Boogie Naipe

Mano Brown

2016

Capa de Boogie Naipe
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Boogie Naipe, lançado em 2016, marca a aguardada estreia solo de Mano Brown, um dos pilares do rap brasileiro e líder dos Racionais MC's. O álbum representa uma ousada e surpreendente guinada estética em sua carreira, afastando-se do hip-hop engajado que o consagrou para mergulhar profundamente nas raízes da black music. É um trabalho que reverencia o funk, o soul, o R&B e a disco music das décadas de 1970 e 1980, tanto nacionais quanto internacionais, oferecendo um som dançante, sofisticado e permeado por uma nostalgia cativante. Neste projeto, Brown assume uma persona de "gangster lover", transitando por temas de amor, romance, paixões, desilusões e o cotidiano da vida urbana, um contraste lírico em relação às denúncias sociais marcantes de sua obra com os Racionais. Além de suas rimas, o rapper explora mais sua veia melódica, aventurando-se como cantor em diversas faixas. Boogie Naipe é, em essência, um tributo vibrante a um passado musical glorioso, reinterpretado com uma química nova e moderna, consolidando-se como um marco na trajetória de um dos artistas mais influentes do país.

Contexto

A carreira de Mano Brown, Pedro Paulo Soares Pereira, é indissociável da história do Racionais MC's, grupo que formou em 1988 e com o qual construiu uma discografia essencial para a cultura hip-hop brasileira, marcada por letras afiadas que denunciavam a violência policial, a desigualdade social e o preconceito racial. Após mais de duas décadas à frente dos Racionais, Boogie Naipe surge como uma manifestação de sua evolução pessoal e artística, um anseio por explorar outras sonoridades e temáticas. O projeto amadureceu ao longo de vários anos, com algumas canções compostas até uma década antes de seu lançamento. Brown, que cresceu imerso na cultura dos bailes black de São Paulo, influenciado por nomes como Tim Maia, Jorge Ben Jor e a Motown, buscava a liberdade de trilhar novos caminhos musicais. O álbum pode ser visto como uma resposta à rigidez de certos "fundamentalistas do rap" que criticavam a exploração de outros gêneros, com Brown defendendo a liberdade de se arriscar e de se entregar às suas paixões musicais.

Gravação

Boogie Naipe foi um projeto intensamente colaborativo, produzido pelo próprio Mano Brown ao lado do rapper e soulman paulistano Lino Krizz, que também atua como backing vocal dos Racionais MC's e é figura central no álbum. O processo de gravação se estendeu por quase dois anos, realizado nos intervalos da concorrida agenda do Racionais. O disco contou com uma banda robusta, backing vocals e um elenco estelar de participações especiais, refletindo a riqueza da black music brasileira. A produção executiva foi realizada pela Boogie Naipe, produtora de Brown e sua esposa, sem recorrer a patrocínios ou leis de incentivo cultural, o que reforça o caráter autoral e independente do trabalho. A masterização, por sua vez, foi finalizada no renomado Quad Studios, em Nova York.

Músicas

O álbum é uma obra extensa, composta por 22 faixas que totalizam pouco mais de uma hora de duração, imergindo o ouvinte em uma atmosfera de baile black. As músicas são enriquecidas por um time de convidados notáveis, incluindo Lino Krizz em diversas canções, Seu Jorge, Ellen Oléria, Hyldon, Don Pixote, William Magalhães, Carlos Dafé, Max de Castro e o lendário Leon Ware, colaborador de Marvin Gaye. Entre os destaques do repertório estão "Gangsta Boogie", com suas rimas agressivas sobre bases clássicas; "Mal de Amor", que aborda desilusões românticas; "Boa Noite São Paulo", que narra a noite paulistana; e "Mulher Elétrica", com um groove intenso e letras que exaltam a figura feminina. O álbum também faz uso inteligente de samples de clássicos do funk e soul, como "Chicago Gangsters" e "Soup for One" do Chic. Diversas vinhetas pontuam o disco, como "Sinta-se Bem com o Boogie Naipe" e "Boogie Naipe, Baby!", reforçando o clima conceitual de uma festa contínua.

Legado

Boogie Naipe foi recebido com amplo sucesso de público e crítica, marcando um reconhecimento significativo para a carreira solo de Mano Brown. Em 2016, a revista Rolling Stone Brasil o elegeu como o 4º melhor disco brasileiro do ano, e a faixa "Gangsta Boogie" foi destacada como uma das dez melhores canções pelos críticos da mesma publicação. Em 2017, o álbum alcançou projeção internacional ao ser indicado ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa. O impacto do disco se estendeu aos palcos, levando Mano Brown e a banda Boogie Naipe a se apresentarem em grandes festivais de música pelo país, como Rock in Rio, Lollapalooza, Circo Voador e C6 Fest. A edição em vinil duplo, lançada em cores azul e vermelha, com fotos de Klaus Mitteldorf, atesta o valor artístico e cultural da obra. Em 2020, o álbum ainda ganhou uma série de 12 animações para IGTV, expandindo sua narrativa visualmente.

Ranking nas Listas

Faixas

Referências

Livros