Guilherme Coutinho e o Grupo Stalo
Guilherme Coutinho e o Grupo Stalo
1978

Porque Merece Estar na Lista
O álbum homônimo de Guilherme Coutinho e o Grupo Stalo, lançado em 1978, é uma joia rara da música brasileira, cultuada por sua fusão inovadora de estilos. O disco transita com maestria entre o lo-fi, a tropicalia, o jazz, o funk e a MPB, criando uma sonoridade particular e um "aroma" único que o distingue na paisagem musical da época. Considerado por muitos como "pura perfeição", o trabalho se destaca por seu charme, caráter peculiar e lúdico. Apresenta uma experiência auditiva rica e cinematográfica, ideal para ser apreciada em sua totalidade, revelando-se individualista e distintivo em relação a outros lançamentos contemporâneos.
Contexto
Guilherme Coutinho era um prodígio musical que começou a tocar piano aos cinco anos. Aos dezessete, já integrava grupos como Os Mocorongos e Os Iguanos. Ele rapidamente se tornou líder de seu próprio grupo, apresentando-se em diversas casas noturnas de Belém do Pará, onde se estabeleceu e tocou para a alta sociedade por mais de 15 anos. A década de 1970 foi o auge dos clubes em Belém, como o Tuna, o Yacht Club e a Assembleia Paraense, e Coutinho era uma figura central nesse cenário, liderando sua banda nos carnavais e apoiando compositores locais. Antes deste álbum, Coutinho já havia lançado outros trabalhos, como Guilherme Coutinho e a Curtição, de caráter mais psicodélico, e Procura-se, que navegava entre a bossa nova e a black music.
Gravação
O álbum Guilherme Coutinho e o Grupo Stalo foi originalmente lançado em 1978 pela Erla - Estúdio Rauland, uma gravadora obscura de Belém do Pará. Curiosamente, a Erla era conhecida por lançar majoritariamente compactos de 7 polegadas, sendo este álbum uma das poucas exceções em formato LP. O processo de mixagem e masterização do disco teve a engenharia de J. Ferreira. A formação preferida de Guilherme Coutinho incluía piano, baixo e bateria, além de um cantor, e ele era conhecido por sempre criar seus próprios arranjos.
Músicas
As oito faixas do álbum revelam uma diversidade sonora e técnica. A abertura, "Atalaia", cativa com sua estrutura bossa nova, os vocais suaves de Elinho e um efeito wah-wah que permeia as camadas instrumentais. Já "As Feras" apresenta um tom mais funkeado e "space-age", exibindo a destreza técnica de Coutinho nos teclados, incluindo um solo de sintetizador analógico. Outros destaques incluem a bela "Macaréu", com um breakdown de violão samba em ritmo acelerado, e a quase folk "Flauta de Bambu". O álbum culmina com "Tema Pro Alvarito", uma faixa instrumental de jazz improvisado de sete minutos, que evoca dissonâncias reminiscentes de Thelonious Monk e um solo exploratório do líder, com seu piano elétrico. As letras de algumas canções contaram com a contribuição do poeta e escritor Paes Loureiro, além do próprio Guilherme.
Legado
Originalmente, Guilherme Coutinho e o Grupo Stalo era um álbum extremamente difícil de encontrar, mesmo no Brasil, devido ao seu lançamento por uma gravadora pequena e distante dos grandes centros musicais como Rio de Janeiro e São Paulo. Cópias originais se tornaram itens cobiçados por colecionadores, alcançando altos valores no mercado. Nos anos recentes, o álbum foi redescoberto e relançado por selos internacionais renomados como Mr Bongo e Mad About Records, ganhando reconhecimento global. É amplamente considerado um dos discos mais procurados da música brasileira e um de seus segredos mais bem guardados, gerando um culto em torno de sua inovação sonora e um "tropicalismo lo-fi". Guilherme Coutinho, falecido prematuramente aos 41 anos em 1983, é hoje visto como um verdadeiro artista cult.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Heliana Jatene
Hélio Rubens
Simão Jatene
Kzan
Ceará, Tóta
Paulo Lavareda
Bob Freitas
Guilherme Coutinho
Barão, Magro, Paulo André Barata, Zé Macedo
José Ribamar Ferreira Dos Santos