sonoridade do álbum é marcada pela proeminente utilização de sintetizadores e bateria eletrônica, elementos que estavam em voga na década de 1980 e refletiam a influência da New Wave, gênero para o qual Guilherme Arantes foi um dos pioneiros no Brasil. Além de Arantes nos vocais, piano, teclados e escaleta, a equipe de músicos incluiu Lauro Salazar nos sintetizadores e bateria eletrônica, Leo Gandelman no saxofone e os vocais de apoio de Fernando Adour, Mariza, Ana e Simiana.
Músicas
Despertar apresenta um repertório composto majoritariamente por Guilherme Arantes, demonstrando sua prolificidade e talento para criar canções memoráveis. A faixa de maior sucesso do álbum é, sem dúvida, "Cheia de Charme", uma canção composta em homenagem às mulheres cariocas, que se tornou um hino e um clássico da música pop brasileira. Outros destaques incluem "Brincar de Viver", que apesar de ser uma parceria com Jon Lucien e ter ganhado notoriedade inicialmente na voz de Maria Bethânia, Arantes a popularizou em sua própria interpretação, e "Olhos Vermelhos", que se destaca pela sonoridade mais 'new wave' e agitada. "Fã Número 1" é outra faixa que se sobressai, com Arantes prestando uma homenagem direta ao carinho de seus admiradores, utilizando versos de cartas recebidas de fãs na composição da letra. A instrumental "Pérolas de Neon" e "Despertar do Amor", que oferece uma reflexão sobre as complexidades do sentimento, também enriquecem o disco. O álbum como um todo se caracteriza pela fusão de MPB e pop, com a marcante presença de sintetizadores, que definiram a estética sonora dos anos 80.
Legado
Despertar foi um sucesso comercial expressivo, recebendo o disco de ouro por vendas superiores a 150 mil cópias, um feito notável para a época. O álbum gerou múltiplos hits, como "Cheia de Charme", "Olhos Vermelhos" e "Fã Número 1", que foram lançados como singles e dominaram as rádios brasileiras. A recepção crítica, exemplificada por Edgar Augusto do Diário do Pará, reconheceu a qualidade musical de Arantes, notando sua habilidade em equilibrar a expressão artística com o apelo comercial. O álbum consolidou Guilherme Arantes como um "mestre do pop brasileiro", título que lhe foi conferido pela Revista Rolling Stone Brasil, a mesma que o incluiu na lista dos 100 maiores artistas brasileiros de todos os tempos. Sua capacidade de emplacar 12 músicas em primeiro lugar nas paradas de sucesso nos anos 80, período em que Despertar foi lançado, demonstra o impacto e a relevância duradoura de sua obra. O legado de Arantes e de Despertar perdura, influenciando gerações de artistas e mantendo seu lugar como um marco na música popular brasileira.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Lauro Salazar
Ronaldo Monteiro
Elio Gomes
Franco Finetti
Carlos De Andrade
Niltinho
Gê Alves Pinto
Frederico Mendes
Daeco
