Sessão da Tarde
Leo Jaime
1985

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1985, Sessão da Tarde é o segundo álbum de estúdio do cantor Leo Jaime e representa um marco fundamental em sua carreira solo e no cenário do pop rock brasileiro da década de 1980. Com uma sonoridade que habilmente transita entre o pop rock, o new wave, o rockabilly e baladas envolventes, o disco se destacou por sua capacidade de se conectar com a juventude da época. O álbum encontrou a "fórmula do sucesso" ao abordar temas universais e agridoces da vida juvenil, como as angústias da adolescência, o amor colegial, a solidão e até mesmo críticas sociais sutis, tudo permeado por um humor característico e duplo sentido. Ao dar voz aos sentimentos de "loosers" românticos, garotos pobres e apaixonados por meninas de outras classes sociais, Leo Jaime criou um repertório autoral cativante que, apesar de fortemente enraizado nos anos 80, mantém sua relevância temática até hoje. A dedicação do disco a Erasmo Carlos também sinaliza a profunda influência da Jovem Guarda no trabalho de Jaime, unindo o frescor do rock oitentista com o espírito romântico e rebelde das décadas anteriores.
Contexto
O ano de 1985 foi um divisor de águas para a música brasileira, marcando a efervescência do rock nacional em um Brasil que respirava ares de "pós-ditadura" e redemocratização. Nesse cenário de intensa produção musical, Leo Jaime, que havia sido parte da formação original do grupo de rockabilly João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, já buscava consolidar sua carreira solo. Seu álbum de estreia, "Phodas 'C'" (1984), embora irreverente, não havia alcançado o sucesso esperado e foi considerado polêmico. "Sessão da Tarde" surge, portanto, como um divisor de águas, a oportunidade de Leo Jaime dar a volta por cima e se firmar como uma das vozes mais carismáticas da nova geração. Curiosamente, antes de sua carreira solo e passagem pelos Miquinhos Amestrados, Leo Jaime chegou a ser convidado para ser o vocalista do Barão Vermelho, mas recusou a oferta, alegando que sua voz seria "muito suave" para o estilo da banda e sugerindo Cazuza para o posto.
Gravação
Produzido por Mariozinho Rocha para o selo Epic Records (CBS), Sessão da Tarde foi gravado e mixado por Guilherme Reis, com o próprio Leo Jaime assumindo a direção musical do projeto. O processo de gravação, no entanto, não esteve isento de desafios. Leo Jaime revelou ter enfrentado impasses com a gravadora, que desejava um álbum mais alinhado aos padrões comerciais de outros artistas do catálogo e chegou a pedir que o disco fosse refeito. No entanto, Jaime defendeu sua visão de um som mais simples e direto, inspirado no rock de garagem, e sua convicção foi crucial para que o resultado final refletisse suas intenções artísticas, sendo aprovado pelo presidente da gravadora. O álbum contou com uma banda base talentosa, incluindo Sergio Serra (guitarra), Iuri Cunha (baixo), Paulo Henrique (teclados) e Rodrigo Mauá (bateria), além de participações especiais notáveis: Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens em "A Fórmula do Amor", João Penca e Seus Miquinhos Amestrados nos vocais de apoio e Os Paralamas do Sucesso na parte instrumental de "Solange". As fotografias que compõem o encarte, registradas por J.R. Duran e Mircea Dordea, contribuem para a estética visual do trabalho, que, inclusive, tem seu título em homenagem ao famoso programa de filmes da TV Globo.
Músicas
Com dez faixas e duração total de 37 minutos e 24 segundos, Sessão da Tarde consolidou uma série de canções que se tornariam grandes sucessos e marcas registradas de Leo Jaime. Dentre elas, "A Fórmula do Amor", uma colaboração com Leoni e a participação do Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens, despontou como um dos maiores hits, celebrando o amor juvenil com uma melodia contagiante. "Só", outra canção de destaque, apresenta o charmoso estilo doo-wop nos backing vocals do João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. O álbum também é notável por faixas como "O Pobre", coescrita com Herbert Vianna, que narra a perspectiva de um garoto sem recursos apaixonado por uma menina de classe social mais alta, um tema que permeia diversas canções do disco e ressoou profundamente com o público. A pegada romântica e bem-humorada se estende a "Amor Colegial", composta por Tony Bellotto e Marcelo Fromer dos Titãs, e à balada "A Vida Não Presta". Há ainda a divertida "Solange", uma paródia da clássica "So Lonely" do The Police, que contou com o instrumental d'Os Paralamas do Sucesso e serviu como uma indireta bem-humorada à delegada Solange Hernandez, então chefe da Divisão de Censura de Diversões Públicas. "As Sete Vampiras" é outro destaque, um rock feito sob medida para o filme homônimo de Ivan Cardoso, no qual Jaime também atuou.
Legado
Sessão da Tarde foi um sucesso estrondoso, vendendo mais de 160 mil cópias em todo o Brasil e alcançando a oitava posição nas paradas semanais da Nopem, impulsionando decisivamente a carreira de Leo Jaime ao estrelato. O álbum é frequentemente citado como um clássico do rock brasileiro dos anos 80, comparável em importância e impacto comercial a outros lançamentos seminais daquele ano, como obras de Kid Abelha, Lulu Santos, Ultraje a Rigor, Titãs e RPM. Mesmo décadas após seu lançamento, o disco mantém sua relevância, muito em função de suas temáticas universais sobre o amor, a desilusão juvenil e as questões sociais. Prova disso é que, em 2021, Leo Jaime revisitou e relançou versões acústicas de "A Vida Não Presta", "O Pobre" e "Só" em formato de singles, confirmando a perenidade de seu cancioneiro. Apesar de sua inegável importância e da qualidade de seu trabalho, algumas críticas apontam que "Sessão da Tarde" e a discografia de Leo Jaime por vezes não recebem o reconhecimento merecido em listas de melhores álbuns do rock nacional.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Leo Jaime
Mariozinho Rocha
Sérgio Serra
Leo Jaime
Paulo Henrique
Guilherme Reis
J. R. Duran, Mircea Dordea
