Jongo Trio

Jongo Trio

1965

Capa de Jongo Trio
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Porque Merece Estar na Lista

O álbum de estreia autointitulado do Jongo Trio, lançado em 1965, representa um marco significativo no cenário do jazz-samba brasileiro. Formado em São Paulo por Cido Bianchi no piano, Sabá no contrabaixo e Toninho Pinheiro na bateria, o trio rapidamente se estabeleceu como uma força inovadora, diferenciando-se pela excelência instrumental e pelos arrojados arranjos vocais, grande parte deles criados por Cido Bianchi. Eles foram concebidos com a ambição de emular o sucesso de trios proeminentes da época, como o Tamba Trio, mas logo desenvolveram uma sonoridade própria, caracterizada por uma fusão elegante e versátil de samba e jazz. Este trabalho inaugural não apenas demonstrou a virtuosismo dos músicos, mas também a capacidade do Jongo Trio de reinterpretar e injetar nova vida em composições de grandes nomes da música brasileira, ao lado de talentos emergentes. O álbum é um testemunho da efervescência criativa da bossa nova e do jazz brasileiro na metade da década de 1960, consolidando a identidade de um grupo que, apesar de sua formação original ter sido breve, deixou uma impressão duradoura no panorama musical do país.

Contexto

O Jongo Trio surgiu em 1965 em São Paulo, um período de grande efervescência musical e, ao mesmo tempo, de intensas transformações políticas no Brasil, sob o regime da ditadura militar instaurada em 1964. A bossa nova, nascida no final dos anos 50, já havia conquistado projeção nacional e internacional, e o cenário musical brasileiro fervilhava com a busca por novas sonoridades e a experimentação que mesclava o samba tradicional com influências do jazz. Nesse ambiente, o trio se propôs a construir um repertório sólido de bossa nova, incorporando tanto clássicos de compositores consagrados como Dorival Caymmi, Johnny Alf e Vinicius de Moraes, quanto obras de uma nova geração de talentos, incluindo Hermeto Pascoal, Théo de Barros e Marcos Valle. A formação do Jongo Trio em São Paulo, e não no Rio de Janeiro (berço da bossa nova), também reflete a descentralização e a expansão do movimento por outras capitais brasileiras.

Gravação

O álbum Jongo Trio de 1965 foi lançado pela gravadora Farroupilha Discos, parte da RCA. Embora os detalhes específicos da produção do álbum de estreia sejam escassos, o disco foi gravado em mono e contou com Rogerio Gauss na engenharia de som. O trio, composto por Cido Bianchi (piano), Sabá (contrabaixo e vocal) e Toninho Pinheiro (bateria e vocal), dedicou-se intensamente aos ensaios após sua formação, solidificando rapidamente um repertório coeso e distintivo. A agilidade com que o grupo desenvolveu sua sonoridade e a qualidade técnica da gravação refletem o profissionalismo dos músicos e as práticas de estúdio da época, que buscavam capturar a espontaneidade e a energia das apresentações ao vivo dos trios de bossa nova e jazz-samba. A produção visava a um som limpo e direto, valorizando a interação instrumental e as harmonias vocais que se tornariam a marca registrada do Jongo Trio.

Músicas

O álbum de 1965 do Jongo Trio apresenta doze faixas que evidenciam a versatilidade e a profundidade musical do conjunto. Entre as composições notáveis, destacam-se "O Menino das Laranjas" de Théo de Barros, "Feitinha Pro Poeta" de Baden Powell e Lula Freire, "Terra de Ninguém" e "Deus Brasileiro" de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle, "Ela Vai Ela Vem" de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, "Seu Chopin Desculpe" de Johnny Alf, "Arrastão" e "Reza" de Edu Lobo e Vinicius de Moraes/Ruy Guerra, e "Balanço Nº 1" de Hermeto Pascoal. A interpretação dessas canções pelo Jongo Trio ia além da mera execução, infundindo nas obras originais uma personalidade única e, por vezes, transformando a atmosfera da composição. As características vocais eram um ponto forte, com os três membros contribuindo com harmonias de três vozes que se tornaram uma marca distintiva do grupo. A canção "O Menino das Laranjas", em particular, teve um impacto imediato, sendo uma das que o trio apresentou como ato de abertura em um concerto estrelado, levando-os a tocar mais músicas devido à excelente receptividade do público.

Legado

Apesar de sua formação original ter durado menos de um ano, o Jongo Trio de 1965 deixou um legado notável na música brasileira, com o álbum de estreia sendo considerado um clássico do jazz-samba. A repercussão do grupo surpreendeu até mesmo seus membros décadas depois, evidenciando o interesse duradouro de seu trabalho. O reconhecimento mais amplo do Jongo Trio veio com sua participação no lendário show e álbum "Dois na Bossa", ao lado de Elis Regina e Jair Rodrigues, também em 1965. Este LP alcançou a marca histórica de mais de 500 mil cópias vendidas, um sucesso sem precedentes na música brasileira, consolidando a imagem do trio junto ao grande público. Embora, ironicamente, o trio original não tenha lucrado financeiramente com o sucesso desse álbum, sua contribuição foi crucial para o projeto, que se tornou um marco na MPB. A influência do Jongo Trio e de seu disco de estreia reside na sua representação autêntica do jazz-samba paulista e na sua capacidade de pavimentar o caminho para futuras experimentações no gênero.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Conjunto Farroupilha

Baixo, Vocais

Sebastião "Sabá" Oliveira Da Paz

Bateria, Vocais

Antônio "Toninho" Pinheiro

Conjunto [Trio]

Jongo Trio

Piano, Vocais

Cido Bianchi

Engenheiro de Som [Sound Engineer]

Rogerio Gauss

Capa

Franklin França

Referências

Livros