Brasil

João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia

1981

Capa de Brasil
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Porque Merece Estar na Lista

Brasil é um álbum seminal lançado em outubro de 1981, que marca um encontro histórico entre João Gilberto, o mestre inquestionável da bossa nova, e três das mais proeminentes figuras do tropicalismo e da MPB: Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Este nono trabalho de estúdio de João Gilberto transcende a mera colaboração, representando uma fusão de gerações e estéticas que reverencia as raízes da música brasileira ao mesmo tempo em que a projeta com uma sensibilidade moderna e sofisticada. O disco foi bem recebido pela crítica, sendo considerado um dos melhores da vasta discografia de João Gilberto. Neste projeto, a inconfundível linha do jazz e da bossa nova, característica dos trabalhos anteriores de Gilberto, ganha novas nuances com a inclusão de arranjos orquestrais e elementos da Música Popular Brasileira, tudo sob sua própria produção. A sutileza interpretativa de João se entrelaça com as vozes dos baianos, criando uma atmosfera musical que é ao mesmo tempo íntima e grandiosa, demonstrando a capacidade da música brasileira de evoluir sem perder sua essência. A audição de Brasil revela a maestria de Gilberto em cada acorde e silêncio, consolidando sua reputação como um dos mais importantes artistas do país.

Contexto

O álbum Brasil emerge em um cenário de transição política no Brasil, com o país caminhando para o fim da ditadura militar, período em que o movimento tropicalista havia surgido como uma força subversiva e inovadora. João Gilberto, já aclamado por sua contribuição fundamental para a bossa nova e sua influência sobre sucessivas gerações de músicos, uniu-se a Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, artistas que abertamente o admiravam e que foram pilares do tropicalismo, incorporando rock e psicodelia à música brasileira. As sessões de gravação de 1981 foram notáveis pela confluência única de estilos. As vozes de Gilberto, Veloso e Gil se harmonizam em uníssono, enquanto a participação de Maria Bethânia se destaca por uma interpretação incomum para seu estilo tropicalista, desprovida de seus habituais gritos, gemidos e dramaticidade, adotando uma técnica mais contida e próxima da essência bossa-novista.

Gravação

O álbum Brasil foi cuidadosamente produzido pelo próprio João Gilberto. A gravação foi um processo extenso, levando nove meses para ser finalizado. Os arranjos e a condução ficaram a cargo do renomado Johnny Mandel, que trouxe uma sofisticação orquestral à sonoridade do disco. O concertino foi Gerald Vinci, enquanto a coordenação ficou com Julie Sayers. As sessões de gravação ocorreram em estúdios tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O trabalho foi realizado nos Estúdios da SIGLA, no Rio de Janeiro, e nos Britannia Studios e Sounds Good Recordings, em Los Angeles. A equipe de engenharia de gravação e mixagem contou com Celio Martins e Joel Moss, auxiliados por Eduardo Remalho e Russ Bracher. A masterização digital foi responsabilidade de Lee Herschberg, com a direção de arte e desenho de Rogério Duarte e a fotografia de Rogério Sganzerla.

Músicas

Composto por seis canções, o álbum Brasil apresenta uma seleção que mescla clássicos da música brasileira e versões jazzísticas. Um dos grandes destaques é a interpretação de "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, uma das composições brasileiras mais célebres de todos os tempos. A faixa é um tributo à exuberância e diversidade cultural do país, ganhando uma roupagem única na voz de João Gilberto e seus convidados. Outra canção notável é "Disse Alguém", uma versão em português do clássico do jazz "All of Me", de Gerald Marks e Seymour Simons. A letra em português foi escrita por Haroldo Barbosa, que já havia colaborado com Gilberto em seu álbum anterior, Amoroso. O repertório também inclui "Bahia com H" e "No Tabuleiro da Baiana", de Ary Barroso, "Milagre" de Dorival Caymmi, e "Cordeiro de Nanã", de Dadinho e Mateus.

Legado

Brasil foi aclamado pela crítica, sendo amplamente considerado um dos melhores trabalhos de João Gilberto, apesar de ter sido gravado em um período que alguns críticos apontavam como menos produtivo para o artista. Scott Yanow, do Allmusic, elogiou o álbum por seus "momentos de interesse", destacando a versão brasileira de "All of Me" e os arranjos de Johnny Mandel, além da contribuição vocal de Caetano, Gil e Bethânia. Ele avaliou a versão em CD com a nota máxima de 5 estrelas, sublinhando "Aquarela do Brasil" como um ponto alto e afirmando que o álbum continha "algumas das melhores gravações de João Gilberto posteriores a 1970". O projeto foi reconhecido como bastante criativo, mesmo dentro da fase em que João Gilberto se encontrava, sendo mencionado que ele continuava uma figura introvertida e solitária, vista como excêntrica. A relevância de Brasil se estende até os dias atuais, com o álbum fazendo parte da prestigiada lista dos "500 maiores discos da música brasileira", uma votação realizada pelo podcast Discoteca Básica em 2022. O álbum foi relançado em versão CD em 14 de setembro de 1993, juntamente com o álbum Amoroso, de 1977.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo, Regência

Johnny Mandel

Produção Executiva

Andre Midani, Guto Graça Mello, Krikor Tcherkesian

Produção [Produção Musical], A&R [Produção Artística]

João Gilberto

Violão

João Gilberto

Baixo

Jim Hughart

Bateria

Joe Correro

Flauta

Bud Shank, Eddie Cainf, Glen Garrett, Harry Klee

Harpa

Stella Castellucci

Teclados

Clare Fischer

Percussão

Paulinho Da Costa

Sintetizador

Milcho Leviev

Gravação [Assistant]

Eduardo Ramalho, Russell Bracher

Gravação, Mixagem

Célio Martins, Joel Moss

Coordenação [USA]

Julie Sayers

Capa, Ilustração

Rogério Duarte

Fotografia

Rogério Sganzerla

Referências

Livros