Piano e Cordas Volume II
Luiz Eça
1970

Porque Merece Estar na Lista
Piano e Cordas Volume II, lançado em 1970, representa uma das autênticas obras-primas de Luiz Eça, reafirmando seu status como um dos mais completos pianistas da música popular brasileira. O álbum mantém a elevada qualidade técnica e artística de seu predecessor, "Luiz Eça & Cordas" (1964), consolidando a fusão sofisticada entre o piano singular de Eça e arranjos orquestrais de cordas, conferindo às composições uma "roupagem de gala". Este trabalho instrumental não é apenas um deleite para os ouvidos, mas também um marco na trajetória do artista, que via a série "Piano e Cordas" como um divisor de águas na música brasileira. Eça explorava uma linguagem musical cada vez mais densa e complexa, navegando entre o jazz de vanguarda e elementos de easy listening, sempre com um toque de elegância e inovação que o distinguia no cenário musical da época. O álbum é um testemunho da genialidade de Luiz Eça como arranjador e intérprete, onde sua formação clássica se encontra com a riqueza harmônica da bossa nova e da MPB. É uma obra que demonstra a profundidade de seu talento, elevando o piano a um patamar de expressividade ímpar, e que continua a ser apreciada por sua beleza e sofisticação musical.
Contexto
Luiz Eça, figura central na efervescente cena da bossa nova, já era amplamente reconhecido como o pianista-mentor e fundador do icônico Tamba Trio, formado em 1962. Com uma sólida formação em piano clássico, Eça transitou com maestria para a música popular, sendo um dos arquitetos do som característico da bossa jazz. O lançamento de Piano e Cordas Volume II em 1970 ocorreu em um período em que Luiz Eça estava aprofundando suas explorações composicionais e arranjos, buscando uma complexidade que transcendia as convenções iniciais do gênero. O álbum "Luiz Eça e Cordas", de 1964, já havia estabelecido um padrão de excelência, e a sequência de 1970 demonstra a contínua evolução e refinamento de sua linguagem musical.
Gravação
O álbum Piano e Cordas Volume II foi lançado em 1970 pelo selo Elenco, que era parte da Philips na época. A produção ficou a cargo do renomado músico Roberto Menescal, uma figura proeminente na música brasileira, conhecido por sua sensibilidade e apuro. Os arranjos instrumentais, que são um dos pilares da sonoridade sofisticada do disco, foram criados pelo próprio Luiz Eça, demonstrando seu domínio sobre a orquestração e a interação entre o piano e as cordas. Embora os detalhes específicos sobre o estúdio e as técnicas de gravação não sejam amplamente documentados, sabe-se que o disco foi gravado no Rio de Janeiro e se destaca pelo alto padrão técnico de gravação. Não há créditos específicos para os músicos da orquestra de cordas.
Músicas
Com um total de treze faixas, Piano e Cordas Volume II apresenta uma seleção refinada de composições, que alternam entre peças autorais de Luiz Eça e releituras de clássicos da MPB. Dentre as autorais, destacam-se "Três Minutos Para Um Aviso Importante", composta em parceria com Novelli, a bela "Daulphine", uma obra solo de Eça que se tornaria um standard do jazz, e "Oferenda", coescrita com sua esposa Lenita Plonczynski. O álbum também brilha nas interpretações instrumentais de canções consagradas, como "Preciso Aprender a Ser Só" dos irmãos Valle, "Pra Dizer Adeus" de Edu Lobo e Torquato Neto, e "Minha Namorada", parceria de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. Outros destaques incluem "Depois da Queda" de Roberto Menescal, "Duas Contas" de Garoto, "Travessia" de Milton Nascimento e Fernando Brant, e "Wave" de Tom Jobim. O disco ainda apresenta duas composições de Dori Caymmi: "O Homem Entre o Mar e A Terra" e "Nosso Homem Em Três Pontas", todas transformadas pela visão única e arranjos elegantes de Luiz Eça.
Legado
Piano e Cordas Volume II é considerado uma "obra-prima" e teve uma recepção altamente positiva, solidificando a reputação de Luiz Eça como um dos mais importantes músicos brasileiros. O próprio Eça reconhecia a relevância da série "Piano e Cordas", afirmando que a música brasileira poderia ser dividida em antes e depois de sua concepção, o que sublinha sua percepção do impacto da obra. O legado de Luiz Eça, frequentemente citado como um influenciador de gerações de músicos, permanece vivo através de seus arranjos e composições, que continuam a ser revisitados e estudados. Ele não apenas foi um pianista de destaque, mas também um professor e desenvolvedor de um engenhoso método de arranjos. A canção "Daulphine", presente neste álbum, alcançou o status de standard do jazz, sendo gravada por nomes internacionais, o que atesta a projeção e a influência global de sua criação.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Luiz Eça
Roberto Menescal
Ary Carvalhaes, João Moreira
Aldo Luiz
Ricardo Falcão
