Aprender a nadar

Jards Macalé

1974

Capa de Aprender a nadar
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Aprender a Nadar, o segundo álbum de estúdio de Jards Macalé, lançado em 1974, é uma obra que se destaca por sua audácia e profundidade em um período de intensa repressão no Brasil. O disco não apenas reafirma a singularidade artística de Macalé, mas também propõe uma sonoridade que desafiava os rumos da música popular brasileira da época. Com uma abordagem que transita entre a introspecção e a provocação, o álbum explora a dor das desilusões amorosas, revisitando canções da década de 1950 e apresentando composições próprias que, juntas, sugerem um caminho alternativo para a evolução musical do país, distanciando-se do então dominante estilo da bossa nova. A persona de Macalé, que se declara o "faquir da dor", permeia as faixas, convidando o ouvinte a uma experiência musical de rara intensidade e sinceridade.

Contexto

Lançado em 1974, Aprender a Nadar surge em um cenário de forte repressão da ditadura militar brasileira, contexto que marca profundamente o trabalho de Jards Macalé. O título do álbum, inclusive, guarda uma história sombria e emblemática: um agente do regime teria ameaçado Macalé com um "passeio" na Baía de Guanabara, questionando se ele sabia nadar, uma clara alusão a torturas e desaparecimentos. Em um ato de desafio e simbolismo, no dia do lançamento do disco, Macalé dirigiu-se ao cais das barcas Rio-Niterói, onde lançou um exemplar do álbum na baía antes de mergulhar ele próprio no mar, ao som de "Mambo da Cantareira". Esse gesto performático sublinha a relação intrínseca do artista com o ambiente político e social que o cercava, transformando a arte em um ato de resistência e expressão pessoal frente à adversidade.

Músicas

O álbum se inicia com Jards Macalé apresentando-se de forma intrigante: "Meu nome é Jards Anet da Vida. Ou melhor, da Selva. Ou pior, da Silva", assumindo a persona de "faquir da dor" que se expõe ao público. A partir dessa introdução, o repertório se desdobra em uma série de canções que versam sobre a temática das desilusões amorosas. As composições incluem parcerias com Waly Salomão e revisitam melodias da década de 1950, demonstrando uma direção musical que Macalé visualizava como uma evolução alternativa para a música brasileira, em contraposição à bossa nova. Essa escolha estética confere ao álbum uma sonoridade particular, que, ao mesmo tempo que se conecta com raízes populares, ousa em sua proposta de originalidade e expressão.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Regência

Mario Tavares, Perinho Albuquerque

Orquestração [Strings & Wind Instruments]

Perinho Albuquerque, Wagner Tiso

Produção, Cover [Back Cover], Violão, Arranjo, Diretor Musical

Jards Macalé

Produção, Sounds [Door], Teclados

Waly Sailormoon

Supervisão de Gravação, Teclados, Classical Guitar

Perinho Albuquerque

Baixo Acústico, Baixo Elétrico

Luiz Alves

Cavaquinho

Canhoto

Classical Guitar

Meira

Classical Guitar [7-String]

Dino 7 Cordas

Cuíca

Zeca Da Cuica

Bateria

Tutty Moreno

Bateria, Percussão

Robertinho Silva

Baixo Elétrico

Rubão Sabino

Piano Elétrico, Piano

Wagner Tiso

Flauta

Ion Muniz

Guitarra

Claudio Stevenson

Guitarra, Violão

Chiquito

Pandeiro

Carlinhos "Pandeiro De Ouro"

Percussão

Chacal, Luis Carlos, Pedro Santos

Piano

Aloisio Milanez

Corte

Joaquim Figueira

Técnico [Recording]

Ary Perdigão, João Moreira, Luigi Hoffer

Direção de Arte

Aldo Luiz

Coordenação

Perinho Albuquerque

Design, Layout

Nilo De Paula

Fotografia [Insert Photograms & Photos]

Rogério Noel

Referências

Livros