Amoroso

João Gilberto

1977

Capa de Amoroso
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Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1977, Amoroso é um marco incontestável na discografia de João Gilberto, sendo amplamente reconhecido como um dos trabalhos mais significativos e maduros de sua carreira. Neste álbum, o mestre da bossa nova atinge o ápice de sua sofisticação musical, apresentando um estilo que expande o minimalismo característico de seu violão e voz para uma dimensão orquestral, sem perder a essência de sua batida singular. A colaboração primorosa com o arranjador alemão Claus Ogerman resulta em uma tapeçaria sonora elegante, onde as cordas e orquestrações se entrelaçam delicadamente com o violão e o canto sussurrante de Gilberto, criando uma sonoridade exuberante e introspectiva. O álbum não só reafirma João Gilberto como o pai da bossa nova, mas também demonstra sua capacidade de reinterpretar clássicos da música mundial com sua sensibilidade única, consolidando-o como um artista de alcance global.

#56

João explora as possibilidades internacionais e canta em inglês, italiano e espanhol com aquele seu sotaque característico, capaz de amaciar as possíveis durezas de qualquer idioma.

Marcus Preto · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Em 1977, João Gilberto já era uma lenda viva da música brasileira e mundial. Duas décadas antes, em 1957, ele havia revolucionado a música ao criar a icônica 'batida' e, com o lançamento de Chega de Saudade, estabelecido as bases da bossa nova, um movimento que transformou o samba em um sussurro sofisticado e intimista. Após uma longa temporada dedicada à carreira internacional, com passagens por Nova York, Paris e Cidade do México, Gilberto havia encontrado seu 'lar' musical nos Estados Unidos em meados dos anos 70. Contudo, no Brasil, o cenário musical da época, dominado por canções de protesto contra a ditadura militar, havia feito com que suas composições românticas e harmonias sofisticadas perdessem parte da projeção nacional. Amoroso, portanto, marcou seu retorno triunfal e bem-sucedido às paradas brasileiras.

Gravação

O processo de gravação de Amoroso ocorreu entre novembro de 1976 e janeiro de 1977, em renomados estúdios nos Estados Unidos. As sessões iniciais foram realizadas no Rosebud Studios, em Nova York, de 17 a 19 de novembro de 1976, e complementadas no Capitol Records, em Hollywood, de 3 a 7 de janeiro de 1977. A produção do álbum ficou a cargo da dupla Tommy LiPuma e Helen Keane, com LiPuma vindo de um Grammy por seu trabalho em "This Masquerade" de George Benson. Os arranjos e a regência orquestral foram confiados ao maestro alemão Claus Ogerman, um colaborador frequente de grandes nomes do jazz e da MPB, que já havia trabalhado com Antônio Carlos Jobim no álbum Urubu (1976). A equipe de músicos incluiu João Gilberto (voz e violão), Jim Hughart (baixo), Grady Tate e Joe Correro (bateria), e Ralph Grierson (teclados), com a engenharia de som e mixagem a cargo de Al Schmitt. Ogerman concebeu os arranjos não como um mero adorno, mas como um intrincado 'interplay de vozes internas e opostas', que complementavam e elevavam a performance de Gilberto.

Músicas

Amoroso é composto por oito faixas meticulosamente selecionadas, que demonstram a versatilidade e a maestria interpretativa de João Gilberto. O álbum apresenta quatro composições do mestre Antônio Carlos Jobim: "Wave", "Caminhos Cruzados", "Triste" e "Zingaro", esta última também conhecida como "Retrato em Branco e Preto". Uma inovação no repertório de Gilberto foi a inclusão de três canções estrangeiras, algo inédito em sua discografia até então. Ele interpreta "'S Wonderful", clássico de George Gershwin, cantada em inglês; "Estate", do italiano Bruno Martino; e o bolero "Bésame Mucho", da mexicana Consuelo Velazquez, cantado em espanhol. As interpretações dessas músicas, apesar de um sotaque por vezes notável, são descritas como 'divinas' e repletas de uma emoção contida, mas profundamente tocante, como no caso de "Estate", considerada um dos grandes momentos da música popular. A versão de "'S Wonderful" se tornou uma referência, com o arranjo de Ogerman adaptando perfeitamente o jazz standard para o balanço da bossa nova.

Gravado parte em novembro de 1976, no significativo estúdio Rosebud, em Nova York, e parte em janeiro de 1977, na Capitol, em Hollywood, Amoroso (Warner), de João Gilberto, é um totem do cantor que moldou a bossa nova e criou uma nova postura musical que influenciaria de Gal Costa a Diana Krall.

Tárik de Souza · 300 Discos Importantes

Legado

Amoroso solidificou seu status como um álbum essencial na música brasileira e mundial, sendo reconhecido por diversas instituições e publicações. Em 2007, foi eleito pela revista Rolling Stone Brasil como o 56º maior álbum da música brasileira. Sua excelência também foi notada internacionalmente, recebendo uma indicação ao Grammy Awards em 1978 na categoria de "Melhor Performance Vocal de Jazz". O sucesso do álbum foi crucial para o retorno de João Gilberto ao cenário musical brasileiro, marcando um novo período de reconhecimento em seu país de origem. A canção "Wave", por exemplo, foi incluída na trilha sonora da novela "Água Viva" da TV Globo em 1980, ampliando seu alcance. A influência de Amoroso é tamanha que os arranjos de Claus Ogerman para canções como "'S Wonderful" serviram de inspiração para outros artistas renomados, como Diana Krall, em suas próprias interpretações. O álbum é frequentemente citado por críticos e fãs como um dos pontos altos da carreira de Gilberto, com altas avaliações em plataformas especializadas.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo, Regência

Claus Ogerman

Produção

Helen Keane, Tommy LiPuma

Baixo

Jim Hughart

Spalla

Israel Baker

Contractor [Orchestra]

Frank DeCaro

Bateria

Grady Tate, Joe Correro

Guitarra, Vocais

João Gilberto

Teclados

Ralph Grierson

Painting [Cover]

Geoffrey Holder

Engenheiro de Som [Assistant, Capitol Hollywood]

Don Henderson

Engenheiro de Som [Assistant, Rosebud Studios]

Eric Bowman

Mixagem, Gravação

Al Schmitt

Direção de Arte

Ed Thrasher

Coordenação [Production Assistant]

Noel Newbolt

Design

Richard Seireeni, Rod Dyer, Inc.

Fotografia

Hirosuke Doi

Podcasts

Referências

Livros