A Via-Láctea

Lô Borges

1979

Capa de A Via-Láctea
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

A Via-Láctea, lançado em 1979, representa um marco fundamental na discografia de Lô Borges, sinalizando seu aguardado retorno após um hiato de sete anos na produção fonográfica solo. O álbum é aclamado como um dos mais completos e representativos de sua carreira, solidificando a sonoridade mineira que ele ajudou a definir. Com uma mistura de rock, pop e elementos da MPB, o disco exibe linhas melódicas criativas e suaves, sustentadas por progressões harmônicas plásticas e orgânicas, revelando a maturidade artística de Lô Borges. Este trabalho é frequentemente descrito como um pináculo do "dream pop" brasileiro, caracterizado por sua atmosfera onírica, imaginativa e sonoridade atemporal. A sensibilidade lírica e a riqueza melódica presentes em A Via-Láctea convidam a uma audição profunda, onde cada camada musical serve à melodia de forma orgânica e edificante, tornando-o um álbum para ser redescoberto continuamente.

Contexto

Após a efervescência de 1972, ano em que Lô Borges lançou o seminal Clube da Esquina com Milton Nascimento e seu aclamado disco solo de estreia (popularmente conhecido como "Disco do Tênis"), o jovem artista viveu um período de intenso sucesso, mas também de grande pressão. A demanda por composições constantes e o distanciamento de amigos e familiares levaram Lô a se isolar, retornando a Minas Gerais e adotando uma abordagem mais lenta para a criação musical. Durante os sete anos que se seguiram, Lô Borges se afastou dos holofotes, optando por um estilo de vida mais recluso e "hippie" em locais como Arembepe, Bahia, antes de retornar a Belo Horizonte. Sua volta à cena musical se deu em 1978, com participações em Clube da Esquina 2, e culminou em 1979 com o lançamento de A Via-Láctea. Milton Nascimento, seu parceiro de longa data, atuou como intermediário entre Lô e a gravadora, facilitando o lançamento das novas canções após sua prolongada ausência.

Gravação

A Via-Láctea foi gravado em 1979 e lançado pela Odeon, com direção de produção de Mariozinho Rocha. O álbum contou com uma gama notável de músicos, refletindo o espírito colaborativo e a riqueza instrumental característicos da música mineira da época. Entre os créditos, destacam-se nomes como Wagner Tiso no sintetizador ARP Omni e piano, Telo Borges no piano, Cláudio Venturini e Paulinho nas guitarras elétricas, Paulinho Carvalho no baixo e viola de 12 cordas, Hely na bateria e uma equipe de percussionistas incluindo Aleuda, Robertinho e Toninho Horta. A engenharia de som foi cuidada por profissionais como Franklin, Nivaldo Duarte, Dacy, Mayrton e Roberto, com Osmar Furtado sendo responsável pelo corte da laca. A presença de Milton Nascimento como produtor executivo também sublinha a importância do círculo do Clube da Esquina na concepção do trabalho. Essa combinação de talentos resultou em arranjos progressivos e intencionais, com vocais mais confiantes e robustos, solidificando a sonoridade particular que Lô Borges buscava.

Músicas

O repertório de A Via-Láctea é um verdadeiro tesouro da MPB, com muitas canções que se tornariam clássicos nas compilações de Lô Borges. Destacam-se faixas como a etérea "A Via-Láctea", que dá nome ao disco, e a emblemática "Clube da Esquina nº 2", cuja letra de Márcio Borges foi criada sobre um instrumental gravado no álbum Clube da Esquina, reforçando a conexão com o coletivo. Outras composições marcantes incluem "Equatorial", com a parceria de Beto Guedes, a delicada "Vento de Maio", e a profunda "Tudo Que Você Podia Ser", todas coescritas com Márcio Borges. O álbum também apresenta "Nau Sem Rumo" e colaborações com nomes como Ronaldo Bastos, Fernando Oly, Rodrigo Leste e Paulinho Carvalho, além da participação vocal da irmã de Lô, Solange Borges. As músicas exploram temas como a natureza, a introspecção e as complexidades humanas, tudo envolto em melodias que convidam a um mergulho em paisagens sonoras poéticas e por vezes psicodélicas.

Legado

A Via-Láctea não apenas marcou o retorno triunfal de Lô Borges após um longo período de silêncio, mas também se estabeleceu como um álbum de culto e um dos pontos altos de sua carreira. Críticos e fãs o consideram uma "obra-prima do mundo de Minas, suave e gentil", e uma peça essencial para colecionadores e amantes da música brasileira. A presença de nove das dez canções do álbum em qualquer compilação de Lô Borges atesta sua duradoura relevância e a força de suas composições. O disco é reconhecido por sua capacidade de evocar imagens de "dream pop", com sua sonoridade que alguns descrevem como um caleidoscópio de sensações, sendo constantemente elogiado por sua melodia forte e a beleza da voz de Lô. Embora Lô Borges tenha mantido uma produção mais esporádica nas décadas seguintes, A Via-Láctea firmou sua importância na MPB e na música mineira, influenciando gerações e sendo um testemunho de sua visão artística singular.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção Executiva [Produtor Executivo]

Milton Nascimento

Produção [Direção De Produção]

Mariozinho Rocha

Engenheiro de Som, Corte [Técnico De Corte]

Osmar Furtado

Engenheiro de Som, Mixagem [Técnicos De Mixagem]

Franklin Garrido, Nivaldo Duarte

Engenheiro de Som, Gravação [Técnicos De Gravação]

Dacy Rodrigues, Mayrton Bahia, Roberto Castro

Arte [Coordenação Gráfica]

Kélio Rodrigues, Tadeu Valério

Capa [Capa]

Kélio Rodrigues, Marcio Borges

Referências

Livros