Cena de Cinema

Lobão

1982

Capa de Cena de Cinema
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Cena de Cinema, lançado em 1982, marca a estreia solo de Lobão, um passo audacioso e crucial para a construção de sua sólida carreira. O álbum se destaca por ser uma obra ambiciosa, descrita como uma "pérola dos anos 80" e um dos grandes discos do Brasil. Com uma sonoridade que transita entre a ambientação New Wave e uma diversidade de estilos, o disco surpreende a cada faixa, mantendo o ouvinte engajado e curioso. Foi através deste trabalho que Lobão, até então conhecido como baterista, encontrou e construiu sua voz como músico e cantor solo, o que o torna um marco fundamental em sua discografia e na música brasileira.

Contexto

O lançamento de Cena de Cinema ocorreu em um período de transição significativa na carreira de Lobão. Ele vinha do sucesso da banda Blitz, um grupo que teve papel essencial no surgimento e crescimento do BRock dos anos 80. Lobão, no entanto, estava insatisfeito com os rumos que a Blitz estava tomando e com a recusa da banda em gravar suas composições. Sua decisão de seguir carreira solo, então, representou uma ruptura e a busca por uma expressão artística mais pessoal, embora ele se considerasse essencialmente um músico de banda e baterista.

Gravação

O álbum Cena de Cinema foi gravado no verão de 1981, inicialmente como uma demo tape, em um estúdio carioca de oito canais, em apenas sete dias. A produção foi um verdadeiro "ação entre amigos", com a colaboração de diversos músicos da cena carioca da época. A banda de apoio contou com nomes como Lulu Santos nas guitarras, Ritchie e Marina Lima nos vocais de apoio, além de Ricardo Barreto na guitarra, Antonio Pedra no baixo e William Forghieri nos teclados. Marcelo Sussekind também participou, tocando baixo e atuando como técnico nas sessões. O custo da gravação foi bancado por Inácio Machado. Uma anedota famosa da gravação é a de Lobão expulsando o baterista inglês Jim Capaldi dos vocais de apoio da faixa-título.

Músicas

Cena de Cinema é composto por dez canções, que exibem a veia composicional e a sonoridade multifacetada de Lobão. A faixa-título, "Cena de Cinema", é frequentemente apontada como uma das melhores do disco, sendo descrita como uma canção pop rara. Outras canções que se destacam incluem "Amor de Retrovisor", "Doce da Vida", esta última reconhecida por ser uma das interpretações mais sensíveis e líricas de Lobão, e "Stopim", que alguns consideram subestimada. As letras, muitas vezes em parceria com Bernardo Vilhena, já revelavam um Lobão provocador em sua escrita.

Legado

Após ser inicialmente executado de forma precária como uma demo tape na Fluminense FM, o álbum Cena de Cinema ganhou visibilidade e foi adquirido pela RCA Victor, que o prensou em vinil e K7. Apesar da execução radiofônica de faixas como a título e "Doce da Vida", o LP vendeu apenas cerca de 6 mil cópias e saiu de catálogo pouco tempo depois de seu lançamento. O mau desempenho comercial, somado a um desentendimento de Lobão com o presidente da RCA à época, resultou em o disco ser mal distribuído e rapidamente esgotado. Contudo, o álbum é hoje considerado um trabalho "cult" pelo próprio artista e por críticos, que o revisitam e o recomendam como uma "pérola dos anos 80". Sua edição em vinil tornou-se rara, e a versão em CD de 1991 também se esgotou rapidamente.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística [Direção]

Hélcio Do Carmo

Produção

Bernardo Vilhena, Lobão

Mixagem

Carlão

Gravação

Marcelo Sussekind

Arte

Paulo Galvão, Valerio Do Carmo

Design Gráfico

Arthur Fróes

Fotografia

Liane Gondim Monteiro

Referências

Livros