Modo Livre

Ivan Lins

1974

Capa de Modo Livre
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Modo Livre, lançado em 1974, representa um divisor de águas na discografia de Ivan Lins, marcando uma significativa guinada artística em sua carreira. Este que é o quarto álbum do compositor e o primeiro pela gravadora RCA Victor, sinalizou uma busca por uma identidade musical mais refinada e socialmente engajada. O disco estabeleceu uma ponte entre o samba, o jazz e a soul music, gêneros que Ivan Lins já explorava, mas agora com uma complexidade harmônica e melódica mais acentuada. A musicalidade rebuscada, somada a letras que, muitas vezes de forma velada, teciam comentários sobre o contexto sociopolítico brasileiro da época, conferiu ao álbum um lugar de destaque na MPB.

Contexto

Antes de Modo Livre, Ivan Lins havia experimentado um sucesso considerável com canções como "Madalena", popularizada por Elis Regina, e sua participação em programas da Rede Globo, o que o associou a um som mais próximo do soul e a um apelo comercial. No entanto, essa fase também gerou críticas por parte de setores da imprensa e até de colegas do Movimento Artístico Universitário (MAU), que questionavam o alinhamento de sua música com a MPB engajada da época e sua relação com a ditadura militar. Diante dessas críticas e da necessidade de se reinventar, Ivan Lins rompeu com a gravadora Philips e buscou um novo caminho artístico. Modo Livre surge como essa resposta, um auto-proclamado "modo livre" de expressão, onde o artista se desvencilhava das amarras anteriores para abraçar uma canção mais crítica e elaborada, em um período de intensa repressão política no Brasil.

Gravação

O álbum Modo Livre foi gravado nos estúdios da RCA, em 1974, sob a produção de Raymundo Bittencourt. Os arranjos, considerados geniais e sofisticados, ficaram a cargo do maestro Arthur Verocai, que contribuiu significativamente para a sonoridade jazzística e elaborada do disco. A ficha técnica do álbum revela a presença de músicos de peso da MPB e do jazz brasileiro da década de 1970, incluindo Wagner Tiso (piano e órgão), Robertinho Silva (bateria e percussão), Maurício Einhorn (gaita), Márcio Montarroyos (flugelhorn), Laércio de Freitas (órgão), João Cortez (bateria), Luiz Alves (baixo elétrico) e os grupos vocais MPB-4 e Quarteto em Cy nos vocais de apoio. A então esposa de Ivan, Lucinha Lins, também participou nos vocais.

Músicas

As canções de Modo Livre apresentam uma rica tapeçaria lírica e melódica, com destaque para a estreia da parceria de Ivan Lins com o letrista Vitor Martins na faixa "Abre Alas". Esta canção, que se tornaria um clássico, inaugurou uma das mais frutíferas colaborações da música brasileira. Outras faixas como "Tens (Calmaria)" e "Não Tem Perdão" são notáveis por suas letras que, de maneira sutil, abordam temas como a resistência e a dor da opressão vivida durante a ditadura militar, utilizando metáforas para driblar a censura. O álbum também inclui a releitura de "Avarandado" de Caetano Veloso, que ganha novas cores com a interpretação de Ivan Lins, e a faixa "Deixa Eu Dizer", que se tornaria um de seus grandes sucessos.

Legado

Apesar de um início modesto em vendas, com cerca de 10 mil cópias do LP vendidas na época, Modo Livre é hoje reconhecido como um álbum fundamental na discografia de Ivan Lins e na história da MPB. Sua importância reside na consolidação da identidade artística de Ivan Lins e no início de sua fase mais engajada e de maior reconhecimento crítico. O disco foi reeditado em CD pela primeira vez em 2001, na série "RCA – 100 Anos de Música", e também relançado no Japão no mesmo ano, o que atesta seu valor duradouro. A faixa "Abre Alas" permanece como um dos maiores êxitos do artista e um símbolo da parceria com Vitor Martins, que geraria inúmeros clássicos da MPB, solidificando a influência de Ivan Lins sobre a música brasileira e internacional, especialmente no jazz. O álbum é frequentemente citado em listas e discussões sobre os melhores discos da música brasileira.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Vocais de Apoio

Aquiles, Magro, Miltinho, Ruy

Vocais

Claudio Cartier, Cynara, Cyva, Dorinha Tapajós, Luna, Regininha, Roberto Quartin, Severino Filho, Sidinho, Suzana, Tavinho Bonfá

Baixo

Wagner Santos

Bateria

Joãozinho Da Percussão

Bateria, Percussão

Robertinho Silva

Baixo Elétrico

Luiz Alves

English Horn

José-Carlos Cocarelli

Flügelhorn

Marcio Montarroyos

Flauta

Celso Woltzenlogel, Copinha, Jorginho da Flauta

Flauta, Saxofone

Ricardinho

Guitarra

Sidney Mattos

Guitarra, Violão, Arranjo, Regência

Arthur Verocai

Gaita

Mauricio Einhorn

Oboé

Kleber Veiga, Moacir Freitas

Órgão

Laércio De Freitas, Wagner Tiso

Percussão, Vocais de Apoio

Lucinha Lins

Percussão, Effects

Chico Batera

Piano, Piano Elétrico, Órgão, Violão, Vocais

Ivan Lins

Base Rítmica

Nilton Delfino Marçal

Cordas

Aizik Geller

Surdo, Pandeiro

Gilberto

Técnico [Mixing]

João Kibelkstis, Stelio Carlini, Walter Silva

Técnico [Recording]

Paulo Frazão

Arte

Ney Tavora

Coordenação

Osmar Zandomenigui

Coordenação, Diretor Musical

Henrique Gastaldello

Coordenação, Supervisão de Gravação

Raymundo Bittencourt

Fotografia

Ivan Klingen

Podcasts

Referências

Livros