Seeds, Vision and Counterpoint
Ivo Perelman
1998

Porque Merece Estar na Lista
Seeds, Vision and Counterpoint, lançado em 1998 pelo saxofonista brasileiro Ivo Perelman, é uma obra seminal no universo do free jazz. O álbum apresenta Perelman em um formato de trio com Dominic Duval no baixo e Jay Rosen na bateria, explorando os limites da improvisação e da expressão musical. Sua sonoridade é caracterizada por uma entrega apaixonada, poderosa e provocativa, que evoca comparações a gigantes como Gato Barbieri e Albert Ayler, ao mesmo tempo em que mantém um senso inato de lirismo e melodia. Este trabalho se destaca pela intensidade e pela exploração de longas peças, onde a interação entre os músicos é a espinha dorsal da experiência sonora. Perelman, conhecido por sua abordagem visceral e espiritual à música, utiliza este álbum como um veículo para suas mais selvagens excursões musicais e como uma profunda expressão de sua espiritualidade. O álbum representa um ponto de síntese para Perelman, unindo o improvisador nato e o compositor consciente, resultando em uma música que é ao mesmo tempo livre e estruturada. É um testemunho da sua incessante busca por novas sonoridades e uma peça crucial para entender a evolução de sua linguagem artística no cenário do jazz de vanguarda.
Gravação
O álbum Seeds, Vision and Counterpoint foi gravado ao vivo em duas pistas no Rocking Reel, localizado em East Northport, Nova York, em 24 de setembro de 1998. A produção do álbum ficou a cargo de Leo Feigin, e a gravação foi realizada por David Greenberg. A sessão foi concebida como um encontro para Perelman tocar com Dominic Duval e Jay Rosen, marcando a primeira vez que os três músicos se apresentavam juntos.
Músicas
Seeds, Vision and Counterpoint é composto por três faixas, sendo as duas últimas, a faixa-título homônima e 'Cantilena', as mais extensas e representativas do álbum. A faixa 'Seeds, Vision and Counterpoint' possui cerca de 20 minutos de duração, enquanto 'Cantilena' se estende por aproximadamente 26 minutos. Essas longas composições são consideradas as mais selvagens excursões musicais de Perelman até aquele momento, servindo também como a primeira expressão plenamente realizada de sua espiritualidade através da música. A sonoridade do saxofone de Perelman neste álbum é notavelmente mais 'afiada e concisa' em comparação com trabalhos anteriores, como Sad Life, refletindo uma série de estudos sonoros que ele explorava na época.