Nascido sob o signo incivilizatório

Kaatayra

2019

Capa de Nascido sob o signo incivilizatório
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Ranking nas Listas

Por Que Esse Disco é Importante

Nascido sob o signo incivilizatório, lançado em 2019 por Kaatayra, projeto solo do músico Caio Lemos, representa um marco na fusão entre o black metal atmosférico e elementos da rica tradição folk brasileira. O álbum se destaca por reinterpretar a intensidade do metal com uma abordagem singular, incorporando instrumentação acústica, percussões tribais e vocais etéreos. Sua sonoridade é simultaneamente introspectiva e potente, criando paisagens sonoras que transitam entre a delicadeza e a força opressora. Este trabalho solidifica a proposta de Kaatayra de tecer uma tapeçaria musical onde a crueza do metal se entrelaça com melodias e ritmos tipicamente brasileiros, resultando em uma experiência auditiva que é ao mesmo tempo familiar e inovadora.

Contexto

O projeto Kaatayra é a concretização da visão artística de Caio Lemos, sendo considerado por muitos como sua expressão mais autêntica e visceral. O próprio nome Kaatayra, que pode ser interpretado como "Filho/Filha da Mata", reflete a profunda conexão do artista com a música folclórica brasileira e as lendas de sua infância. Lançado em 2019, o álbum emergiu em um período onde a temática ambiental e a relação da humanidade com a natureza ganhavam cada vez mais destaque. A obra, de fato, aborda explicitamente a abordagem apática da humanidade em relação às mudanças climáticas, usando a música como um veículo para essa reflexão urgente.

Gravação

Como um projeto de um homem só, a concepção de Nascido sob o signo incivilizatório coube inteiramente a Caio Lemos, que provavelmente orquestrou e executou a maior parte, senão todas, as etapas de gravação. O processo de produção privilegiou um equilíbrio notável, onde arranjos complexos de metal foram balanceados com a simplicidade e a cadência de batidas acústicas. A sonoridade é enriquecida pelo uso de instrumentos acústicos, percussões de caráter tribal e gravações de campo, elementos recorrentes na discografia de Kaatayra, que contribuem para a atmosfera naturalista e imersiva do álbum.

Músicas

O álbum é composto por cinco faixas extensas e imersivas: "Horizonte, Abismo", "Fogo! Na Babilônia", "Unhas de Bode Ecoam versus o Macaco Nu e sua Agricultura", "Chama, Pólvora e Esperança" e "Preciso me Encontrar (Tributo ao Candeia)". A faixa "Unhas de Bode Ecoam versus o Macaco Nu e sua Agricultura" se distingue por ser a única totalmente acústica, oferecendo um respiro e um ponto de contraste dentro da obra. Canções como "Horizonte, Abismo" e "Chama, Pólvora e Esperança" apresentam explosões de caos e uma energia dinâmica, com a bateria alternando rapidamente entre batidas blast beat e passagens mais melancólicas de folk latino. As letras do álbum abordam as preocupações de Lemos com as mudanças climáticas, enquanto "Preciso me Encontrar (Tributo ao Candeia)" homenageia o sambista Candeia, evidenciando as raízes culturais brasileiras incorporadas à proposta musical.

Legado

Nascido sob o signo incivilizatório foi amplamente elogiado pela crítica, sendo considerado uma evolução do trabalho anterior de Kaatayra e alcançando novos patamares de realização artística. O álbum foi rapidamente apontado como um forte concorrente para as listas de melhores do ano em 2019, sendo descrito como imensamente prazeroso e impecável tanto em sua técnica quanto em sua arrumação. O estilo de Kaatayra, que combina black metal com elementos folk brasileiros, consolidou-se como uma referência no metal progressivo e na música contemporânea que busca influências além das fronteiras tradicionais do gênero. A inclusão do álbum entre os 100 melhores discos da música brasileira atesta seu reconhecimento e impacto duradouro na cena musical nacional.

Análises

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