Padê

Juçara Marçal & Kiko Dinucci

2008

Capa de Padê
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Padê, lançado em 2008, representa um marco fundamental na música brasileira contemporânea, assinalando o primeiro encontro criativo entre a cantora Juçara Marçal e o violonista e compositor Kiko Dinucci. Este álbum é uma imersão profunda nas matrizes afro-brasileiras e na canção popular, construído sobre a força da ancestralidade. A sonoridade de Padê, essencialmente voz e violão, destaca-se pela crueza e autenticidade, explorando ritmos e temáticas que remetem diretamente às tradições culturais africanas presentes no Brasil. O título do álbum, em iorubá, refere-se a uma cerimônia de Candomblé em que são feitas oferendas a Exu, servindo como um catalisador de energia e uma forma de evocar proteção dos ancestrais, o que já indica a profundidade espiritual e cultural do trabalho. Este trabalho singular estabeleceu as bases para uma parceria artística que se revelaria extremamente influente, definindo um estilo que mescla a rica herança rítmica brasileira com uma abordagem contemporânea e muitas vezes experimental.

Contexto

Antes de Padê, Juçara Marçal já era uma figura respeitada na cena musical, tendo participado do grupo A Barca desde 1998, aprofundando sua pesquisa na cultura popular brasileira e explorando a cultura afro-brasileira. Kiko Dinucci, por sua vez, era reconhecido como um renovador do samba paulistano, mas com um trabalho que abrangia uma vasta gama de gêneros, incluindo marchinha, lundu, jongo, batuque, rumba, bolero, embolada, jazz e ritmos afro-brasileiros, além de influências do pós-punk de suas bandas indie e hardcore nos anos 90. O encontro entre Juçara e Kiko ocorreu em 2004, quando a cantora se impressionou com a qualidade artística e a mistura de influências do compositor. Padê surgiu quatro anos depois, em um momento em que ambos já carregavam fortes referências das religiões de matriz africana e da cultura popular brasileira, preparando o terreno para a exploração conjunta dessa rica tapeçaria musical.

Gravação

O processo de gravação de Padê ocorreu em várias sessões ao longo de 2006, especificamente em 17 e 27 de maio, 16 de junho, 20 e 28 de setembro, no Estúdio Zabumba. A mixagem foi finalizada em 12 de janeiro e 2 de fevereiro de 2007, também no Estúdio Zabumba, sob a responsabilidade de André Magalhães. A masterização foi realizada por André Magalhães no Estúdio Escafandro. A edição original foi lançada em CD em 2008. Em 2018, celebrando o décimo aniversário do lançamento, Padê ganhou sua primeira versão em vinil, uma edição de luxo e limitada a 500 cópias, prensada em LP de 180g pela Vinil Brasil. A capa gatefold de capa dura, empastada com papel especial, apresentava artes exclusivas assinadas por Kiko Dinucci, incluindo desenhos de nanquim e uma xilogravura de Ogum.

Músicas

As canções de Padê são construídas sobre a base da ancestralidade africana e da canção popular brasileira, priorizando a expressividade da voz e do violão. O álbum conta com composições de Kiko Dinucci, que assinou oito faixas, e outras de nomes como Candeia, Nina Alvarenga, Paulo Padilha, Luiz Tatit, Batatinha, Lincoln Antonio e Walter Garcia, e André Bueno. Faixas como a própria "Padê", "São Jorge", "Machado de Xangô" e "Atotô" ressaltam a forte conexão com a cultura e a religiosidade afro-brasileira. As letras e melodias mergulham em um universo que evoca rituais e elementos sagrados, características que se tornariam um selo da colaboração entre os artistas.

Legado

Padê é amplamente considerado uma joia e um divisor de águas na música brasileira contemporânea. Sua importância transcendeu o lançamento inicial, sendo reconhecido como o ponto de partida para uma das parcerias mais prolíficas e icônicas da década: a formação do trio Metá Metá em 2010, com a adição do saxofonista Thiago França. A influência do álbum é evidente na carreira subsequente dos artistas. A faixa "São Jorge", por exemplo, foi regravada e reapareceu no álbum MetaL MetaL do Metá Metá. A recepção crítica ao longo dos anos tem sido consistente, com o álbum sendo altamente avaliado pelos ouvintes, alcançando uma média de 4.93 de 5 estrelas para a versão em vinil e 4.4 de 5 para a versão em CD no Discogs, o que demonstra seu valor e apreço duradouro. A reedição de luxo em vinil em 2018, para celebrar seu décimo aniversário, também reafirma seu lugar como uma obra fundamental na trajetória artística de Juçara Marçal e Kiko Dinucci.

Ranking nas Listas

Faixas

Referências