Negro É Lindo
Jorge Ben Jor
1971

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Negro É Lindo, lançado em 1971, é um dos discos mais emblemáticos de Jorge Ben Jor, marcando sua oitava obra de estúdio. O álbum se destaca por ser uma declaração explícita de afirmação racial, cujo título é uma tradução direta do slogan "Black is Beautiful", reverberando o movimento pelos direitos civis norte-americanos no contexto brasileiro. Musicalmente, o trabalho consolida o estilo singular de Jorge Ben Jor, um samba-rock inventivo e percussivo que incorpora elementos de soul e funk, criando uma sonoridade inconfundível. Mesmo com arranjos de cordas marcantes, o violão do artista permanece o motor rítmico, sintetizando influências africanas presentes tanto na música brasileira quanto na americana. Embora não tenha sido o maior sucesso comercial do artista, Negro É Lindo mantém um frescor musical notável e uma relevância atemporal, especialmente em seu diálogo com as discussões sobre a valorização da vida e cultura negras.
Contexto
O lançamento de Negro É Lindo ocorreu em um período em que os movimentos sociais do "black power" nos Estados Unidos já influenciavam a cultura brasileira, abrindo espaço para artistas que explicitavam a negritude em suas obras. Jorge Ben Jor, por sua vez, já era uma figura consolidada na música brasileira, conhecido por sua capacidade de transitar e ser admirado por diversos movimentos estéticos como a Bossa Nova, Jovem Guarda e o Tropicalismo. Este álbum marca o encerramento da prolífica parceria de Jorge Ben Jor com o Trio Mocotó, um grupo de samba-rock formado por Fritz Escovão, João Parahyba e Nereu Gargalo. A colaboração, que se iniciou após um encontro na boate Jogral em São Paulo, gerou uma trilogia fonográfica de grande impacto na música brasileira, da qual Negro É Lindo é a terceira e última parte.
Gravação
Negro É Lindo foi lançado em novembro de 1971 pela gravadora Philips. A produção do disco esteve a cargo do compositor e violonista Paulinho Tapajós, que soube harmonizar os diversos elementos que compõem o universo musical de Jorge Ben Jor. Os arranjos de cordas, presentes em faixas como a música-título, "Porque É Proibido Pisar na Grama" e "Cigana", foram orquestrados pelo maestro Arthur Verocai, adicionando uma camada sofisticada à sonoridade. No entanto, o elemento central e impulsionador do álbum é o violão de Ben Jor, que, com seu toque alquimista, cria uma fusão de ritmos negros do Brasil e dos Estados Unidos.
Músicas
O álbum é composto por dez faixas, todas de autoria de Jorge Ben Jor, com coautorias de Toquinho em "Cassius Marcelo Clay" e "Que Maravilha". A canção-título, "Negro É Lindo", é um hino de autoaceitação e orgulho, repetindo a afirmação "Negro é lindo / Negro é amor / Negro é amigo / Negro também é Filho de Deus", e expressa o desejo de que seu filho cresça sem ser prejudicado pelo racismo. A faixa de abertura, "Rita Jeep", é um samba-rock animado que presta homenagem à cantora Rita Lee, com quem Ben Jor compartilhava os estúdios em São Paulo. Outros destaques incluem "Cassius Marcelo Clay", uma homenagem eletrizante ao lendário boxeador e ativista Muhammad Ali, e "Comanche", que celebra o baterista do Trio Mocotó, João Parahyba. A beleza negra é exaltada em "Zula", enquanto "Que Maravilha" é revivida com o leve toque de um piano. O disco encerra com "Palomaris", que, apesar de versos melancólicos, é impulsionada pelo ritmo característico do artista.
Legado
Negro É Lindo, embora não tenha sido o álbum de maior sucesso comercial de Jorge Ben Jor, é reconhecido como uma obra fundamental em sua trajetória. Sua mensagem de orgulho negro o conecta diretamente com os movimentos contemporâneos de reafirmação da importância das vidas negras, mantendo-se atual e relevante mesmo décadas após seu lançamento. O álbum desempenhou um papel significativo no movimento negro brasileiro, atuando como um referencial para a exaltação da cultura e identidade afro-brasileira. Especialistas destacam como composições que afirmam positivamente a negritude são cruciais para a reconstrução da identidade e o combate à invisibilidade em um país com histórico de racismo.
Faixas
Podcasts
Brazuca Sounds on Patreon · Leandro Vignoli
In episode #21 we discussed Jorge Ben's album, "Negro é Lindo", released by Philips in November 1971. It was Jorge Ben's third and last studio album recorded with Trio Mocotó as his backup band. An ending to a trilogy, the arrangements are more centered on the acoustic guitar, the fruit of his partnership with producer Paulinho Tapajós, who directed Jorge Ben’s recordings between 71 and 75, includ
Brazuca Sounds · Leandro Vignoli
In episode #21 we discussed the album "Negro é Lindo", released by Philips in November 1971. It was Jorge Ben's third and last studio album recorded with Trio Mocotó as his backup band. An ending to a trilogy, the arrangements are more centered on the acoustic guitar, possibly the fruit of his partnership with Paulinho Tapajós, who directed Ben’s recordings between 71 and 75, including his future
QUER QUE EU RESENHE? · André Marx
Em sua primeira resenha de disco neste 2021, André Marx fala sobre um clássico absoluto, pero meio que deixado à margem, do gênio Jorge Ben. Sejam bem-vind@s ao Canal/Podcast QUER QUE EU RESENHE? e esperamos que vocês gostem.
Vídeos
Jorge Ben - Negro é Lindo (1971) | ALBUM REVIEW
QUER QUE EU RESENHE?
Álbum de Jorge Ben em 1971, 'Negro é lindo' se afina com 'black power' de 2021 ao fazer 50 anos
Kathy Gray
Livros
África Brasil
Kamille Viola · 2021
Este livro narra a jornada de Jorge Ben álbum a álbum até chegar a África Brasil, seu 14º LP de estúdio, um marco de 1976. Detalha como o artista trocou o violão pela guitarra elétrica e a evolução de sua carreira. Como 'Negro É Lindo' (1971) é um álbum anterior a 'África Brasil' e parte integrante da discografia do artista, será coberto na análise faixa a faixa.
Que maravilha
Francisco Silva · 2018
O livro explora as canções de Jorge Ben Jor, produzidas desde a década de 1960, como fonte para entender a sua definição de música: 'urbana, suburbana, africana e oriental', e como elas possibilitaram e ainda possibilitam o repensar de relações sociais e culturais. Como 'Negro É Lindo' (1971) se encaixa nesse período, o álbum será certamente abordado em profundidade.
Análises
Negro É Lindo – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
Álbum de Jorge Ben em 1971, Negro é lindo se afina com black power de ...
florianonews.com
MEMÓRIA - Oitavo álbum de estúdio de Jorge Ben Jor, lançado em novembro de 1971 pela gravadora Philips, Negro é lindo é fruto dos movimentos sociais que institucionalizaram o black power nos Estados Unidos ao longo dos anos 1960 e, por isso mesmo, o disco completa 50 anos em 2021 conectado e afinado com o grito pela ...
Álbum de Jorge Ben em 1971, 'Negro é lindo' se afina com 'black ... - G1
g1.globo.com
Negro é lindo está longe de ser o álbum comercialmente mais bem-sucedido de Jorge Ben Jor. O disco tampouco rendeu um grande sucesso para o repertório do cantor e compositor.
Universidade Federal da Bahia: Do negro é lindo (1971) ao nada como um ...
repositorio.ufba.br
O presente trabalho analisa a influência de Jorge Ben Jor nas obras do grupo Racionais MC's, abordando a arte como forma de resistência dos negros em diáspora e sua contribuição para a formação da negritude brasileira contemporânea.
Pantheon: Negro é lindo: a música como ruptura do estigma das ... - UFRJ
pantheon.ufrj.br
Através da análise da música Negro é Lindo, de Jorge Ben Jor, como exemplo de uma masculinidade negra positiva, o compartilhamento de vivências atravessadas pela questão racial é apontado na prática da escuta em ambientes digitais. Cada homem negro é único, e deve viver sua própria complexidade.