Nelson Ângelo E Joyce

Joyce & Nelson Ângelo

1972

Capa de Nelson Ângelo E Joyce
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Por Que Esse Disco é Importante

O álbum Nelson Ângelo E Joyce, lançado em 1972, é uma obra-prima que se destaca por sua sonoridade intimista e singular dentro do cenário da MPB. É reconhecido como um LP subestimado, porém de beleza ímpar, que mescla bossa nova, folk psicodélico e percussão ritualística, proporcionando uma experiência auditiva única e espiritual. A colaboração entre Joyce e Nelson Ângelo resulta em arranjos acústicos meditativos e vocais ternos, criando uma atmosfera nebulosa e noturna que convida à contemplação. Este trabalho é considerado indispensável para apreciadores da música brasileira, sendo um registro de profunda sensibilidade e originalidade. Sua estética diferenciada, que transita entre o bucólico e o transcendental, faz dele um marco na discografia de ambos os artistas e um ponto de referência para a fusão de estilos que caracterizou a música brasileira daquela década. Com sua sofisticação na simplicidade, o álbum oferece um refúgio sonoro, onde as melodias e as letras exploram temas filosóficos e a conexão com a natureza, apresentando uma proposta musical que transcende o convencional e permanece relevante.

Contexto

O ano de 1972 foi um período conturbado no Brasil, marcado pela ditadura militar e pela efervescência cultural em que artistas buscavam novas formas de expressão para driblar a censura. É nesse cenário que Nelson Ângelo e Joyce, então com cerca de 22-23 anos, uniram suas trajetórias artísticas e pessoais para criar este álbum. Nelson Ângelo era parte integrante do movimento Clube da Esquina, tendo colaborado com nomes como Naná Vasconcelos e Lô Borges. Joyce, uma talentosa cantora e violonista que viria a trabalhar com Vinicius de Moraes, já se destacava por suas composições e por interpretar canções de figuras como Caetano Veloso. O encontro dos artistas ocorreu durante uma turnê com o grupo A Sagrada Família, e em 1970, eles formaram a banda A Tribo. Além da parceria musical, Nelson e Joyce casaram-se e tiveram duas filhas. Este álbum conjunto representou o único registro profissional de Joyce entre os anos de 1971 e 1975, sublinhando a importância e a exclusividade desta colaboração.

Gravação

O álbum Nelson Ângelo E Joyce foi gravado em 1972, sob a produção da Odeon e a direção do Maestro Gaya. A gravação se caracteriza por sua sonoridade sofisticada na simplicidade, explorando arranjos predominantemente acústicos. O duo contou com a participação de um time de músicos notáveis, muitos deles oriundos de Minas Gerais, o que conferiu ao trabalho uma forte ligação com o estilo MPB mineiro. Entre os colaboradores estavam Lô Borges, Danilo Caymmi, Novelli, Toninho Horta, Tenório Jr. e Beto Guedes. Detalhes sobre o processo de gravação revelam a incorporação de sons da natureza e percussão ritualística nos arranjos, contribuindo para a atmosfera mística e etérea do álbum. A capa do disco, que mostra Nelson Ângelo como se estivesse flutuando nas nuvens, reflete a leveza e a profundidade psicodélica da música contida nele.

Músicas

As treze canções de Nelson Ângelo E Joyce são caracterizadas por sua brevidade e pela habilidade do duo em criar uma ampla variedade de atmosferas em pouco tempo, resultando em uma obra coesa e satisfatória. As letras são poéticas e introspectivas, abordando temas como a jornada da vida, a conexão com a natureza e a busca por paz em um mundo conturbado. Faixas como a abertura "Um Gosto de Fruta" estabelecem o tom com suas mudanças angulares de acordes e melodia cativante. "Comunhão" é um dos destaques, com seu coro melodioso de 'na-na-nas', que, junto a elementos como sons de pássaros e percussão sutil, cria uma sensação espiritual e inebriante. "Meus Vinte Anos", composta por Joyce, é enriquecida por um acompanhamento de cravo encantador, enquanto "Ponte Nova" alcança um clímax transcendental antes de desaparecer. A diversidade do álbum inclui canções folk e calmas como "Sete Cachorros" e "Tiro Cruzado", e outras que, como "Mantra" e "Pessoas", funcionam como uma prece de amor e esperança diante das adversidades.

Legado

Nelson Ângelo E Joyce é amplamente considerado um clássico cult da música brasileira e uma joia essencial para colecionadores e amantes da MPB e do folk psicodélico. Sua recepção crítica tem sido consistentemente positiva, com o álbum sendo descrito como indispensável. O disco adquiriu um status de item raro, com as prensagens originais de 1972 alcançando valores significativos no mercado de vinil, ultrapassando £700 em algumas ocasiões. O interesse renovado no álbum foi impulsionado na década de 1990 por DJs brasilófilos como Gilles Peterson, que introduziram suas faixas em clubes de Londres. Desde então, o álbum foi relançado em CD em 2002 e em vinil em 2019, embora as reedições sejam rapidamente esgotadas, evidenciando a persistente demanda. Sua conexão com o movimento Clube da Esquina e sua contribuição para a fusão de estilos no cenário da MPB solidificam seu lugar como um marco histórico na música brasileira. Em plataformas como o Discogs, o álbum mantém uma avaliação média alta de 4.66 de 5 estrelas, baseada em diversas avaliações, refletindo sua contínua apreciação.

Faixas

Créditos

Arranjo, Regência, Orquestração

Nelson Angelo

Direção [Musical Director]

Lindolfo Gaya

Produção

Milton Miranda

Produção [Assistant]

Renato Corrêa

Coro

Danilo Caymmi, Lo Borges, Novelli, Novelli, Toninho Horta

Vocais

Beto Guedes, Joyce, Malu, Nelson Angelo, Novelli

Baixo

Lo Borges, Mauricio Mendonça, Novelli, Toninho Horta

Berimbau

Robertinho Silva

Violoncelo

Antônio "Toninho" Pinheiro, Edmundo Oliani

Congas

Rubinho

Bateria

Hélcio Milito, Robertinho Silva, Rubinho

Piano Elétrico

Tenorio Jr.

Flauta

Danilo Caymmi, Paulo Guimarães, Paulo Jobim, Sergio Fayne

Guitarra

Lo Borges, Nelson Angelo, Toninho Horta

Cravo

Tenorio Jr., Wagner Tiso

Órgão

Novelli, Tenorio Jr., Toninho Horta, Wagner Tiso

Percussão

Beto Guedes, Carlos Sampaio, Hélcio Milito, Lo Borges, Robertinho Silva, Rubinho, Toninho Horta

Piano

Novelli, Tenorio Jr., Toninho Horta

Engenheiro de Som

Reny R. Lippi

Engenheiro de Som [Technical Director]

Z. J. Merky

Gravação [Recording Technician]

Nivaldo Duarte, Toninho, Zilmar De Araujo

Arte [Finish]

Tadeu Valério

Design

Ronaldo Bastos

Design, Layout, Fotografia

Cafi

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Disco Voador · Ramon Duccini

1h 35min9 de abr. de 2021

Nelson Angelo, um dos grandes nomes do lendário Clube da Esquina está aqui voando com a gente no Disco Voador, contando tudo sobre o super cultuado álbum "Nelson Angelo & Joyce", lançado em 1972.   Sabe aquela guitarra no final de "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo"? É ele que toca!    Nelson bateu um papo incrível conosco contando desde o Quarteto Livre, passando pela Sagrada Família, A Tribo, a g

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