Vibrações
Jacob do Bandolim & Conjunto Época de Ouro
1967

Porque Merece Estar na Lista
Vibrações, lançado em 1967 por Jacob do Bandolim e seu Conjunto Época de Ouro, é amplamente considerado a obra-prima e o álbum mais representativo da carreira do bandolinista. Este disco é um marco na história da música instrumental brasileira, consolidando a formação clássica do regional de choro e elevando o gênero a um patamar de expressividade e sofisticação inigualáveis. O álbum é uma celebração da virtuose de Jacob no bandolim, um instrumento que ele praticamente institucionalizou como peça obrigatória nos conjuntos de choro. Através de sua execução impecável e de um repertório cuidadosamente selecionado, Vibrações reafirma a defesa apaixonada de Jacob pelo choro genuíno. O disco demonstra seu perfeccionismo e sua habilidade em extrair do bandolim um som lamentoso e, ao mesmo tempo, de rara beleza e apuro técnico, características que o tornam um dos maiores ícones do choro ao lado de Pixinguinha.
Contexto
Jacob do Bandolim era uma figura de personalidade forte no cenário musical brasileiro, conhecido por seu perfeccionismo e por sua defesa intransigente do choro. Ele via com ressalvas as modernizações da música popular brasileira, temendo uma 'americanização' do choro, embora nutrisse admiração por canções como 'Chega de Saudade', um clássico da Bossa Nova. Na efervescência dos anos 1960, com a ascensão de novos gêneros e a juventude voltada para modismos estrangeiros, Jacob lutava ativamente pela preservação e renovação do choro. Ele promovia rodas e saraus pelo Brasil, buscando manter o gênero vivo e relevante. O Conjunto Época de Ouro, embora seus músicos já acompanhassem Jacob em trabalhos anteriores, foi oficialmente batizado em 1964, tendo sua formação clássica consolidada no período que antecedeu a gravação de Vibrações.
Gravação
O álbum Vibrações foi lançado em 1967 pela gravadora RCA. A formação do Conjunto Época de Ouro que acompanhou Jacob do Bandolim neste registro histórico incluía instrumentistas de destaque como Dino 7 Cordas no violão de sete cordas, César Faria e Carlinhos Leite nos violões de seis cordas, Jonas Pereira da Silva no cavaquinho e Gilberto D'Ávila no pandeiro. Jorginho também contribuiu com a percussão em algumas faixas. Jacob tinha o hábito de gravar extensivamente suas performances, incluindo programas de rádio e até mesmo encontros informais em sua casa. Essa prática contribuiu para que o álbum apresentasse gravações com um clima descontraído e orgânico, remetendo à atmosfera de uma roda de choro, o que confere ao disco uma autenticidade particular.
Músicas
O repertório de Vibrações é uma cuidadosa seleção que mescla composições de grandes nomes do choro com obras do próprio Jacob do Bandolim. O álbum apresenta três músicas inéditas de Jacob até aquele momento, incluindo a faixa-título, 'Vibrações', que se destaca por um solo de bandolim de rara beleza e apuro técnico. Outras composições suas no disco são 'Receita de Samba' e 'Pérolas', ambas consideradas de grande profundidade melódica e harmônica. O álbum também resgata e recria clássicos de mestres como Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Luiz Americano. A versão de Jacob para 'Ingênuo', de Pixinguinha e Benedito Lacerda, é notável por estabelecer um diálogo instrumental envolvente entre seu bandolim e o violão do Conjunto Época de Ouro, reinterpretando a dinâmica da gravação original. 'Brejeiro', de Ernesto Nazareth, é outro ponto alto, com Jacob transformando o tanguinho original em um choro animado e descontraído, criando uma versão que se tornaria definitiva. O disco ainda apresenta pérolas como 'Lamentos' de Pixinguinha e valsas de Nazareth, como 'Fidalga' e 'Vésper', demonstrando a versatilidade do bandolim de Jacob.
Legado
Vibrações é universalmente reconhecido como o último e o melhor álbum da carreira de Jacob do Bandolim, consolidando sua posição como um dos maiores instrumentistas da música brasileira. O disco não apenas se tornou um registro essencial do choro, mas também cimentou a estrutura e a linguagem dos conjuntos regionais, estabelecendo um padrão para a execução do gênero. Após o falecimento de Jacob em 1969, o Conjunto Época de Ouro continuou em atividade, com a missão de preservar e propagar o legado do choro genuíno, mantendo viva a escola e o estilo definidos por Jacob. A influência do álbum e do trabalho de Jacob do Bandolim é sentida até hoje, com o Época de Ouro perpetuando sua abordagem sem intenção de modernização descaracterizadora do choro, mas sim de preservação de sua essência e excelência.
