Ben É Samba Bom
Jorge Ben
1964

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Por Que Esse Disco é Importante
Ben É Samba Bom, lançado em 1964, representa um marco fundamental na discografia inicial de Jorge Ben, consolidando o estilo que o tornaria uma das figuras mais inovadoras da música brasileira. Neste seu terceiro álbum de estúdio, o artista aprofunda a fusão do samba tradicional com elementos da bossa nova e influências incipientes do soul e do jazz, criando uma sonoridade inconfundível que transcende as categorias musicais da época. Sua guitarra singular e o canto expressivo, com seu timbre característico, são elementos centrais que conferem ao disco uma identidade vibrante e autêntica. O álbum merece atenção por sua originalidade e pela forma como Jorge Ben continua a lapidar sua linguagem musical. Ele não apenas experimenta ritmos e harmonias, mas também tece narrativas líricas que exploram o cotidiano, o amor e a cultura brasileira com uma leveza e profundidade únicas. Ben É Samba Bom é, portanto, um testemunho do gênio criativo de um artista que estava em plena efervescência, pavimentando o caminho para futuras experimentações e definindo um som que reverberaria por gerações.
Contexto
Lançado no efervescente ano de 1964, Ben É Samba Bom surge em um período de intensa criatividade para Jorge Ben e para a música brasileira em geral. O ano marcou também o lançamento de seu segundo álbum, Sacundin Ben Samba, e ambos consolidavam o som inovador que ele já havia apresentado em sua estreia, Samba Esquema Novo, de 1963. Naquele momento, o Brasil vivia uma transição cultural e política, com a Bossa Nova ainda em evidência, mas com novas propostas rítmicas e melódicas emergindo, abrindo espaço para a genialidade de artistas como Jorge Ben, que propunham uma "nova batida" para o samba. Jorge Ben, que havia estourado com "Mas Que Nada" e já era reconhecido por sua forma única de tocar violão e compor, continuava a explorar as fronteiras entre o samba de raiz, a sofisticação da bossa e a energia do que viria a ser a MPB. O álbum reflete essa busca por uma sonoridade que, ao mesmo tempo que respeitava as tradições, ousava incorporar influências diversas, pavimentando o terreno para a tropicalidade e a fusão de gêneros que marcariam a música brasileira nas décadas seguintes.
Gravação
A gravação de Ben É Samba Bom contou com uma seleção de músicos talentosos, que ajudaram a moldar a sonoridade distintiva do álbum. Jorge Ben Jor, o maestro por trás da obra, assumiu o violão, instrumentação central que caracterizava seu estilo. Ao seu lado, nomes importantes da cena musical brasileira da época contribuíram para a riqueza arranjística do disco: J.T. Meirelles, conhecido por sua versatilidade, empregou flauta e saxofone, adicionando camadas melódicas e de sopro às composições. Pedro Paulo se destacou no trompete, contribuindo com a seção de metais que, segundo algumas críticas, por vezes se mostrava ousada demais. A base rítmica foi solidificada pelo baixo de Manuel Gusmão e pela bateria de Dom Um Romão, um percussionista renomado que traria sua expertise para a polirritmia característica do samba e da bossa. O produtor Armando Costa foi o responsável por guiar o processo criativo em estúdio, provavelmente nos renomados estúdios da Philips no Rio de Janeiro, buscando capturar a essência da inovação de Jorge Ben em cada faixa.
Músicas
As faixas de Ben É Samba Bom exibem a diversidade composicional de Jorge Ben, embora o álbum também inclua contribuições de outros compositores renomados, enriquecendo o repertório. Canções como a icônica "Bicho do Mato" e "Saída do Porto" destacam-se pela inventividade melódica e pelas letras que evocam imagens poéticas e o imaginário brasileiro, muitas vezes com um toque de misticismo e observação social. A presença de "Descalço no Parque" no relançamento americano também aponta para a relevância dessa canção em particular, que exemplifica a leveza e a fluidez lírica do artista. O álbum transita por sambas mais cadenciados e outros com uma pulsação mais acelerada, como em "Zópe Zópe", que no relançamento americano ganhou o sugestivo título "Shuffling Along", indicando seu ritmo envolvente. A inclusão de "Ôba Lá Lá", um clássico de João Gilberto, mostra a reverência de Ben à bossa nova, ao mesmo tempo em que a reinterpreta com sua assinatura rítmica. Composições como "Onde Anda o Meu Amor" (de Orlandivo e Roberto Jorge), "Vou de Samba com Você" (de João Mello) e "Samba Legal" (de Henrique de Almeida e Claudionor Sant'Anna) demonstram a capacidade de Jorge Ben de curar um repertório que, mesmo com múltiplas autorias, mantém uma coerência estética sob sua direção artística.
Legado
Ben É Samba Bom, apesar de talvez não ser tão amplamente aclamado quanto seu antecessor direto, Samba Esquema Novo, teve uma recepção crítica notável e solidificou a posição de Jorge Ben como um inovador. A revista Sepia, em 1967, ao analisar o relançamento americano intitulado Big Ben Strikes Again, elogiou a "voz expressiva" de Ben, descrevendo-a como "áspera, quente e muito brasileira", reconhecendo-o como uma das razões para a influência da música e do ritmo brasileiro na cultura popular americana e europeia. Esse reconhecimento internacional precoce é um testemunho da universalidade de seu som. Contudo, nem todas as críticas foram uniformemente positivas. Rodney Taylor, em uma avaliação retrospectiva, sugeriu que o álbum "perdeu este equilíbrio", e que os arranjos de trompas em algumas faixas poderiam ser "desajeitados", "oprimindo as canções mais fracas". Essa ressalva, porém, não diminui o valor do álbum como peça fundamental na construção da sonoridade de Jorge Ben. O relançamento internacional pela Philips Records, com um título e faixas adaptadas, evidencia o interesse global em sua música, reforçando o legado de um artista que, com Ben É Samba Bom, continuou a expandir os horizontes do samba e da música brasileira.
Faixas
Créditos
Armando Pittigliani
Sylvio Rabello
Célio Martins
Paulo Breves
Mafra
Análises
Ben É Samba Bom – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Jorge Ben - Ben é Samba Bom (1964) [Salve, Jorge! Boxset]
flabbergasted-vibes.org
Flabber mini-review I probably wouldn`t give such an unconditional laudatory review to this album. It has its classics, for sure, but for me it might be the weakest of Ben`s early output. It is also the second album he released in 1964, and contains more songs written by other people than any other Jorge Ben album from this first phase of his ...