Inpariquipê

Kaatayra

2021

Capa de Inpariquipê
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Inpariquipê, lançado em 2021, é um trabalho singular do projeto Kaatayra, do multi-instrumentista Caio Lemos. Este álbum se destaca por sua fusão inovadora de black metal atmosférico com elementos da música tradicional brasileira, resultando em uma sonoridade minimalista e acústica que subverte as expectativas do gênero. O disco oferece uma experiência auditiva que é ao mesmo tempo bela e intensa, afastando-se da frieza frequentemente associada ao black metal para criar uma atmosfera de acolhimento e calor. Considerado por Lemos como uma possível "canção do cisne" para Kaatayra, Inpariquipê exala qualidades transcendentes e triunfantes, imbuídas de uma sensação de positividade. Sua originalidade reside na habilidade de Lemos em incorporar influências de compositores minimalistas como Steve Reich, Arvo Pärt e Philip Glass, aliando-as a elementos de rock psicodélico e criando um trabalho hipnótico e envolvente que ressoa profundamente com o ouvinte.

Contexto

Kaatayra é o projeto solo do músico brasileiro Caio Lemos, concebido originalmente como uma ferramenta para auxiliar sua saúde mental. Antes de Inpariquipê, lançado em 2021, Lemos já possuía uma discografia prolífica sob o nome Kaatayra, incluindo álbuns como Só quem viu o relâmpago à sua direita sabe e Toda história pela frente, ambos de 2020. Nessas obras anteriores, a mescla entre black metal e música tradicional brasileira já se fazia presente, com Só quem viu o relâmpago à sua direita sabe explorando intensamente a música folk. O nome "Kaatayra" significa "Filho/Filha da Mata", o que reflete a profunda conexão e paixão de Lemos pela música folclórica brasileira e pelas lendas de sua infância. Além de Kaatayra, Caio Lemos é conhecido por sua versatilidade e por participar de outros projetos musicais, como Bríi, Bakt, Extinction Remains, Rasha e Vauruvã, demonstrando uma constante exploração de diferentes sonoridades e estilos.

Gravação

O álbum Inpariquipê foi um projeto predominantemente solo de Caio Lemos, que assumiu a responsabilidade por todos os instrumentos. O processo de gravação foi notavelmente mais estruturado e menos improvisacional do que em trabalhos anteriores, em parte devido à expansão da instrumentação. Lemos utilizou um setup de home studio, composto por monitores, interface de áudio, controlador MIDI e microfones para a produção do disco. A produção buscou uma mixagem e masterização claras, garantindo que nenhum elemento soasse abafado, permitindo que os instrumentos incomuns se integrassem harmoniosamente com os mais convencionais. A percussão, que inclui instrumentos típicos da música brasileira, desempenha um papel fundamental na criação de dinâmica e força, com até mesmo os *blast beats* remetendo a ritmos tradicionais executados em alta velocidade. O xilofone, por sua vez, foi escolhido por seu ataque rápido e sua capacidade de construir ritmo, harmonia e melodia. O álbum também incorpora passagens ambientais e o que se supõe serem gravações de campo. Uma abertura notável ocorre com uma amostra da voz de Jorge Ben Jor, do álbum "Tábua de Esmeralda", proferindo a palavra "Salve", e a faixa-título inclui o canto de pássaros gravados ao vivo.

Músicas

As cinco faixas que compõem Inpariquipê são "Tiquindê", a faixa-título "Inpariquipê", "Ãráiãsaiê", "Dundararaiê" e "Iasá". "Tiquindê" serve como uma extensa introdução ao álbum, encapsulando as ideias e sentimentos iniciais do projeto, com foco em ritmo e repetição que induzem a um estado de transe. A faixa-título "Inpariquipê" é um exemplo da fluidez do álbum, transitando sem esforço entre o prog-folk com conotações celtas, repetições minimalistas impulsionadas por teclados, percussão frenética e paisagens sonoras cinematográficas lideradas pela flauta. "Dundararaiê" se destaca pela incorporação de vocais metálicos com um tratamento tribal, o que intensifica suas qualidades hipnotizantes, e por suas transições suaves entre divagações minimalistas e seções vocais bombásticas. Já "Iasá" é um experimento rítmico, com mudanças constantes de tempo e instrumentos principais, mantendo, contudo, uma estrutura de pulsação incessante. Os títulos das canções foram criados por Caio Lemos com base em sua sonoridade fonética, sem a intenção de ter um significado linguístico específico, como uma forma de superar sua própria obsessão pela linguística. Lemos considera que, de certa forma, o álbum é instrumental, onde a existência das palavras pelo seu som é a essência. Os vocais guturais são esparsos e discretos, soando como gritos na imensidão da natureza.

Legado

Inpariquipê foi lançado em 1º de janeiro de 2021 pela Pest Productions em formato CD e de forma autônoma digitalmente, com edições em vinil e cassete disponibilizadas em 2022. O álbum rapidamente se estabeleceu como um dos mais bem avaliados de Kaatayra e foi amplamente aclamado pela crítica. Foi descrito como "incrível" e "uma das obras mais impressionantes de 2021", sendo até mesmo considerado uma "obra-prima". Os críticos elogiaram a fusão única do álbum entre black metal atmosférico, música tradicional brasileira e elementos minimalistas, destacando sua atmosfera acolhedora e convidativa. No site BestEverAlbums.com, Inpariquipê ocupa a 11.510ª posição no ranking geral dos melhores álbuns, com uma pontuação de 103, e aparece em 23 tabelas. No Discogs, o álbum ostenta uma média de 4,67 de 5 estrelas em 33 avaliações. Sua natureza inovadora e transgressora foi consistentemente ressaltada, sendo reconhecido como uma declaração musical significativa tanto dentro quanto fora do gênero metal. A repercussão do álbum foi tamanha que gerou uma longa espera por um sucessor, com o álbum Caminhos de Água sendo lançado apenas em 2026, evidenciando o impacto duradouro de Inpariquipê.

Ranking nas Listas

Faixas