Jacob do Bandolim
Jacob do Bandolim
2000

Porque Merece Estar na Lista
O álbum Jacob do Bandolim, lançado em 2000, representa uma coletânea essencial que celebra a obra de um dos maiores instrumentistas e compositores da música brasileira. Este lançamento, frequentemente na forma de caixas ou compilações remasterizadas, oferece uma imersão profunda no universo do choro, gênero do qual Jacob Pick Bittencourt, conhecido como Jacob do Bandolim, foi um mestre incontestável. Ele é amplamente reconhecido como o maior bandolinista que o Brasil já produziu e um dos mais prolíficos compositores de choro. Através de sua técnica virtuosística e um profundo entendimento do choro, Jacob do Bandolim transformou o papel do bandolim, elevando-o de instrumento de acompanhamento a protagonista central. Sua abordagem, que aliava precisão clássica e expressividade popular, é um marco na história da música instrumental brasileira, fazendo deste álbum uma porta de entrada indispensável para compreender a riqueza e a complexidade do choro. As gravações presentes nestas edições de 2000, que abrangem seu período de maior atividade entre 1949 e 1969, revelam a genialidade de Jacob ao combinar ornamentação e virtuosismo com melodias líricas e harmonias sofisticadas. É um testemunho de sua busca incansável pela perfeição e de sua dedicação à preservação e evolução do choro, sem que este perdesse suas características essenciais.
Contexto
Jacob do Bandolim atuou ativamente nas décadas de 1940, 1950 e 1960, um período de efervescência cultural no Brasil. Nascido em 1918, no Rio de Janeiro, ele iniciou sua jornada musical ainda criança, autodidata no bandolim a partir dos 12 anos. Aos 15, já se apresentava em programas de rádio, e em pouco tempo, suas formações musicais já venciam concursos, sendo avaliadas por grandes nomes do choro. Surpreendentemente, Jacob e seus companheiros de banda não dependiam da música para o sustento. Jacob manteve diversas profissões, como farmacêutico, vendedor de seguros e escrivão de justiça, enquanto se dedicava integralmente à música. Essa paixão e compromisso com o choro, desvinculada de pressões comerciais diretas, permitiram-lhe desenvolver um trabalho de pesquisa e aperfeiçoamento constante, culminando na formação de grupos como o célebre Época de Ouro, na década de 1960.
Gravação
As gravações que compõem as coletâneas de 2000 de Jacob do Bandolim foram realizadas entre 1949 e 1969, período em que o artista assinou contrato com a RCA Victor em 1949, gravando por toda a sua carreira sob este selo. Embora as fichas técnicas das coletâneas de 2000 nem sempre creditem todos os músicos participantes, sabe-se que Jacob prezava pela qualidade e pelo profissionalismo em suas formações. Um exemplo notável de sua busca por excelência é o grupo Época de Ouro, formado em 1966, com o qual gravou o LP Vibrações, considerado por muitos como um dos pontos altos de sua carreira. Jacob era um perfeccionista, que exigia o mais alto nível de qualidade de seus músicos e valorizava uma apresentação impecável, combatendo o estereótipo do 'músico folclórico desgrenhado e bêbado'. Ele também foi um pesquisador incansável, buscando inovar na sonoridade e aprimorar seus arquivos musicais, chegando a inventar instrumentos como o vibraplex, que combinava um violão tenor com um órgão Hammond para obter sons que remetiam aos sintetizadores modernos.
Músicas
As compilações de 2000 reúnem o que há de mais expressivo na obra de Jacob do Bandolim, apresentando suas composições icônicas e interpretações que definiram o choro. Entre as faixas que se destacam, encontramos clássicos como "Noites Cariocas", com suas melodias líricas que evocam o espírito do Rio de Janeiro, e "Assanhado", que exibe um vigor rítmico e uma complexidade melódica que remetem ao bebop. Outras composições marcantes presentes nestes álbuns incluem "Vibrações", uma obra que se tornou sinônimo do próprio Jacob e do espírito do choro brasileiro, e "Doce de Coco", que revela sua veia melódica. Também vale mencionar "Nostalgia" e "Pé de Moleque", que demonstram a diversidade de sua técnica composicional e a profundidade emocional de sua música. Suas músicas são caracterizadas por escalas rápidas de semicolcheias e arpejos, combinando influências da guitarra portuguesa e do jazz, além de explorar as harmonias originais da música brasileira.
Legado
O legado de Jacob do Bandolim é imensurável para a música brasileira, e as edições de 2000 de seus álbuns servem como um lembrete perene de sua importância. Ele é considerado uma das figuras mais importantes do choro e deixou um patrimônio de gravações e mais de 100 composições. Sua influência se estende a gerações de músicos de choro, que o têm como referência musical, e o bandolim no choro é intrinsecamente ligado ao seu nome. Além de sua maestria instrumental e composicional, Jacob foi um pesquisador incansável, responsável por reviver e preservar a obra de outros grandes mestres, como Ernesto Nazareth e João Pernambuco. Seu vasto arquivo de discos, partituras, fotos e artigos jornalísticos, conhecido como "Arquivo Jacob", foi posteriormente incorporado ao acervo do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Após sua morte em 1969, o conjunto Época de Ouro se dissolveu, mas se reuniu em 1973 e teve um impacto significativo no renascimento do choro no Brasil durante a década de 1970, continuando ativo até os dias atuais.
