Brazilian Dorian Dream

Manfredo Fest

1976

Capa de Brazilian Dorian Dream
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Brazilian Dorian Dream, lançado por Manfredo Fest em 1976, é uma obra seminal que transcende as fronteiras musicais, posicionando-se como um dos álbuns mais visionários da fusão jazz-funk brasileira. Este trabalho é notável pela sua abordagem ousada e futurista, combinando intrincadamente ritmos brasileiros com elementos do jazz e do funk norte-americano, além de pinceladas da música barroca e romântica europeia. A sonoridade resultante é um "space-funk" cósmico, que soava anos-luz à frente de seu tempo no momento de seu lançamento.

Contexto

Manfredo Fest, cego de nascença, iniciou sua formação musical clássica e, aos 17 anos, já havia se apaixonado pelo jazz. Ele se envolveu ativamente no movimento da bossa nova no Rio de Janeiro nos anos sessenta. Em 1967, Fest mudou-se para os Estados Unidos, onde colaborou com seu conterrâneo Sérgio Mendes, antes de embarcar em sua carreira solo nos EUA e lançar este álbum de forma independente. O Brasil vivia sob uma ditadura militar em 1976, um período que se estendeu de 1968 a 1978, conhecido como "Anos de Chumbo", caracterizado por intensa repressão e censura. Embora o álbum de Fest não aborde diretamente questões políticas em suas letras, a criação de uma obra tão inovadora e transcende gêneros pode ser vista como uma forma de expressão em um período de restrições.

Gravação

O álbum Brazilian Dorian Dream foi gravado e lançado de forma independente em 1976. Manfredo Fest foi o arranjador, compositor e produtor do álbum, além de ter tocado piano elétrico e diversos sintetizadores. A equipe de músicos incluía Thomas Kini no baixo elétrico, Alejo Poveda na bateria e percussão, e Roberta Davis nos vocais sem palavras, que se tornaram uma marca registrada do álbum. Tom Jung foi o supervisor de gravação, responsável pela gravação e mixagem, enquanto Roger Dumas programou os sintetizadores, contribuindo para a sonoridade inovadora do disco.

Músicas

Brazilian Dorian Dream é composto por sete faixas, incluindo a faixa-título, "Facing East", "Jungle Cat", "That's What She Says", "Slaughter On Tenth Avenue", "Who Needs It" e "Braziliana No.1". O álbum é construído sobre o princípio das escalas diatônicas modais do modo Dórico, o que confere às composições uma estrutura harmônica particular. Manfredo Fest demonstrou um uso visionário de instrumentos como Fender Rhodes, Clavinet, sintetizadores Arp e Moog, além de uma variedade de unidades de efeitos, criando texturas sonoras ricas e complexas. As vocais sem palavras da cantora de jazz americana Roberta Davis são um elemento milagroso e distintivo, encaixando-se perfeitamente com os teclados e sintetizadores de Fest, de uma forma que muitos descrevem como quase "alienígena" e precisa. A faixa "Jungle Cat" é um exemplo proeminente, destacando-se como um "space funk stepper" com bateria funkeada, linhas de sintetizador "freaky" e a maestria de Fest no Rhodes.

Legado

Devido à sua natureza independente e tiragem limitada no lançamento original, Brazilian Dorian Dream tornou-se um item de colecionador extremamente raro em vinil. O álbum foi redescoberto e reeditado por selos como Far Out Recordings em 2020, o que permitiu que novas audiências tivessem acesso a esta obra-prima. A música do álbum, particularmente a faixa "Jungle Cat" e sua variação "Jungle Kitten" (lançada em 1979), tornou-se um sucesso underground em clubes de jazz-dance e eventos "all-dayers" no Reino Unido nos anos 80. Críticos e ouvintes o consideram um álbum "seminal e inovador", "anos-luz à frente de seu tempo", e frequentemente o comparam à sonoridade do lendário grupo Azymuth, reconhecendo seu impacto no jazz-funk brasileiro.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo, Piano Elétrico, Sintetizador, Texto do Encarte, Produção

Manfredo Fest

Supervisão de Gravação, Gravação, Mixagem

Tom Jung

Vocais

Roberta Davis

Bateria, Percussão

Alejo Poveda

Baixo Elétrico

Thomas Kini

Programmed By [Synthesizers]

Roger Dumas

Texto do Encarte

Leigh Kamman

Referências