A Banda Do Zé Pretinho
Jorge Ben
1978
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Por Que Esse Disco é Importante
A Banda Do Zé Pretinho, lançado em 1978, representa um capítulo vibrante e acessível na vasta discografia de Jorge Ben. Este álbum marca a transição do artista para a gravadora Som Livre e a ascensão de uma nova banda, que não apenas empresta seu nome ao disco, mas também consolida uma sonoridade mais pop e eletrificada, que já vinha sendo explorada em trabalhos anteriores. O trabalho demonstra a habilidade ímpar de Jorge Ben em fundir samba, funk, soul e disco, criando um ritmo contagiante que se tornou sua marca registrada. Com uma atmosfera festiva e um suingue irresistível, A Banda Do Zé Pretinho reforça a genialidade de Jorge Ben como um dos pilares da Música Popular Brasileira. O álbum cativa pela sua energia e pela maneira como Ben reinventa sua própria linguagem musical, mantendo a sofisticação rítmica e as letras que celebram a cultura brasileira, o futebol, as mulheres e a religiosidade, mas com uma roupagem mais convidativa e dançante. É um disco que convida à celebração e à união através da música, evidenciando a diversidade instrumental e o protagonismo de figuras populares.
Contexto
Lançado no final da década de 1970, A Banda Do Zé Pretinho emerge em um período de grande efervescência artística para Jorge Ben, que já havia consolidado sua reputação como um inovador na MPB. Os anos 70 foram o auge comercial e artístico de sua carreira, nos quais ele eletrificou sua guitarra e aprofundou as influências de rock e funk em seu samba-rock característico. Este álbum, o décimo sexto de sua carreira, assinala uma importante mudança. Além da troca da Philips pela Som Livre, Jorge Ben substituiu sua então banda, Admiral Jorge V, pela recém-formada Banda do Zé Pretinho, que daria um novo fôlego e identidade sonora aos seus trabalhos. A mudança de banda e de gravadora coincidiu com uma "guinada pop" em sua obra, tornando-o ainda mais alinhado às tendências musicais globais e garantindo maior comunicação com o público.
Gravação
A produção de A Banda Do Zé Pretinho esteve sob a responsabilidade de Paulinho Tapajós, com as gravações e mixagens realizadas nos Estúdios Sigla, no Rio de Janeiro. O processo de gravação ocorreu entre dezembro de 1977 e janeiro de 1978, consolidando a sonoridade característica do álbum. Os técnicos de gravação Don Lewis e Celinho foram fundamentais na captação do som, contando com o apoio dos auxiliares de estúdio Jorge, Mário, Carlos e Cláudio. A montagem ficou a cargo de Ieddo, enquanto a direção de arte da capa foi assinada por Noguchi, com arte-final de Rubens e Wanderlen e fotografia de Fernando de Carvalho. A masterização foi realizada pela Promaster.
Músicas
O repertório de A Banda Do Zé Pretinho, inteiramente autoral e composto sem parceiros, é um reflexo da fase mais pop e acessível de Jorge Ben, abordando temas recorrentes em seu cancioneiro, como futebol, mulheres e religião. A faixa-título, "A Banda do Zé Pretinho", tornou-se um grande sucesso e hino de celebração, com sua melodia dançante e letras que exaltam a união através da música e o protagonismo negro na cultura brasileira. Outros destaques incluem o samba "Amante Amado", que ganhou projeção nacional ao integrar a trilha sonora da novela Dancin' Days da TV Globo, e as faixas futebolísticas "Troca Troca" e "Cadê o Penalty?". A canção "Troca Troca", elogiada pela crítica na época, é uma divertida referência às movimentações do futebol carioca, enquanto "Cadê o Penalty?" se tornou um clássico sobre o esporte. O álbum também apresenta composições dedicadas a figuras femininas, como "Bérénice" e "Denize Rei", e temas religiosos como "Menino Jesus de Praga" e "Viva São Pedro".
Legado
A Banda Do Zé Pretinho foi recebido de forma bastante positiva pela crítica contemporânea. O jornal O Pioneiro o descreveu como uma "simples homenagem para: O mais Brasileiro, o mais estrangeiro, o mais alto, o mais baixo, e assim por diante". O Diário de Pernambuco também elogiou o álbum, destacando a faixa "Troca Troca", enquanto o Cidade de Santos afirmou que o disco demonstra "o nível de Jorge Ben e a sua Banda do Zé Pretinho". O impacto duradouro do álbum é evidenciado por seus relançamentos e homenagens. Em 2017, o disco foi incluído em um boxset intitulado Era Uma Vez a Banda Do Zé Pretinho. Em 2018, em comemoração aos 40 anos de seu lançamento original, o álbum foi relançado em LP, em vinil de 180 gramas, reafirmando sua importância na discografia de Jorge Ben e na música brasileira.