S.P. 73

Hareton Salvanini

1973

Capa de S.P. 73
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Por Que Esse Disco é Importante

O álbum S.P. 73, lançado em 1973 pelo selo Continental, representa um marco na música brasileira por sua sonoridade inovadora e rica orquestração. Caracterizado por uma fusão magistral de jazz, música erudita e elementos latinos, o trabalho de Hareton Salvanini transcendeu as fronteiras dos gêneros, estabelecendo um padrão de sofisticação e ambiência musical. Desde seu lançamento, este LP se destacou como uma obra de notável profundidade e complexidade, com melodias cinematográficas que se entrelaçam a cordas exuberantes, arranjos de órgão, madeiras expressivas e uma percussão pulsante. A produção, frequentemente comparada à excelência de Arthur Verocai em seu álbum homônimo, solidifyou a reputação de Salvanini como um arranjador e compositor visionário, criando um "caleidoscópio sonoro" que permanece relevante e admirado por sua singularidade e beleza.

Contexto

Hareton Salvanini, um multi-instrumentista, maestro e arranjador nascido em Bauru e criado em Campinas, já possuía uma trajetória marcada pela versatilidade musical. Filho do cantor e violonista Luwino Salvanini, ele ganhou notoriedade no Festival Universitário da Canção Popular da TV Tupi e se destacou na criação de trilhas sonoras para cinema e campanhas publicitárias. Essa experiência prévia com arranjos complexos e a composição para mídias visuais permeou a concepção de S.P. 73. Salvanini também liderou um octeto no programa "Mambembe" da TV Bandeirantes, demonstrando sua habilidade em conduzir grandes formações. A colaboração com seu irmão, Ayrton Salvanini, um diretor de teatro, foi fundamental para o conceito do álbum, que almejava criar uma narrativa quase cinematográfica através de suas composições.

Gravação

A gravação de S.P. 73 foi um empreendimento ambicioso, contando com a participação da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de Campinas, o que conferiu ao álbum uma opulência sonora característica. O produtor Walter Silva e o técnico de gravação José Oraldo Brocchi foram responsáveis por capturar a riqueza dos arranjos, que incluíam uma vasta gama de instrumentos e músicos de destaque. Entre os instrumentistas que contribuíram para a sonoridade única do álbum, estavam Heraldo do Monte na guitarra, violão e viola de 12 cordas, e Mario Casali ao piano, órgão e cravo, além do próprio Hareton Salvanini no piano e celesta. A concepção do álbum visava criar uma espécie de "roteiro musical", com pouquíssimos intervalos entre as faixas, mesclando canções instrumentais e vocalizadas, conferindo-lhe uma atmosfera de trilha sonora para um filme imaginário.

Músicas

As faixas de S.P. 73 revelam a maestria de Salvanini na composição e no arranjo, apresentando uma mistura equilibrada de peças autorais e colaborações com seu irmão Ayrton. Composições como "Salamandras", "Prelúdio em si bemol menor", "Só", "Primitivo", "Papa-Mama" e "Yelris" se destacam pela complexidade e expressividade. As canções coescritas com Ayrton Salvanini, como "Eu hoje acordei com a luz do sol", "Sem nome", "Irracional" e "Imagem", complementam a paisagem sonora, que transita entre momentos de melancolia e de vigor. A faixa "Papa Mama", por exemplo, é construída sobre um ritmo de bateria singular, evidenciando a inventividade rítmica do álbum. Duas dessas peças, "Viver" e "Prelúdio Em Si Bemol Menor", foram inclusive incluídas em uma aclamada mix de verão de Floating Points, ressaltando a atemporalidade de sua qualidade.

Legado

Desde seu lançamento, S.P. 73 obteve reconhecimento internacional, sendo aclamado em Tóquio, Japão, como o "Melhor Disco Estrangeiro" pela Japanese Jazz Journal. Ao longo dos anos, o álbum solidificou-se como um item raro e cultuado, com cópias originais atingindo valores consideráveis no mercado de colecionadores, evidenciando sua alta demanda e escassez. A influência de S.P. 73 transcendeu as décadas, tornando-se uma fonte rica para sampleamento. Artistas proeminentes do cenário nacional e internacional, como Sabotage, Marcelo D2, Guilty Simpson, Freddie Gibbs e Jedi Mind Tricks, incorporaram fragmentos das obras de Salvanini em suas próprias produções, atestando o impacto duradouro e a modernidade de sua sonoridade. O álbum também é reverenciado por figuras como Ed Motta e Gilles Peterson, o que reafirma seu status de joia da música brasileira.

Análises

Discogs

S.P. 73 – Discogs

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