Feminina
Joyce
1980

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Por Que Esse Disco é Importante
Lançado em 1980, Feminina representa um marco crucial na discografia de Joyce Moreno, consolidando-a como uma das vozes mais originais e influentes da Música Popular Brasileira. O álbum não só capturou a essência da MPB com toques de Latin jazz, como também revelou a profundidade de sua composição e sua habilidade única como cantora e violonista. A faixa-título e a emblemática "Clareana" se destacaram, mas foi a redescoberta internacional que elevou Feminina ao status de clássico atemporal. Este trabalho de Joyce é notável por sua sonoridade sofisticada e letras introspectivas, que abordam temas femininos com sensibilidade e força. Sua música, que transita entre o lírico e o rítmico, encontrou uma nova vida nas pistas de dança europeias e japonesas anos depois de seu lançamento, provando a universalidade e a duradoura qualidade de sua arte. Feminina é, portanto, um álbum que transcendeu fronteiras e gerações, solidificando o lugar de Joyce como uma inovadora da música brasileira.
Contexto
O lançamento de Feminina em 1980 marcou o retorno de Joyce Moreno a uma fase de intensa produção após um período de dedicação à maternidade, tendo lançado seu álbum anterior, Passarinho Urbano, em 1976. Antes disso, Joyce já havia construído uma carreira significativa desde o final dos anos 60, experimentando com bossa nova e jazz, e colaborando com nomes como Vinicius de Moraes e Nelson Angelo. O álbum também surge após a turbulenta experiência de Joyce com o projeto "Natureza", gravado em Nova York em 1977 com o arranjador Claus Ogerman e músicos renomados, mas que, devido à falência da gravadora Horizon, permaneceu inédito por décadas, contendo uma versão expandida da própria canção "Feminina". Assim, Feminina emerge como um trabalho de maturidade artística, onde Joyce pôde exercer um maior controle criativo, refletindo suas experiências e consolidando sua identidade musical em um período de transição para a MPB. A artista, que já era conhecida por suas letras com uma "inclinação feminista" e por ser uma mulher que escrevia e tocava suas próprias canções em um cenário musical predominantemente masculino, encontrou em Feminina um veículo para expressar sua visão de mundo.
Gravação
Feminina foi gravado em janeiro de 1980, nos Odeon Studios no Rio de Janeiro, com a produção executiva de José Milton. A gravação contou com uma equipe de músicos talentosos, incluindo Joyce nos vocais e violão clássico, Mauro Senise na flauta e saxofone, Danilo Caymmi e outros na flauta, Helvius Vilela no piano, Hélio Delmiro e Claudio Guimarães na guitarra, Fernando Leporace no baixo e vocais, e Tutti Moreno na bateria e percussão. A concepção visual do álbum também é marcante. A capa, assinada pelo fotógrafo Luiz Fernando e sua esposa Luhli, retrata Joyce sem maquiagem, tocando seu violão – um instrumento que, embora não totalmente visível na imagem, é fundamental para sua identidade artística e está presente em seu olhar. O logotipo com o nome do disco, sugerido por Luhli, que habilmente integra a imagem de um violão à letra "f" de "Feminina", tornou-se um símbolo icônico para a cantora, reforçando a conexão indissociável entre Joyce e seu instrumento.
Músicas
O álbum Feminina é um compêndio de composições que refletem a sensibilidade e a criatividade de Joyce Moreno. A canção "Clareana", dedicada às suas filhas Clara e Ana, tornou-se um sucesso nacional após sua apresentação no Festival MPB 80, projetando Joyce a um novo patamar de reconhecimento popular. A letra inclusive antecipa a chegada de sua terceira filha, Mariana, com o verso "Clara, Ana e quem mais chegar...". A faixa-título, "Feminina", é outra joia do disco, conhecida por sua melodia envolvente e pela profundidade de sua letra, que aborda um diálogo entre mãe e filha sobre o significado de ser mulher. Além dessas, o álbum apresenta outras canções que caíram no gosto do público, como "Essa Mulher" e "Mistérios", coescrita com Maurício Maestro. Um destaque singular é a faixa instrumental-vocal "Aldeia de Ogum", onde a voz de Joyce é usada como um instrumento, num scat infeccioso que mescla jazz e ritmos brasileiros, revelando a liberdade musical da artista e se tornando um hino das pistas de dança na redescoberta do álbum.
Legado
Feminina não só consolidou a carreira de Joyce no Brasil, com o estrondoso sucesso de "Clareana" e outras faixas, mas também pavimentou o caminho para sua eventual projeção internacional. O álbum foi redescoberto nos anos 1990 por DJs ingleses, notadamente Gilles Peterson, que levaram a faixa instrumental "Aldeia de Ogum" para as pistas de dança. Essa redescoberta abriu um novo e significativo público para a compositora na Europa e no Japão, reacendendo o interesse por sua obra e levando à reedição de seus álbuns dos anos 70 e 80. Considerado um "cult classic", Feminina é um testemunho da atemporalidade da música de Joyce, que continua a encantar novas gerações de ouvintes e músicos ao redor do mundo. Sua influência se estende para além do nicho da MPB, sendo um álbum frequentemente citado em coleções e reedições que celebram a riqueza da música brasileira. A versão original da canção "Feminina", gravada em Nova York em 1977 para o álbum inédito "Natureza", também viu seu lançamento póstumo, adicionando outra camada ao legado complexo e fascinante do álbum de 1980.
Faixas
Créditos
Joyce
Gilson Peranzzetta
Fernando Leporace, Mauricio Maestro
José Milton
Mariozinho Rocha
Ana Martins, Clara Moreno, Fernando Leporace, Lizzie Bravo
Joyce
Fernando Leporace
Tutty Moreno
Danilo Caymmi, Jorge Ferreira Da Silva, Mauro Senise, Paulo Guimarães
Cláudio Guimarães, Hélio Delmiro
Joyce
Joyce, Tutty Moreno
Helvius Vilela
Mauro Senise
Chiquinho, Dacy Rodrigues, Sérgio Bittencourt
Nivaldo Duarte
Tadeu Valério
Luiz Fernando Borges Da Fonseca
Lizzie Bravo
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In episode #87, we celebrate 45 years of the album "Feminina" released by Joyce Moreno in 1980. Arguably, her most important work, with feminist ideas ahead of her time, especially considering the Brazilian socio-political context. A jack of all trades, Joyce wrote all the lyrics and plays the guitar beautifully, enhanced by her charming voice. Among the album's highlights are "Feminina", an inter
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Álbum 3 – 1978 a 1993
Pedro Alexandre Sanches · 2024
Esta obra faz parte de uma série que reconta a história da música brasileira através de seus discos, focando neste volume o período de 1978 a 1993. Considerando que 'Feminina' de Joyce foi lançado em 1980, é altamente provável que o álbum seja abordado ou que a obra de Joyce neste período seja analisada em profundidade, como parte da narrativa crítica de Pedro Alexandre Sanches.

Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos
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Finas flores
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O livro investiga e reposiciona o papel das mulheres compositoras e letristas na história da MPB, que muitas vezes foram secundarizadas. Joyce é uma figura central nesse contexto, e o álbum 'Feminina', com suas letras e a própria figura da artista, é intrinsecamente ligado à temática de contribuição feminina na música brasileira, tornando-o altamente relevante para este estudo.

300 Discos Importantes da Música Brasileira
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Idealizado pelo baterista dos Titãs e pesquisador musical Charles Gavin, o livro de 434 páginas reúne capas e resenhas de discos lançados entre 1929 e 2007. Os textos ficaram a cargo dos jornalistas Tárik de Souza, Arthur Dapieve e Carlos Calado.
Análises
Feminina – Wikipedia
Wikipédia, a enciclopédia livre
"Feminina", Joyce Moreno (1980) - lucasbonetti.com.br
lucasbonetti.com.br
Hoje trago um álbum que talvez voce já conheça. Mas tudo bem né? Se é bom, vale a pena ouvir de novo. O álbum Feminina (1980) da cantora, violonista, compositora Joyce Moreno (1948-) é o sétimo álbum da carreira dela.
Tarati Taraguá: A Feminina Joyce (Revista Música - 1980)
taratitaragua.blogspot.com
Ao longo dos anos o trabalho de Joyce só foi amadurecendo e seu nome ganhando cada vez mais prestígio. Em 1980, a cantora lançava o álbum, Feminina, e na ocasião a revista Música nº 43 trazia uma matéria com Joyce, falando de sua carreira e de seu novo disco.
Vitrola Review | Joyce - Feminina - Alataj
alataj.com.br
E, no melhor estilo best of, nasce, também em 1980, o álbum considerado marco em sua carreira: Feminina. A obra é um conjunto das faixas sucessos na versão fresca de Joyce, a singela Clareana e outras faixas de sua autoria.
"Feminina" (1980), Joyce Moreno - A música de
amusicade.com
Ouvir o disco Feminina (1980) de Joyce Moreno, produzido imediatamente antes da redemocratização, hoje, imediatamente após a ocupação bolsonarista do Estado brasileiro, é uma experiência entretempos singular.