Encarnado
Juçara Marçal
2014

Porque Merece Estar na Lista
Encarnado, lançado em fevereiro de 2014, é o primeiro disco solo da cantora Juçara Marçal e rapidamente se estabeleceu como uma referência central na cena contemporânea paulista. O álbum se destaca por dialogar de forma visceral e intimista com questões existenciais, sociais e culturais, utilizando uma sonoridade particular e inovadora.
Contexto
Antes de lançar Encarnado, Juçara Marçal já possuía uma trajetória consolidada na música brasileira, sendo cantora do grupo Metá Metá e tendo integrado os grupos Vésper Vocal e A Barca. Sua aventura em um trabalho solo com Encarnado foi percebida como uma estreia surpreendente e um movimento em direção a uma sonoridade arriscada e inesperada.
Gravação
A sonoridade única de Encarnado é marcada pelo diálogo entre as guitarras de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, que também formam a banda que acompanhou Juçara Marçal desde a gravação do álbum, juntamente com Thomas Rohrer na rabeca. Kiko Dinucci também assinou a produção do disco.
Músicas
O repertório de Encarnado é predominantemente marcado pelo tema da morte, que, no entanto, é explorado como uma busca por renovação e renascimento, um desejo por uma 'nova carne'. Canções como "O Velho Amarelo" e "Ciranda do Aborto" abordam a finitude e a violência de maneira visceral. A voz de Juçara Marçal se torna um instrumento em si, permeando as composições, inclusive em faixas como "E o Quico?", de Itamar Assumpção, e "A Velha da Capa Preta", de Siba. O álbum apresenta uma fusão de estilos, com influências que vão da MPB e samba ao jazz e math rock, e é notável pela ausência de percussão tradicional. As cordas, sopros e mudanças bruscas em melodias e tempo, herdeiras do math rock, cumprem o papel percussivo de forma eficiente.
Legado
Encarnado foi muito bem recebido pela crítica, sendo considerado um dos trabalhos mais ousados e autênticos do cenário musical brasileiro recente. O álbum conquistou diversos reconhecimentos, incluindo o Prêmio Governador do Estado (Júri) de Melhor Álbum de 2014, o Prêmio APCA de Melhor Álbum de 2014, e o Prêmio Multishow de Música Compartilhada. O disco é cultuado e se tornou uma referência central da cena contemporânea paulista, consolidando a posição de Juçara Marçal como uma das artistas mais relevantes e inovadoras da música brasileira.