S.P. 73

Hareton Salvanini

1973

Capa de S.P. 73
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Por Que Esse Disco é Importante

S.P. 73 de Hareton Salvanini é uma obra singular da música brasileira, destacando-se por sua fusão inovadora de gêneros. O álbum transita com fluidez entre o jazz, funk, soul, folk e elementos da música clássica, criando uma sonoridade orquestral profunda e cinematográfica que o diferencia no cenário da MPB de sua época. Com uma paleta sonora rica em arranjos de cordas, sopros, órgão e percussão, S.P. 73 oferece uma experiência auditiva intensa e emocional. O trabalho é notável pela sua ambição e pela capacidade de evocar paisagens sonoras complexas e introspectivas, consolidando-se como um álbum de culto para apreciadores da música experimental e orquestrada brasileira.

Contexto

Hareton Salvanini, nascido em Bauru e criado em Campinas, já demonstrava sua veia artística como arranjador e compositor antes de S.P. 73. Sua formação musical incluiu o jazz e a música clássica, e ele foi significativamente influenciado pelo movimento da Bossa Nova, chegando a formar o Hareton Trio e se apresentar em festivais ao lado de nomes como Wilson Simonal e Elis Regina. S.P. 73 marca a estreia de Salvanini em LPs e é fruto de uma colaboração estreita com seu irmão, Ayrton Salvanini, um diretor de teatro. Ayrton foi o responsável pelo conceito do álbum e pelas letras das canções, buscando criar uma espécie de "roteiro" musical. O título, "S.P. 73", refere-se a São Paulo e ao ano de gravação, com a obra sendo concebida como uma representação do desassossego na metrópole. O projeto também teve raízes em trabalhos anteriores, como o EP "Hareton + Meta", que Hareton compôs para uma das produções teatrais de Ayrton.

Gravação

A gravação de S.P. 73 foi um esforço notável, utilizando a Orquestra Completa do Teatro Municipal de Campinas, o que conferiu ao álbum sua rica tessitura orquestral. A produção contou com a participação de um vasto leque de instrumentistas, incluindo nomes como Heraldo do Monte na guitarra e violão de 12 cordas, Gabriel Bahlis no contrabaixo e baixo elétrico, e uma seção robusta de cordas, sopros e percussão, além do próprio Hareton Salvanini ao piano, órgão e celesta. O processo criativo foi surpreendentemente rápido, com Hareton e Ayrton Salvanini desenvolvendo o álbum, incluindo as letras, em cerca de uma semana. O produtor do disco foi Walter Silva e o técnico de gravação, José Oraldo Brocchi, elementos que contribuíram para a sonoridade característica do trabalho. A intenção era criar um "roteiro em diferentes cenários", com transições quase imperceptíveis entre as faixas, mesclando canções com vocais e peças instrumentais.

Músicas

As faixas de S.P. 73 se entrelaçam em um "deep soundscape de melodias MPB filmadas", que alternam entre momentos instrumentais e canções com letras escritas por Ayrton Salvanini. Dentre os destaques, a faixa "Irracional" tem uma história particular, tendo se originado de uma produção musical apresentada em um festival da TV Tupi. Essa música é descrita como uma obra "magnificamente atormentada", com cordas sinuosas e vocais ricos, que evolui dramaticamente com mudanças de tempo, metais estridentes e percussão intensa, expressando a desolação em São Paulo. Outras canções notáveis incluem "Papa-Mama", que é baseada em um ritmo de bateria de mesmo nome, e as faixas "Viver" e "Prelúdio Em Si Bemol Menor", que ganharam reconhecimento ao serem incluídas no mix "Summer 14 in Brazil" de Floating Points. A faixa "Salamandras" também é citada, sendo interpretada como uma canção sobre o "fim da vida", evidenciando a profundidade temática do álbum.

Legado

Apesar de seu lançamento inicial, S.P. 73 se consolidou como uma obra de culto na música brasileira. Ao longo dos anos, o álbum experimentou um ressurgimento de interesse, sendo reeditado oficialmente pela gravadora Mr Bongo em 2016, o que o tornou acessível a uma nova geração de ouvintes e colecionadores. Sua importância foi reconhecida internacionalmente, sendo premiado como "Melhor Álbum Estrangeiro" pelo Japanese Jazz Journal. A sonoridade única do álbum, frequentemente comparada à de Arthur Verocai e descrita como "magia instrumental melancólica" análoga a trilhas sonoras de filmes nunca realizados, influenciou e foi sampleada por DJs e produtores, como evidenciado pela inclusão de "Viver" e "Prelúdio Em Si Bemol Menor" em mixes renomados. As cópias originais do LP, especialmente as versões com o nome do artista grafado incorretamente, são consideradas raras e valiosas no mercado de colecionadores.

Faixas

Créditos

Produção, Texto do Encarte

Walter Silva

Bass Trombone

Iran Fortuna

Violoncelo

Ezio Dal Pino, Flabio Antonio Russo

Clarinete, Saxofone Alto, Flauta

Demétrio Santos Lima, Eduardo Pecci

Clarinete, Saxofone Tenor, Flauta

Isidoro Longano

Concept By

Ayrton Salvanini

Concept By, Música, Arranjo, Regência, Vocais, Voz, Piano, Órgão, Celesta

Hareton Salvanini

Congas [Tumbadores], Percussion [Ritmos]

Rubens De Souza Soares

Contrabaixo, Baixo Elétrico

Gabriel Bahlis

Copyist

Orlando De Oliveira Pinto

Cowbell [Campanas], Timpani [Timpanos]

Ernesto De Lucca

Bateria

Antônio De Almeida, Toniquinho

Piano Elétrico, Órgão, Cravo

Mario Casali

Flauta, Piccolo Flute

Rosario De Caria

Trompa

Francesco Celano, Silvio Oliani

Harpa

Santa Borelli

Musical Assistance

Rosario De Caria

Oboé, English Horn

Francesco Pezzella

Saxofone Tenor, Flauta

Carlos Alberto De Alcântara Pereira

Trombone

Arlindo Bonadio, Renato Cauchioli, Severino Gomes

Trompete

Dorival Aurieni, Geraldo Aurieni, Sebastião J. Gilberto, Settimo Paioletti

Violão de 12 Cordas, Guitarra, Guitarra

Heraldo Do Monte

Viola

Loriano Rabarchi, Marcelo Dworecki, Michel Verebes, Yoshitame Fukuda

Violino

Alexandre Ramirez, Caetano Domingos Finelli, Elias Slon, Felix Farrar, German Wajnrot, Joel Tavares, Mario Tomassoni, Razza Laura De Santi

Masterização

Rogerio Gauss

Técnico [Recording]

José Oraldo

Arte

Oscar Paolillo

Layout

Sergio Grecu

Fotografia

Peninha Imagem

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