Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda

Hyldon

1975

Capa de Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Na Rua, na Chuva, na Fazenda, lançado em 1975, é o álbum de estreia do multifacetado artista Hyldon e figura como um pilar incontestável do soul brasileiro. Considerado um clássico e um marco da música negra no país, o disco solidificou o nome de Hyldon como um dos grandes precursores do gênero, ao lado de ícones como Tim Maia e Cassiano. Sua sonoridade envolvente mescla elementos de soul, funk, rock e MPB, criando uma atmosfera musical única e atemporal. O álbum se destaca pela capacidade de Hyldon em traduzir o groove da black music internacional para a realidade e sensibilidade brasileiras, com arranjos sofisticados e melodias cativantes. O trabalho revela uma obra que transcende as barreiras do tempo, mantendo sua relevância e frescor ao longo das décadas. É um testemunho da riqueza e da diversidade da música popular brasileira dos anos 70.

Contexto

Antes de lançar sua obra-prima, Hyldon construiu uma trajetória musical significativa, iniciando sua carreira ainda jovem, aos 16 anos. Influenciado por seu primo Pedrinho da Luz, guitarrista do The Fevers, ele tocou guitarra em gravações da Jovem Guarda e se apresentou em bailes com sua própria banda, Os Abelhas. Posteriormente, Hyldon passou a compor canções que foram gravadas por outros artistas da Jovem Guarda e, ao conhecer Cassiano e Tim Maia, foi convidado para trabalhar como produtor na PolyGram. Aceitou a proposta com a condição de que pudesse, eventualmente, lançar seu próprio material. Durante três anos, ele produziu álbuns de nomes como Erasmo Carlos, Diana, Wanderléa e todos os discos de Odair José pela Polydor, inclusive tocando guitarra no hit "Uma Vida Só". Nesse período, ele continuou a compor e a criar arranjos, reservando músicas para seu projeto solo, amadurecendo o que viria a ser Na Rua, na Chuva, na Fazenda.

Gravação

A jornada para a gravação de Na Rua, na Chuva, na Fazenda foi marcada por desafios e persistência. No início de 1973, Hyldon cobrou a promessa de gravar seu disco e, aproveitando um contratempo com um cantor que produziria, registrou três canções no Estúdio Phonogram, no Rio de Janeiro, com o apoio da banda Azymuth: "Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)", "Meu Patuá" e "Eu Gostaria de Saber". Apesar da boa recepção inicial dos executivos, a gravadora Polydor, através de André Midani e Jairo Pires, impôs a condição de que apenas metade do álbum seria autoral, com o restante sendo covers, proposta que Hyldon recusou veementemente. O material permaneceu parado por quase um ano, até que, no final de 1973, um compacto simples com "Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)" e "Meu Patuá" foi lançado sem divulgação. A faixa-título rapidamente se tornou um sucesso nas rádios do Rio e São Paulo, impulsionada por DJs como Big Boy, abrindo caminho para a gravação do LP completo. Em 1974, Hyldon entrou novamente em estúdio com a banda Azymuth e gravou mais 12 músicas, das quais três seriam excluídas da versão final do álbum e só lançadas em 2003 como bônus. A gravadora ainda postergou o lançamento do LP até 1975, mas a continuidade do sucesso dos compactos, incluindo "As Dores do Mundo" e "Sábado e Domingo", finalmente levou ao lançamento do álbum completo, produzido por Guti Carvalho e com arranjos de Hyldon e Waldir Arouca Barros.

Músicas

Na Rua, na Chuva, na Fazenda é um álbum recheado de composições que se tornaram clássicos instantâneos, caracterizadas pela sensibilidade lírica e pelo balanço inconfundível. A faixa-título, "Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)", é talvez a mais emblemática, com sua melodia despretensiosa e um toque de melancolia que explora a perda de um amor, tornando-se um hino da música brasileira. Outros sucessos notáveis incluem "Na Sombra de Uma Árvore", uma balada romântica que exala leveza, e "As Dores do Mundo", com sua letra poética e um arranjo envolvente. Canções como "Vamos Passear de Bicicleta", "Acontecimento" e "Sábado e Domingo" complementam a narrativa do álbum, apresentando temas cotidianos e sentimentos universais que dialogam com a experiência humana, tudo embalado por um groove sofisticado de soul, rock e MPB.

Legado

Desde seu lançamento em 1975, Na Rua, na Chuva, na Fazenda foi calorosamente recebido pelo público e crítica, liderando as listas de mais vendidos do Nopem e emplacando múltiplos hits além da faixa-título. O álbum não só consolidou Hyldon como um dos três grandes precursores da soul music brasileira, ao lado de Tim Maia e Cassiano, mas também exerceu um impacto cultural profundo e duradouro no Brasil. Suas canções se perpetuaram no imaginário popular, sendo utilizadas em trilhas sonoras de filmes brasileiros aclamados como Cidade de Deus e Carandiru, e sampleadas por rappers como MV Bill e Nega Gizza. Artistas de diferentes gerações prestaram homenagem ao trabalho de Hyldon, com Kid Abelha regravando "Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)" em 1996 e novamente em seu Acústico MTV, Jota Quest fazendo uma versão de "As Dores do Mundo" em seu álbum de estreia, e Marisa Monte interpretando "Acontecimento" em suas turnês. Em 2005, a Universal relançou o álbum em uma edição comemorativa de 30 anos, celebrando a permanência e a influência inegável desta obra seminal na música brasileira.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Hyldon, José Roberto Bertrami

Regência

Mario Tavares

Composição

Hyldon

Baixo

Alex Malheiros

Bateria

Mamão

Guitarra

Hyldon

Teclados

José Roberto Bertrami

Referências

Livros