Ao Vivo (Montreux Jazz)
Hermeto Pascoal
1979

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Por Que Esse Disco é Importante
Ao Vivo (Montreux Jazz), de Hermeto Pascoal, lançado em 1979, é um documento sonoro visceral que captura a essência de um dos músicos mais singulares e inovadores do Brasil em um dos palcos mais prestigiosos do mundo. O álbum é uma explosão de criatividade, improvisação e musicalidade, transbordando a energia inesgotável e a genialidade multifacetada de Hermeto Pascoal e seu grupo. Ele transcende categorizações fáceis, navegando entre o jazz, a música instrumental brasileira e a experimentação avant-garde, criando um som verdadeiramente universal. Este trabalho representa um momento culminante na trajetória de Hermeto, onde sua "música universal" se manifesta em toda a sua espontaneidade e riqueza. É uma obra que exige e recompensa a atenção do ouvinte, revelando novas camadas a cada audição e reafirmando a capacidade do artista de transformar qualquer som em música. A performance é um testemunho da sua maestria instrumental e composicional, bem como da profunda interação e liberdade que ele cultivava com seus músicos.
Contexto
Em 1979, Hermeto Pascoal já havia consolidado sua reputação como um dos mais arrojados e visionários músicos brasileiros. Suas colaborações anteriores com figuras internacionais como Miles Davis, no álbum Live-Evil de 1971, e com os brasileiros Airto Moreira e Flora Purim, já o haviam apresentado a uma audiência global, estabelecendo-o como um inovador sem paralelos. O convite para o Montreux Jazz Festival era um reconhecimento do seu crescente impacto no cenário musical mundial, proporcionando-lhe uma plataforma ideal para expressar sua arte sem amarras em um festival de renome.
Gravação
O álbum foi gravado ao vivo no Montreux Jazz Festival, em julho de 1979, registrando a intensidade e a imprevisibilidade de uma performance do grupo de Hermeto Pascoal. A natureza da gravação ao vivo é fundamental para a experiência do álbum, capturando a efervescência da interação entre os músicos e a plateia. Originalmente lançado como um LP duplo, o registro documenta um espetáculo onde a espontaneidade reinava. A formação que acompanhava Hermeto incluía talentos como Itiberê Zwarg no baixo, Nenê na bateria, percussão e clavinete, Jovino Santos Neto no piano e clavinete, Cacau no clarinete, saxofones e flauta, Nivaldo Ornelas nos saxofones e flauta, e os percussionistas Pernambuco e Zabelê, que também contribuía com vocais e efeitos. O próprio Hermeto brilhava em múltiplos instrumentos, incluindo saxofone soprano, clavicórdio, piano, flauta, saxofone tenor, e voz, além de seus experimentos vocais.
Músicas
As faixas de Ao Vivo (Montreux Jazz) são um caldeirão de ideias musicais, onde a complexidade harmônica e rítmica se encontra com a melodia e a liberdade improvisatória. O álbum apresenta uma mistura vibrante de jazz, ritmos brasileiros como o maracatu e o forró, e passagens experimentais que incorporam sons não convencionais e vocalizações expressivas. Músicas como "Pintando o Sete", "Forró em Santo André", "Remelexo" e "Sax e Aplausos" são exemplos da diversidade e da profundidade musical exploradas. "Remelexo", em particular, é notável como um fluxo de consciência musical, revelando a mente inventiva de Hermeto. A capacidade de Hermeto de transitar entre instrumentos e texturas, de momentos de virtuosismo solo a intrincadas passagens em grupo, é uma marca registrada em todo o disco.
Legado
Ao Vivo (Montreux Jazz) consolidou a imagem de Hermeto Pascoal como "o bruxo", "o mago" ou "o campeão" da música instrumental brasileira, um título que reflete sua abordagem mística e inovadora à criação musical. O álbum é amplamente considerado um dos grandes momentos de sua discografia, um testemunho de sua performance cativante em um palco internacional. Sua energia inigualável, a dinâmica das composições e a genialidade da improvisação foram largamente elogiadas pela crítica, estabelecendo o disco como uma referência de como a música brasileira poderia se fundir com o jazz e a experimentação sem perder sua identidade. O impacto do álbum se estendeu, influenciando gerações de músicos e reforçando a presença da música instrumental brasileira no cenário global.
Faixas
Créditos
Itiberê Zwarg
Cacau
Nenê
Nivaldo Ornelas
Pernambuco, Rosemarie "Zabelê" Pidner
Jovino Santos Neto
Hermeto Pascoal
Filmes
Livros
Quebra tudo! a arte livre de Hermeto Pascoal
Vitor Nuzzi · 2024
Este livro oferece um estudo aprofundado sobre a trajetória e a 'arte livre' de Hermeto Pascoal, abordando sua vasta discografia e influência musical ao longo de quase 88 anos de carreira. Publicado em 2024, é uma biografia abrangente que certamente dedica conteúdo significativo aos momentos marcantes de sua carreira, incluindo suas renomadas performances ao vivo e álbuns como 'Ao Vivo (Montreux Jazz)'.

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
Ricardo Alexandre · 2022
A maior eleição de música brasileira já feita: 162 especialistas, entre jornalistas, críticos, músicos, produtores e podcasters, indicaram, cada um, 50 discos essenciais, apoiados por uma masterlist de mais de 2.000 obras. Encabeçada por Ricardo Alexandre, com tabulação de Sérgio Jomori, foi publicada em dezembro de 2022 em um livro de 200 páginas em capa dura, com projeto gráfico de Fernando Pires.
Análises
Cliquemusic : Disco : AO VIVO MONTREUX JAZZ FESTIVAL
cliquemusic.com.br
Faixas DISCO 1 1 Pintando o sete (Hermeto Pascoal) 2 Forró em Santo André (Hermeto Pascoal) 3 Remelexo (Hermeto Pascoal) 4 Bem vinda (Hermeto Pascoal) 5 Sax e aplausos (Hermeto Pascoal) 6 Lagoa da Canoa (Hermeto Pascoal) DISCO 2 7 Fátima (Hermeto Pascoal) 8 Terra verde (Hermeto Pascoal) 9 Maturi (Hermeto Pascoal) 10 Quebrando tudo (Hermeto ...
Hermeto Pascoal - Montreux Jazz Festival - Ao Vivo (1979)
musicasdonordeste.net
Neste álbum gravado ao vivo no Montreux Jazz Festival , Hermeto Pascoal, um dos grandes compositores da música instrumental brasileira, prova que, através de sua personalidade inovadora, está mesmo sempre enriquecendo a música brasileira.
