Tropical

Jorge Ben Jor

1976

Capa de Tropical
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

O álbum homônimo de Jorge Ben, lançado em 1969, representa um marco fundamental na música brasileira, consolidando a identidade artística de um dos maiores inovadores do país. Considerado uma obra-prima do samba-soul, o disco amalgama de forma singular o suingue do samba, a energia do funk, a psicodelia e a profundidade da soul music, criando um som vibrante e atemporal. Sua importância reside não apenas na genialidade de suas composições, mas também na maneira como Ben transcendeu e sintetizou gêneros brasileiros e americanos, pavimentando caminhos para a MPB. Este álbum é uma expressão vívida do samba-rock, estilo que Jorge Ben ajudaria a definir e popularizar, com suas batidas percussivas e o violão marcante. Apresentando canções que se tornariam hinos da cultura brasileira, como "País Tropical" e "Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais De Mim)", o disco é uma celebração da vida cotidiana, do amor e da identidade afro-brasileira, embalada por uma sonoridade única que explodiu com uma incrível sensação de energia.

Contexto

O lançamento de Jorge Ben em 1969 ocorreu em um período efervescente da cultura brasileira, no auge do movimento Tropicália, com o qual o álbum dialoga artisticamente, ainda que de forma particular. Este foi o sexto álbum de estúdio do artista e marcou seu retorno triunfal à gravadora Philips, após um período de afastamento desde 1965, motivado por diferenças criativas e álbuns de menor repercussão comercial. A volta de Jorge Ben à Philips foi impulsionada pelo apoio de nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil, que reconheceram sua visão musical transcendedora de gêneros. O disco surgiu também em um contexto político de ufanismo, característica que, embora mais associada à versão de Wilson Simonal de "País Tropical", permeava o ambiente social da época e encontrava ressonância em elementos da celebração da brasilidade presente na obra de Ben.

Gravação

O álbum Jorge Ben foi cuidadosamente gravado nos estúdios C.B.D. no Rio de Janeiro e Scatena em São Paulo, sob a direção de produção de Manoel Barenbein. Para a gravação, Ben selecionou canções que vinha desenvolvendo nos anos anteriores, incorporando sua visão de um samba-rock único. Um dos elementos cruciais para a sonoridade do álbum foi a participação do Trio Mocotó, grupo vocal e percussivo que Ben conheceu durante suas apresentações na noite paulistana, fornecendo a base rítmica característica e coesa. Além disso, os arranjos orquestrais, essenciais para a dimensão psicodélica e soul do disco, foram concebidos por José Briamonte na maioria das faixas, com Rogério Duprat, figura central da Tropicália, sendo responsável pelos arranjos de "Barbarella" e "Descobri que Eu Sou um Anjo", adicionando um brilho psicodélico notável.

Músicas

A lista de faixas de Jorge Ben é um tesouro de composições que capturam a essência criativa do artista. Além do sucesso estrondoso de "País Tropical" e da melancolia suave de "Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais De Mim)", o álbum presenteia o ouvinte com joias como "Criola", "Domingas" e a divertida "Barbarella", um tributo lúdico ao filme homônimo de Jane Fonda. Outras canções marcantes incluem a socialmente consciente "Take It Easy My Brother Charles", que aborda temas de raça, identidade e resiliência, e a curiosa "Quem Foi Que Roubou A Sopeira De Porcelana Chinesa Que A Vovó Ganhou Da Baronesa?". As letras de Ben, frequentemente caracterizadas por reflexões excêntricas, repetições hipnóticas e palavras sem sentido, exploram o cotidiano brasileiro, romances e a identidade afro-brasileira, sempre com seu violão de batida forte ditando o ritmo do samba.

Legado

Jorge Ben foi um divisor de águas na carreira do artista, marcando seu retorno comercial e consolidando sua posição como um inovador na música brasileira. Embora "País Tropical" tenha sido inicialmente popularizada por Wilson Simonal, a versão de Jorge Ben no álbum homônimo se tornou o maior sucesso de sua carreira, e a canção passou a ser inseparavelmente associada ao seu autor. O álbum é reverenciado pela crítica como uma obra-prima do samba-soul, sendo frequentemente associado aos movimentos samba-rock e Tropicália. Reconhecido como um trabalho seminal, o disco de 1969 introduziu muitos dos elementos da fusão única de samba, funk, rock e bossa nova que se tornaria a marca registrada de Ben. Sua influência foi tamanha que "incendiou uma geração inteira" e inspirou um movimento underground do samba-rock, com suas batidas hipnóticas sendo copiadas por inúmeros artistas. O álbum foi reeditado nos Estados Unidos em 2008 e novamente em 2018, demonstrando seu reconhecimento internacional e duradouro impacto na música mundial.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Fotografia [Recto]

Jacques Morell

Fotografia [Verso]

Jacques Aubert, Jacques Morell

Referências