Marcos Valle
Marcos Valle
1983

Porque Merece Estar na Lista
O álbum autointitulado de 1970, Marcos Valle, representa um marco significativo na carreira do artista, assinalando uma transição da sonoridade bossa nova para um pop cosmopolita mais arrojado. Neste trabalho, Valle integra influências do soul norte-americano e da "pilantragem" de Wilson Simonal, forjando uma identidade musical que o conectava à modernidade, tecnologia e à imagem de um cidadão do mundo. Este disco espelha um período de amadurecimento e experimentação, no qual o compositor, com seu talento natural para a criação de grooves e ritmos, imprime uma nova sonoridade. As letras, em parceria com Paulo Sérgio Valle, assumem um caráter crítico, abordando questões da sociedade de consumo e da ditadura militar, elevando o trabalho a um patamar de contestação artística.
Contexto
A gravação deste álbum ocorre em um cenário onde a bossa nova vivenciava um declínio no Brasil, impulsionando Marcos Valle a desbravar novas paisagens musicais. Profundamente influenciado pela música norte-americana e pelo rock and roll desde a juventude, com referências a canções como "Be-Bop-A-Lula" de Gene Vincent, Valle enriqueceu sua obra com essas diversas vertentes. Contudo, sua imagem de descendente de alemães, loiro e tido como "bem-nascido representante da elite carioca", muitas vezes o distanciava do perfil "guerrilheiro" que dominava a MPB pós-Tropicália, afetando a recepção de suas provocações e críticas em um período de forte repressão pela ditadura militar.
Músicas
O disco apresenta canções emblemáticas como "Quarentão simpático" e "Pigmalião", esta última em provável alusão à telenovela. Um dos destaques é a provocadora "Ele e ela", na qual Marcos Valle e sua irmã Ângela Valle insinuam uma relação sexual. A capa do álbum funciona como um elemento narrativo complementar, exibindo o artista em um quarto arrumado na frente, e o mesmo cômodo vazio e desarrumado, com roupas femininas espalhadas, na contracapa, visualizando a história sugerida na faixa.
Legado
Apesar da profundidade e do caráter crítico presentes nas letras e na própria concepção visual do álbum, o viés contestador da obra de Marcos Valle, nesse período, não obteve o reconhecimento devido. Sua abordagem sutil e irônica era, por vezes, mal interpretada ou ignorada por uma crítica e um público que esperavam um engajamento mais explícito. Canções da época, como "Flamengo até morrer" (presente em um álbum posterior, mas representativa da mesma fase lírica), foram equivocadamente rotuladas como "adesistas", quando na verdade expressavam uma ironia sofisticada à alienação social, evidenciando a complexidade e a incompreensão que cercaram a recepção de sua fase crítica.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Marcos Valle
Eduardo Lages
Jorge C. Castro
Paulo Sérgio Valle
Lincoln Olivetti
Fernando Souza
Ana Bezerra De Mello Devos, Eugen Ranevsky
Aécio Flávio, Fabiola, Jane Duboc, Leon Ware, Loma Pereira, Luna Messina, Marcio Lott, Miriam Peracchi, Regininha, Rosana, Viviane De Carvalho
Picolé
Ariovaldo Contesini, Peninha
Max Pierre
Leo Gandelman, Oberdan Magalhães, Zé Carlos
Serginho Do Trombone
Bidinho, Marcio Montarroyos
Adolpho Pissarenko, Nathercia Teixeira
Bernardo Bessler, Ernani Bordinhao, Jean Arnaud, Luiz Carlos Campos Marques, Michel Bessler, Nelson Abramento, Robert Arnaud, Stanislaw Smilgin, Walter Gomes De Souza
Cesar Barbosa, Mário Jorge, Nestor Lemos
Andy Mills, Moogie Canazio
Beto, Carlos Dantas, Jackson, João Ricardo, Julio Martins, Leco, Luiz Guilherme D'orey, Mário Jorge, Sergio Seabra
Andy Mills
Paulo Torres
Cosme De Oliveira
Tuninho De Paula
João Bosco