Braziliana
Luiz Bonfá & Maria Toledo
1965

Porque Merece Estar na Lista
Braziliana, lançado em 1965, é um álbum que exemplifica a sofisticação da bossa nova e do samba nas mãos de dois de seus mais talentosos expoentes, Luiz Bonfá e Maria Toledo. O disco se destaca pela fusão elegante de bossa nova, samba e balada, refletindo a maestria de Bonfá como violonista e compositor, cuja técnica polifônica era comparada a uma "pequena orquestra". A voz suave e "cool" de Maria Toledo, muitas vezes comparada à de Astrud Gilberto, complementa a complexidade instrumental de Bonfá, criando uma sonoridade íntima e cativante que merece ser redescoberta. O trabalho em conjunto do casal neste álbum não apenas realça a versatilidade de Bonfá, que transita entre sambas, canções de jazzy pop, peças neoclássicas para violão e formas do folclore brasileiro, mas também solidifica Maria Toledo como uma vocalista expressiva e talentosa. A originalidade das composições, em grande parte assinadas por Bonfá e Toledo, oferece um panorama rico da criatividade musical que florescia no Brasil e conquistava o cenário internacional, fazendo de Braziliana uma joia na discografia da MPB e do jazz mundial.
Contexto
O lançamento de Braziliana ocorreu em um momento de efervescência para a música brasileira no cenário global, especialmente impulsionado pelo sucesso estrondoso do álbum Getz/Gilberto em 1964. Esse fenômeno amplificou o interesse internacional pela bossa nova e pelo samba, abrindo caminho para que artistas brasileiros brilhassem no exterior. Luiz Bonfá já era uma figura de destaque, tendo ganhado reconhecimento mundial por suas composições para a trilha sonora do filme "Orfeu Negro" (1959), incluindo clássicos como "Manhã de Carnaval" e "Samba de Orfeu". Maria Toledo, antes de Braziliana, já havia construído uma carreira notável, inclusive colaborando com Stan Getz, o que demonstrava sua proeminência no meio musical. O casal Bonfá e Toledo passou a maior parte dos anos 60 em Nova York, consolidando sua parceria musical e artística. Este álbum se insere nesse contexto de intercâmbio cultural e ascensão global da bossa nova, com o Brasil, através de artistas como Bonfá e Toledo, marcando presença significativa na música mundial.
Gravação
Braziliana foi gravado em 1965 sob a produção de Bobby Scott, um músico, arranjador e produtor americano com uma carreira multifacetada que incluiu trabalhos com grandes nomes do jazz. A colaboração de Scott não se limitou à produção, pois ele também atuou como co-arranjador das faixas ao lado de Luiz Bonfá e foi o responsável pelas notas do encarte do álbum. Para a seção rítmica, o álbum contou com a presença de dois percussionistas de renome: Hélcio Milito e Dom Um Romão. Ambos eram figuras importantes na cena do samba-jazz e da bossa nova, conhecidos por sua habilidade em fundir ritmos brasileiros com elementos do jazz, atraindo a atenção de músicos norte-americanos. A inclusão desses bateristas contribuiu para a riqueza rítmica e a autenticidade sonora do álbum, gravado pela Philips, provavelmente em Nova York, onde o casal Bonfá e Toledo residia na época.
Músicas
O repertório de Braziliana é majoritariamente composto por Luiz Bonfá e Maria Toledo, evidenciando a profunda parceria artística do casal. O álbum apresenta 14 faixas que exploram uma vasta paisagem composicional, desde sambas vibrantes até peças de jazz pop, composições neoclássicas para violão e experimentações com formas folclóricas brasileiras. Entre as canções de destaque, "Whistle Samba" abre o álbum com o assovio de Bonfá e os vocais sem palavras de Toledo, criando uma atmosfera leve e convidativa. Há também uma "versão realmente linda" de "Samba de Orfeu", uma das composições mais célebres de Bonfá para o filme "Orfeu Negro", que aqui ganha arranjos com percussão marcante e um piano jazz límpido, além do violão cristalino de Bonfá. A canção "Pierrot", por sua vez, é realçada pela "voz calorosa, romântica e sensual" de Toledo, que confere asas à melodia. A destreza de Bonfá também é posta em evidência na peça solo de violão "Improviso", demonstrando sua "elegância brilhante e invenção melódica e improvisacional sem esforço".
Legado
Braziliana, embora não tenha atingido o mesmo reconhecimento popular de outros álbuns de bossa nova da época, foi calorosamente recebido pela crítica especializada. A revista Stereo Review, por exemplo, concedeu-lhe o título de "Recording of Special Merit" (Gravação de Mérito Especial) em 1966, um selo de excelência que atesta a qualidade e a importância artística do trabalho. A Billboard também destacou a "combinação vencedora de bossa nova, samba e balada" e o "trabalho excepcional de violão de Bonfá". A longevidade do álbum é comprovada por seu relançamento em CD em 2008, como parte da aclamada série Verve Originals, muitos anos após ter estado fora de catálogo. Este relançamento permitiu que novas gerações de ouvintes e críticos pudessem apreciar a obra, consolidando-o como um dos "registros de assinatura" de Bonfá e uma "maneira maravilhosamente íntima de ouvir Maria Toledo no auge de seus poderes". O álbum mantém uma média de 4.35 de 5 estrelas em plataformas como o Discogs, baseada em avaliações de colecionadores, o que reitera seu valor duradouro e a apreciação contínua por parte dos amantes da música.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Bobby Scott, Luiz Bonfá
Luiz Bonfá
Hélcio Milito
Dom Um Romao